Solidariedade (1)


jorgeassuncao,

 

Confesso que, ao contrário da Ana, na contratação do Cristiano Ronaldo pelo Real Madrid não encontro nada de particularmente escandaloso. O futebol é um negócio e os activos mais valiosos para as empresas que actuam no sector são os jogadores. É normal que o mais rico clube de futebol do mundo, o Real Madrid, procure aqueles que são considerados os jogadores mais valiosos do mundo. Ronaldo tinha um contrato de prestação de serviços com o Manchester, é normal que pela cessação desse contrato de serviços o segundo clube mais rico do mundo queira ser recompensado. Noventa e quatro milhões é um valor muito elevado? É, mas recordo que é valor semelhante ao que o Man United recusou a época passada, o que talvez diga alguma coisa da própria avaliação que o clube inglês faz do jogador português. Quanto à crise, se as empresas que dispõem de dinheiro, como é o caso do Real Madrid, cuja actividade financeira passou à margem dos problemas que afectam milhares de empresas noutros sectores, não dispenderem milhões, quem o fará? Se em tempo de crise quem tem dinheiro, tem de ser poupado, numa qualquer solidariedade para com aqueles que viram as suas finanças apertadas, estará tão só a prolongar a crise.

Já encontro alguma imoralidade quando estes clubes de futebol, com tantos milhões, são ajudados financeiramente pelo poder local ou central. Portugal, nesse aspecto como em tantos outros, é um péssimo exemplo. A construção de dez maravilhosos estádios de futebol a propósito de um evento em 2004 está ai para demonstrá-lo. Mas na ligação do poder político com o desporto, não é só com o futebol que encontramos casos escandalosos. Recorde-se a ajuda de dois milhões de euros que o Estado atribuiu a Tiago Monteiro para garantir a sua participação na fórmula 1 (segundo consta, uma ajuda não só imoral, como ilegal). É um valor que representa pouco mais de 2% da transferência de Ronaldo, mas um valor muito mais preocupante. Porque esse mesmo Estado que ajuda desportistas medíocres em desportos de elite é aquele que exige mais e mais dinheiro ao contribuinte português em nome de uma suposta solidariedade social. Pelos vistos, houve quem achasse que tínhamos de ser forçosamente solidários para com o Tiago.

27 comentários em “Solidariedade (1)”

  1. Jorge, perfeitamente de acordo.
    A Ana, não o diz, mas se calhar é nisso que está a pensar.
    Eu, quando digo, no post dela, “Onde o poder do futebol está “aligeiradamente” associado a outros poderes bem mais escandalosos.”, é a isso que me refiro.
    Ao poder político “entrar” com milhões, para quem factura e esbanja milhões.
    Quando digo também, “o MEU dinheiro não vai para esses devaneios.
    Pelo menos directa e voluntariamente”, é porque resta-me o consolo de não pagar quotas a um qualquer clube.
    Os estádios do 2004 foi um dos maiores erros da gestão dos nossos dinheiros. Mas em nome do futebol, o zé povinho papa tudo.
    O caso do Tiago Monteiro, só não é escandaloso, porque muda um bocado o “som da musica”.
    Pena tenho eu, que não se faça o mesmo, mas nas motas.
    Mas só o futebol prevalece.
    O futebol é uma espécie de “lavagem cerebral”.
    E o jeito que isso tem dado……

    1. Caro TOZE,

      acho que a Ana o diz num comentário do post em causa.
      E não concordo consigo quando diz que o caso Tiago Monteiro “não é escandaloso” porque muda o “som da música”. Parece-me que está a tentar justificar um erro com outro erro. E quanto às “motas”, não tenho a certeza de que o Estado já não o faça. A proliferação de grandes prémios de “motas” em Portugal, sejam no autódromo do Estoril ou no recém construído do Algarve, julgo terem contado com apoio estatal.

