Para José Sócrates, é «uma grande notícia» que os irlandeses tenham maioritariamente dito ‘sim’ ao tratado pró-constitucional europeu, o chamado Tratado de Lisboa, nesta insistência do segundo referendo lançado por Dublin para o efeito. Sócrates declarou sem pestanejar que foi uma resposta «clara e livre». Se pestanejou, foi por se lembrar de que nos prometera também um referendo sobre o tratado e faltou à promessa. Os portugueses não puderam igualmente pronunciar-se de forma "clara e livre", por ele ter sonegado a oportunidade. Se pestanejou, foi por isso. Mas acho que não pestanejou: faltar a promessas tornou-se corriqueiro com o tempo.
Sócrates já nem pestaneja
jmmcc,

Pestanejar revela vergonha na cara.
Impossível, no caso.
Tudo indica que sim.
Se não nos tivesse sido sonegada a oportunidade talvez, como alternativa, nos virássemos, exclusivamente, para a África subsariana, Cabo Verde e Arquipélago dos Bijagós…
Referendar os tratados europeus e aproveitá-los para discutirmos a Europa a que pertencemos, para si, é o mesmo que divergir e ir pescar alternativas africanas? Acho extraordinário e tenho a certeza, pelo que já tenho lido do que escreve, de que este aparente radicalismo foi só um desabafo apressado e ligeiro. Certo? Ou discutir o traçado de uma avenida é igual a sair do quarteirão e enveredar pelo beco que fica ali mais adiante?
João Carvalho: nós estávamos na avenida desde 1986. Entretanto, fizeram-se obras …
Tal como o J. Sá Fernandes devíamos propugnar pelo embargo da obra como no túnel do Marquês?
Qual era o efeito útil? Mais outra derrapagem?
(é óbvio que nada me move contra o referendo de tratados, mas também tem que chamar à colação mais partidos políticos e outros órgãos de soberania).
Desculpe lá, a rpimeira parte, metafórica ou não, não serve para pugnar (pugnar) pelo tema do tratado.
Quanto à parte final – entre parêntesis incompreensivelmente, porque do tema se trata – posso realmente proceder a um monte de chamadas. Mas, se não se importa, desta vez preferi chamar só um. Foi o que fiz: chamei aquele que me prometeu fazer um referendo ao tratado (que, para mim, era uma bela ocasião para aprofundar entre nós a realidade europeia) e que me enganou ao dar o dito por não-dito.
Compreendo o seu ponto de vista e está no direito de chamar quem o enganou.
Em minha opinião, e COM A COMPLACÊNCIA DE OUTROS ÓRGÃOS DE SOBERANIA, quis-se tão somente aligeirar o processo, ainda que se tenha dado o dito por não dito e reconheço que não foi explicada convenientemente esta alteração. Mais. Dou de barato que até teria sido fácil explicar a mudança operada…
Sou eu o autor do comentário.
james
Eu percebi, James.
Não, não compreendeu o meu ponto de vista. Por defeito meu, naturalmente. É que eu estou menos interessado na explicação da mudança operada (que até conheço) e muito mais interessado em ver discutida a Europa entre nós, que continua por discutir e continua lá longe.
Sim, há outras instituições do Estado e partidos que também não promovem o tema e deviam fazê-lo. E NÃO ME GRITE!
Costumo falar em tom de voz baixo. Não tenho é recursos para escrever em itálico. Daí a peixeirada . 🙂
Também me sinto periférico, mas não penso que um debate alargado, ainda para mais em contexto referendário, sobre o nosso papel na Europa viesse alterar a situação.
Lamentavelmente, incluindo eu próprio, é assim que penso.
Eu também não uso itálicos nas caixas de comentários. A importância das palavras escritas está no próprio texto.
Não me lembro do Sócrates ter prometido referendar o Tratado de Lisboa. Quando é que ele fez essa promessa?
Fê-la quando ainda se chamava «uma espécie de Constituição europeia». E não irei discutir a designação, que já está por demais dissecada com base no âmbito e alterações do conteúdo.
Pela minha parte, face ao saco sem fundo de promessas feitas e não cumpridas, o referendo ao tratado foi apenas mais uma. Não se cumpriu por causa do âmbito e alterações do conteúdo? Pois. Por estas e por outras é que Portugal nunca discutiu a Europa. É pena.