      Que o futebol tem dado jeito a muito boa gente, lá isso não poderia estar mais de acordo (e não é só pela questão da “lavagem cerebral”)…

      1. Jorge,

        quando digo que não é tão escandaloso, porque mudou a musica, estou a querer dizer que pelo menos houve algum que saiu, sem ser para o futebol, o verdadeiro sorvedouro de dinheiro público. Só por isso.
        Quanto ao estado dar algum para as motas, deve dar.
        Ao que eu me estava a referir é que não dá nenhum, para quem quer correr nas motas. E temos alguns bons talentos nessa modalidade, mas como é tudo à custa do PAItrocínio e da boa vontade de algumas empresas, nunca chegam muito longe.
        Tanto quanto sei, o AIA (Autódromo Internacional do Algarve) foi todo construído com dinheiros privados.
        E a sua legalização foi uma verdadeira novela, que demorou anos até poder ser iniciada a construção.
        Nós podemos até nem ter grandes nomes, ou muitos, neste caso, no desporto motorizado, mas temos as condições de o vender bem vendido, junto com o turismo, aos estrangeiros.
        Temos o melhor clima da Europa, um verdadeiro chamariz.
        O Autódromo do Estoril, tem os dias contados, o de Braga, não tem as condições mínimas para receber muitas e grandes (em tamanho) equipas.
        Em Espanha há-os por todo o lado e querem construir mais.
        Resta-nos o AIA. Que já mereceu as melhores críticas dos melhores do mundo.
        Uma mais valia, mal aproveitada pelo estado. Ou não concorda?
        E nem é preciso vir a Formula1. Essa só vem chupar milhões, também.
        O estado deve apoiar, sim, mas todos e todos por igual, dentro das necessidades específicas de cada um.

  2. Há muita gente impoluta
    a enriquecer ilicitamente,
    a democracia não é resoluta
    e combale miseravelmente!

    Com uma justiça distante
    da nossa triste realidade,
    o descalabro é gritante
    com sibilos de imoralidade.

    As derrapagens são brutais,
    de muitos e muitos milhões,
    os descalabros orçamentais
    são pagos pelos mexilhões.

  3. O que se passa no futebol de alto nível tem a ver, acho eu, com uma enorme alienação. Mas tal como já disse num comentário ao post da Ana Vidal, se o futebol gera enormes receitas, os protagonistas devem ser os principais beneficiados. O que não anula que os milhões agora noticiados não sejam um exagero. Comparemos com a manifestação de excelência noutras áreas e facilmente se compreende que não fazem sentido. Mas o mundo dos negócios é assim. Maia tarde ou mais cedo o desporto vai pagar as favas todas.
    Quanto ao caso que refere do subsídio ao Tiago Monteiro fui repescar o que escrevi sobre o assunto no dia 28 de Julho de 2008 . Sem querer ocupar demasiado espaço, mas já ocupando, aí vai:

    Acho vergonhosa a medida tomada, que não se percebe a propósito seja do que for.
    Diz que é para promover a imagem de Portugal.
    Alôôô… Promove a imagem ficar em último ou penúltimo em qualquer coisa? Só se for para reforçar a imagem de que pertencemos à dita cauda.
    Acresce que é uma actividade (poluente) e muito ligada à indústria, que tem mais do que obrigação de a sustentar (ora bem). Que se saiba também não existe nehuma marca nacional a promover, o que, com critérios alargados, ainda poderia ter algum (remoto) encaixe. Para que o nome de Portugal ande a esvoaçar a 300km à hora por essas pistas, num canto qualquer do bólide, acho discutível a eficácia da promoção.
    Comparando esta verba com a destinada ao desporto para os jovens, nomeadamente ao desporto escolar, a programas de apoio à formação em modalidades (digo eu) “mais desportivas”, ao desporto para a terceira idade e à promoção da prática desportiva em geral, a medida passa de criticável a obscena.
    Comparar este “SOBRESÍDIO” com o apoio dado pelo estado a uma selecção de Judo que tem muitos atletas, representa outros milhares e tem entre si campeões europeus e mundiais é gozar com a nossa capacidade de destrinça das coisas. Que enorme bilhar-grande para ir dar a volta …
    Há medidas que de caras deveriam ser pagas com língua de palmo por quem as toma ou as põe em prática.

    (Parece que o compromisso já vinha do tempo do menino guerreiro, mas este Seca não foi diferente, não teve melhores dias).

    [estarei disponível para alterar esta prosa se os contornos da coisa não forem talqualmente]

    1. “Comparemos com a manifestação de excelência noutras áreas e facilmente se compreende que não fazem sentido.”

      Olhe que não. 🙂
      O passe de Ronaldo é valorizado no mercado futebolístico como um quadro de Picasso é valorizado num leilão da Christie’s. Ou como o rendimento de Will Smith é valorizado no mundo do cinema. Quem atribui sentido ao valor do Ronaldo são os milhões que compram merchandising ou vêem os jogos quer no campo, quer na televisão. E melhor jogador do mundo só há um por ano.

      Quanto ao “SOBRESÍDIO” a Tiago Monteiro também me lembro de o ter comentado na altura. Achei particularmente engraçado que a mesma pessoa, Rui Gomes da Silva, que teve acção directa no apoio estatal a Tiago Monteiro, andasse ao tempo a criticar a RTP por esbanjar dinheiro público num documentário que contava com a participação da Fernanda Câncio. Particularidades do nosso regime.

    2. mdsol,
      Realmente era escusado escrever esse parágrafo sobre o Tiago Monteiro. Quando o comecei a ler, antecipei de imediato o quão ignorante ele é e que não valeria a pena. Mas acabei por ir até ao fim.
      O Tiago Monteiro, no ano passado ganhou 2 corridas: foi em Puebla, que é um circuito situado no México e no Estoril, que é um circuito situado em Portugal.

      1. Eu não sou do contra. Eu sou do Movimento Liberal Social e escrevo regularmente no seu blogue (que Vocês não têm lincado na Vossa coluna – uma desatenção deplorável) a defender as minhas ideias. As ideias que Você defende neste seu post são perfeitamente liberais, o que eu não posso deixar de apreciar. Infelizmente, outros autores deste blogue defendem frequentemente ideias opostas.

        1. Que o Luís é do Movimento Liberal Social sei eu bem, embora desconheça quantos dos meus colegas de blogue o saibam, uma vez que o Luís quando comenta não publicita o blogue que é o do seu movimento. E sei-o bem porque cheguei a comentar algumas vezes por lá, da mesma forma que vocês constam da barra lateral do meu blogue pessoal há alguns anos, embora numa “desatenção deplorável” nunca tenham retribuido o gesto.

  4. Abordado por este prisma concordo, tenho é dúvidas que se venha a revelar um bom investimento, mas isso é um pormenor que apenas diz respeito aos interessados. O que critico é o fenómeno em si mesmo, a paixão que o tema desperta em Portugal como se não tivéssemos nada mais importante para discutir, que um jogador de futebol, chegando ao ridículo de ser notícia em noticiário de televisão, com quem terá passado uma noite em L.A ., não estou a falar daqueles programas cor de rosa, mas do noticiário televisivo.

    1. António,

      “tenho é dúvidas que se venha a revelar um bom investimento, mas isso é um pormenor que apenas diz respeito aos interessados.”

      Também tenho. Tal como tive quando contratou o Figo e o Zidane, mas parece que não foi por causa disso que o Real abriu falência. Pelo contrário, o Real Madrid tem vindo a aumentar ano após ano as suas receitas com a expansão do seu mercado para o oriente. É nisso que apostam com Ronaldo, Kaka e mais algum que, supostamente, ainda virá. Venda de camisolas e aumento das receitas televisivas. Mas no plano desportivo será certamente um investimento muito arriscado tendo em conta o montante envolvido.

      “a paixão que o tema desperta em Portugal como se não tivéssemos nada mais importante para discutir, que um jogador de futebol, chegando ao ridículo de ser notícia em noticiário de televisão, com quem terá passado uma noite em L.A.”