O certo é que nos sentimos longe e afastados dos europeus escusadamente. E assim nos vamos arrastando penosa e perifericamente, levados por uns quantos seres ditos pensantes que só detêm o poder efémero das democracias, protagonistas de uma curva descendente de qualidade que os exclui de qualquer elite pensadora e cuja preparação política, com honrosas e ínfimas excepções, é aquilo que se vê no dia-a-dia.
Rebobinando a “cassete” …
Na altura falava-se que a decisão de Sócrates também teria passado por pressões internacionais em particular do chanceler alemã Angela Merkel , de Sarkosy e de Gordon Brown – Paulo portas, no Parlamento, acusava Sócrates de ter preferido
“Compromissos com outros primeiros-ministros” do que com o seu próprio país e acrescentava: “Preferiu uma atitude de receio, não fazer o referendo, a uma promessa de coragem, que é fazer o referendo” – Sócrates respondia: “O meu compromisso é com a Europa porque o interesse vital de Portugal é com o projecto europeu” – reiterando que o compromisso eleitoral do PS era relativo ao “Tratado Constitucional” e não ao “Tratado de Lisboa” – Aqui está – “o interesse vital de Portugal” – a grande necessidade de (todos nós e não só o Moreira), os interessados serem esclarecidos sobre o “projecto”.
(O Presidente Cavaco Silva também teria dito que era contra os referendos internacionais e que a UE pagaria um “preço elevadíssimo” se o tratado fracassasse).
Tudo isto leva-me a concluir que o nosso “Primeiro” e, quiça , o nosso Presidente estavam a ser vítimas duma “asfixia democrática” no sentido de-fora-para-dentro ”:))
Em suma: Sócrates não cumpriu o compromisso assumido perante os portugueses.
De resto, não serei eu a dizer que o tratado não é essencial. Mantenho dúvidas porque queria a Europa por uma vez e finalmente discutida em Portugal. Para bem de todos nós, periféricos e desconhecedores de tanta matéria comunitária.
E o João acha que onde houve referendos se discutiu a Europa? Eu acompanhei de perto o referendo francês e o Não foi ditado pelo medo do électricien polonais, esgrimido a torto e a direito.
Aliás basta ver as nossas campanhas para o PE, onde tudo se discute menos a Europa, para percebermos que não sairíamos mais esclarecidos dum debate entre os apoiantes do Sim e os do Não. Votaríamos por feeling ou por medo.
Dito isto, eu li a tal “espécie de Constituição europeia” (dou-lhe um doce, se adivinhar quem a ofereceu) e, se tivesse havido referendo, votaria Sim.
Maloud, não estou certo de que o referendo fosse uma via para discutir a Europa, mas Portugal não é igual à França ou a um país central europeu, por um lado, e todos os pretextos podem ser pelo menos razoáveis, por outro. E um referendo não é necessariamente como as eleições europeias.
Enfim, talvez tenha razão, mas nunca entenderei a recusa, menos ainda após a promessa. Provavelmente, também eu votaria ‘sim’, mais por convicção do que por certezas (mas não adivinho quem possa ter feito tal oferta).
Eu dou uns indícios: portuense à época deputado europeu e defensor do não. Quem é amiga, quem é? :)))
JPP??? Tenho até engulhos… tric… de escrever… tric… o nome…
Tric, tric! :)))
Sempre achei bizarra esta nova votação quando a primeira não deu os resultados ‘convenientes’.
– Como?, votaram não?, deve haver aqui algum equívoco… Ora vamos lá a votar de novo, para ver se agora dão a resposta certa.
Tenho a impressão de que o chefe pestanejaria – e muito – se alguém se lembrasse que o resultado das legislativas não tinha sido o esperado e se procedesse a nova votação… Por certo, não iria desta vez declarar que seria uma resposta «clara e livre»…
É. Acho que os irlandeses não se tinham expressado de forma «clara e livre» no ano passado. Pelos vistos, a crise teve mais esta vantagem para alguns.
Pois, é isso!… Por cá não é necessário proceder a nova votação porque o resultado só mudaria se estivéssemos em crise. Como por estas bandas, felizmente, não se sabe o que isso seja, não há necessidade de um novo ‘referendo legislativo’…, que é como quem diz, uma nova resposta ‘clara e livre’…
Seria ‘clareza e liberdade’ a mais, está visto.
Temos, pois, a confirmação de que há sempre quem fique a ganhar com as crises.
Quanto a fazer-se por cá um novo referendo, como dizes, é tão impossível quanto fazer sair Nunes Correia do governo: para sair é preciso estar dentro.
Pior do que isso; corriqueiro e aceitável pela generalidade das pessoas.