      Sim, há um excesso de Ronaldo nas notícias. Mas julgo que o excesso de notícias com a senhora que passou a noite com Ronaldo ainda é mais preocupante…

  5. Jorge, eu não percebo nada de futebol nem avalio o assunto por comparação com o que acontece noutros desportos. Se é assim essa história do Tiago Monteiro, acho-a igualmente escandalosa, embora por outras razões.
    Chamem-me anti-liberal, mas mantenho a minha crítica: socialmente falando (quero lá saber do mercado) alguma coisa está profundamente errada quando um miúdo ganha 25.000 euros por dia e o exibe desta forma – embora eu o compreenda e o considere o menos culpado nesta história – enquanto a maioria das pessoas luta por sobreviver a uma crise generalizada. Se isto não vos incomoda, a mim incomoda.
    E já não falo em ilegalidades e favorecimentos no futebol, nem sobre a promiscuidade com a política… sobre esses meandros pantanosos estamos conversados, mesmo só com o pouco que se vai sabendo publicamente.

    1. Ana,

      “enquanto a maioria das pessoas luta por sobreviver a uma crise generalizada. Se isto não vos incomoda, a mim incomoda.”

      Se a maioria das pessoas que lutam para sobreviver não gostassem de futebol (e retirassem prazer disso), o Ronaldo não ganhava o valor exorbitante que ganha. De resto, o que me parece estar aqui em discussão são também as receitas do Real Madrid e para quem devem ir essas receitas. Dado que a maior parte dos proveitos são obtidos através dos jogadores, é bom que boa parte dos mesmos sejam distribuidos por esses jogadores. A única culpa que atribuo ao Ronaldo é ser mesmo bom naquilo que faz – tão bom que foi o melhor naquele que será o desporto mais popular do mundo, quer em adeptos, quer em praticantes. E isso tem de ter algum valor.

      1. Isso é verdade, é a alienação das pessoas que produz estas aberrações. Mas essa constatação não as redime, só as explica. Essas mesmas pessoas consomem sete ou oito novelas por dia, e não é pelo facto de o fazerem voluntariamente que vou deixar de considerar isso uma anestesia muito pouco saudável.

        Eu não culpo o Ronaldo, Jorge… de todos nesta cadeia, é o mais inocente (e o mais merecedor). Ele é apenas um miúdo pobre que passou de uma aldeola desconhecida na Madeira para os braços das modelos mais disputadas do mundo inteiro… o comportamento deslumbrado é naturalíssimo.

        1. Mas o que está aqui em causa é o rendimento em si ou é a profissão pela qual Ronaldo obtém o rendimento? Ou seja, é diferente a análise se nos referirmos a um escritor, um pintor, um escultor, um cineasta, um tenor lírico? Se assim for, confesso que não concordo nada com essa diabolização e menorização do futebol (ou de outro qualquer desporto de massas).

          1. Para mim não é diferente, o que está em causa é o rendimento em si. Acontece que, salvo raríssimas excepções (e nenhuma em Portugal) só o futebol proporciona rendimentos deste nível.

  6. Jorge Assunção,
    O valor que o Estado atribuiu ao Tiago Monteiro, não era a troco de nada. Tanto o fato de competição como o carro teriam os logotipos do Turismo de Portugal a par de outras actividades paralelas de promoção desse patrocinador principal, enfim o nosso país. Se já viu eventos desportivos internacionais disputados no nosso país, ao vivo ou na televisão (extra-futebol) certamente reparou que em muitos deles o Turismo de Portugal tem por lá cartazes, panfletos, etc. Todos os eventos internacionais têm no fundo de ser garantidos por patrocínios e aqueles que têm uma ampla cobertura televisiva são os mais facilmente apoiados pelo Turismo de Portugal. É uma forma de se publicitar o nosso país ou até, nalguns casos uma região, como sucede com o Turismo Estoril. O Tiago Monteiro não conseguiu manter-se na F1 em 2007, tendo transitado para o WTCC. O carro dele, o SEAT, tinha patrocinadores diferentes dos colegas. Isso mesmo, o Turismo de Portugal. Depois, ainda durante esse ano, o carro passou a ter os mesmos patrociníos dos colegas, onde o principal é a Repsol. Na altura achei estranho, depois mais tarde quando esta estória veio a público, fiquei esclarecido. Em todo o caso, algum valor mediático ele proporcionou através das imagens nos circuitos e TV. Pelo que li, ele vai devolver o valor de patrocínio, não sei se total ou não, mas o valor que respeita às corridas onde ele ostentou os logotipos do Turismo de Portugal não deve ser devolvido, quanto a mim.
    Fala ainda em subsídios a atletas medíocres de modalidades de elite. Não sabe do que fala e portanto talvez fosse melhor só falar daquilo que se sabe. Não é vergonha não saber sobre um determinado assunto. Aqui em Portugal, o país que só pensa em futebol, quando se trata de Jogos Olímpicos, é necessário atribuir bolsas aos atletas (os melhores) pois o grosso da publicidade está no futebol. Se fossemos um país que não respirasse apenas futebol, e os outros desportos tivessem mais exposição mediática, os patrocínios apareciam e provavelmente já não seria precisos os tais subsídios estatais. Para se fabricarem atletas de nível internacional são necessários algumas condições:
    -escolas/academias para formar crianças para a prática de um determinado desporto. Cá em Portugal só estamos bem apetrechados em futebol. Note que eu escrevi formar crianças. Sim, porque para se fabricar atletas de nível internacional é formando crianças, não corrigindo adolescentes. E para se fabricar muitos é preciso formar ainda mais. Claro que os resultados demoram uma década, pelo menos a aparecer. É preciso ser paciente. Veja o que aconteceu em Espanha no ténis. Foram criadas imensas escolas no final dos anos 70/inícios de 80. E os primeiros atletas de grande nível apareceram no final da década de 80. Mas há mais condições:
    -equipamentos para a prática desportiva acessíveis a todos, como existem no Jamor. Pois nem todos têm dinheiro para pagar escolas.
    -desporto escolar a funcionar como deve ser
    -desporto universitário a funcionar como deve ser. Existem em Portugal competições de desporto escolar e universitário, sabe disso? Seja qual for a resposta, garanto-lhe que a esmagadora maioria da população desconhece que essas competições existem. Isto para lhe levar a outra condição:
    -mediatização dos desportos. Num país onde os telejornais dão treinos de futebol, todas as “bocas” de treinadores, dirigentes e árbitros, as proezas sexuais do Ronaldo, não sobra espaço para os outros desportos e atletas. A RTP tem um provedor do telespectador que já abordou este assunto por diversas vezes, dando recomendações para os telejornais em termos de desporto não serem só futebol. De início, eles até cumprem, mas com o passar do tempo e discretamente, vão alargando o espaço do futebol até se chegar ao mesmo. Ou seja, andam a gozar com o provedor. Em breve, vai haver novo programa para se falar deste problema do futebol mais a cobertura da vida íntima do Ronaldo. Alguns eventos internacionais até têm resumos na RTP, como o recente Rally Transibérico. 10 minutos de resumo, a 3ª etapa passou às 3h25 da manhã! Os 3 “jornais desportivos” têm 90% de futebol.
    -Os nosso atletas para se confrontarem com os melhores têm de ir lá para fora e quem paga isso? No início da carreira são os pais.

    1. Caro Miguel,

      bem sei que nada sei sobre o que falo, mas o subsidio em causa foi atribuído pelo “Instituto do Desporto de Portugal (IDP)” de forma ilegal e não consta que tenha tido qualquer retorno. A tal ponto que os próprios governantes admitem isso.

      “Isso mesmo, o Turismo de Portugal. Depois, ainda durante esse ano, o carro passou a ter os mesmos patrociníos dos colegas, onde o principal é a Repsol. Na altura achei estranho, depois mais tarde quando esta estória veio a público, fiquei esclarecido.”

      A história do Turismo de Portugal é outra: recebeu 1 milhão de euros do turismo de Portugal para participar na fórmula 1 (depois acabou por não assegurar presença na competição). Dado isso chegou a acordo para devolver o dinheiro. Mas não é a essa história que me refiro. O primeiro subsidio, de dois milhões de euros, foi atribuido directamente pelo IDP sem qualquer retorno.

      “Não sabe do que fala e portanto talvez fosse melhor só falar daquilo que se sabe.”

      Admito que sim, que não saiba. Mas tal tese carece de demonstração.

      “Fala ainda em subsídios a atletas medíocres de modalidades de elite.”

      Acho que não percebeu que eu estava a falar de Tiago Monteiro e da fórmula 1, porque generaliza para todos os desportos e todos os desportistas. Mesmo sobre esses discordo de muito do que diz, mas não tenho tempo para debater ponto por ponto tudo o que diz.

      Digo contudo que ao Miguel parece não agradar que o povo goste tanto de futebol. Também não gosto: adoro ténis (cada vez mais), gosto de golfe (elitista eu), gosto de fórmula 1 (já gostei mais), gosto de ciclismo (cada vez menos), gosto de basquetebol (americano, certamente), gosto de hóquei em patins (muito, mesmo muito). E tenho muita pena que não possa ter um diário desportivo português que aborde todos estes desportos como acho que merecem. Mas, olhe, é a vida. Não vou é exigir ao contribuinte português que suporte os meus gostos e o seu dinheiro seja canalizado de forma a favorecer as minhas preferências.

      De resto: é em boa parte o futebol que permite que o basquetebol, o andebol, o hóquei em patins e mesmo o atletismo tenha alguma expressão em Portugal. Uma vez que clubes como o Sporting, o Benfica e o Porto apoiam essas mesmas modalidades.

      E a dimensão e riqueza do país tem influência na capacidade de promover desportistas de topo, tal como, por exemplo, por muito que gostemos de futebol teremos sempre dificuldade de rivalizar com países como a Itália, Espanha, Alemanha e Inglaterra. Teimar que o Estado deve compensar isso com subsídios é deixar-nos ainda mais pobres e com outros problemas mais graves a resolver. Se quiser, no desporto coloca-se o mesmo problema que coloca-se ao cinema.

      Cumprimentos.

  7. Jorge Assunção,
    Vou concluir neste comentário pois no anterior já não dava. Dizia eu que no início da carreira pagam os pais. Claro, os patrocinadores só avançam com resultados e para se obter resultados é preciso competir, mas para competir é preciso dinheiro. Outra condição tem um pouco a ver com o que escrevo:
    -eventos internacionais no nosso país. Estes até têm outra função, promover o país ou uma dada região turística através das transmissões televisivas e outros meios. Mas o normal é num dado desporto, termos um evento no nosso país. Por exemplo no Golfe até temos 3 no circuito europeu masculino mas no Ténis temos o Estoril Open. Somos um país pequeno e portanto não se pode esperar mais até porque temos outras prioridades do que pretender formar campeões. Sabe quantos torneios do nível do Estoril Open ou superior organiza a Espanha?
    No fundo o principal problema disto tudo é a mediatização que o futebol tem em excesso e os outros desportos não têm. Ainda por cima o futebol falado porque o futebol jogado tem menor destaque. Veja a quantidade de programas de futebol falado que existem. Todos os canais nacionai têm e vários. Finalmente, a última condição:
    -o interesse das pessoas. A maior parte só que saber de futebol e das suas intrigas e polémicas e tudo o que esteja relacionado com os 3 grandes clubes. Dos outros desportos não querem saber. Mas quando chegam os Jogos Olímpicos, estão na fila da frente para exigir medalhas e no fim continuam na primeira fila para cobrar os maus resultados e até gozar com os atletas. Mas até os jornalistas do futebol são assim. Portanto quando fala em atletas medíocres eu discordo e digo que existem, sim, “adeptos” medíocres. Ninguém é obrigado a gostar do desporto para lá do futebol e quanto a si também não é obrigado a dar um contributo positivo para que esta situação caminhe num sentido próprio de um país desenvolvido. Até podia, uma vez que tem este blog. Mas não é obrigado, naturalmente. Mas ao menos também não dê um contributo negativo. É simples, basta falar ou escrever apenas com conhecimentos válidos. Se não souber sobre determinado assunto, simplesmente não escreva.

  8. O Tiago Monteiro ficou em 12º. Mas o retorno mediático de duas vitórias é superior ao de algum piloto que some mais pontos mas não vença qualquer corrida. E se um piloto fizer mais pontos mas nunca subir ao pódium então ainda pior.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *