No circo da política nacional não faltam anões, malabaristas, palhaços e equilibristas. Sócrates, o grande proscrito, encontrou finalmente o seu lugar. Quando tudo levaria a crer que ficasse prisioneiro do seu passado recente, permanentemente suspeito, conseguiu encontrar a brecha que lhe permite voltar ao palco. Cabe-lhe agora, embora (só) ele não o saiba, o papel de mulher barbuda. Semana atrás de semana é exposto à audiência na RTP, assim se resgatando a um destino de marginalização. Vai despertando alguma curiosidade, mas o certo é que só provoca verdadeiro entusiasmo na populaça quando lhe atiram pedras, como aconteceu há dias com José Rodrigues dos Santos. Ontem, em contrapartida, o sabor pícaro da coisa esteve no facto de a mulher barbuda ter respondido, arremessando com inegável pontaria um ou outro seixo. Mas, num caso ou noutro, a exposição pública semanal nada diz sobre a viabilidade de um regresso à política, votado em qualquer circunstância a um inexorável fracasso. Neste decadente espectáculo, Sócrates é exibido apenas e só na sua qualidade de aberração.
Sócrates, a mulher barbuda da política portuguesa
Rui Rocha,

Na verdade, ele é uma aberração sem qualidade.
Só vi enquanto tive pachorra (e só porque havia os antecendentes com JRS) e bastou-me que o sujeito, que garante sempre peremptoriamente que o défice era de 6.83 % do PIB quando chegou ao governo, começasse a declarar que aquilo dos 300M€ em caixa era uma estimativa. Zapping imediato.
Pelo que hoje li, largou: “Eu compreendo o seu ponto de vista. Você acha que se deve comportar no sentido de colocar-se no papel de advogado do diabo… estou a citá-lo bem?”, e acrescentou: “Até o advogado do diabo pode ser inteligente e pode perceber que não basta papaguearmos tudo o que nos dizem para fazer numa entrevista”, o que é de uma má-criação e de um topete de verdadeira aberração política, ou melhor, de aberração tout court.
Não deixa de ser bem sucedido um comentador que consegue ser comentado nas redes sociais todas as semanas.
Comentado todas as semanas? Em que planeta vive?
Não ligue, o jo não é de cá – parou no tempo e por lá ficou.
Conte quantos posts este blog dedicou ao José Sócrates desde que ele é comentador.
Pense que na situação de quem está a tentar voltar à política não existe má publicidade.
Veja quem está a capitalizar com o assunto.
Penso que Sócrates foi um mau primeiro ministro, houve pior (pelo menos não fugiu, como Cavaco, Guterres e Barroso, e apresentou-se a eleições).
O que gostava de saber o que é que tem o homem para criar tais fúrias.
Desconfio que é um caso de “quem desdenha quer comprar”.
Jo, faça um esforçozinho para ser justo. Nem o Cavaco, nem o Guterres fugiram. O Cavaco não se candidatou e o Guterres entendeu que já não tinha condições para governar. Ambos tomaram decisões de louvar.
Quem fugiu foi o Barroso. Esse sim, deu aso a comentários como os seus.
Tiro ao Alvo, faça um esforçozinho para ter memória. Cavaco demitiu-se a seguir aos incidentes na ponte quando viu que tinha as eleições seguintes perdidas. Deixou lá o Fernando Nogueira para apanhar os cacos.
Guterres fez uma coisa muito semelhante.
Isto de por a estratégia política pessoal acima do país para o chefe do governo é feio.
O que me está a dizer é que o Cavaco não quis ir a eleições, quer para o governo, quer para a presidência do partido. Coisa parecida aconteceu com o Guterres. Quem o autoriza a dizer que fugiram? Os políticos não podem renunciar?
Podem, quando as coisas são difíceis e têm de prestar contas ao país e ao partido.
Chama-se fugir às responsabilidades.
Acha o jo que é justo acusar o António Victorino de fugir às suas responsabilidades quando se recusou a candidatar à presidência do PS? Acha que Cavaco Silva tinha a “responsabilidade” de se manter no governo do País e no governo do PSD, até ter que sair pela porta pequenas? Se acha acha mal.
Jo: (jo-jo r?) é tão fácil não escrever asneiras, basta ir ao google e pôr XII governo constitucional. Diz lá assim: 1º ministro, Anibal Cavaco Silva, entre 31/10/1991 e 28/10/1995. O Fernando Nogueira que era o nº 2 deste governo nunca foi 1º ministro deste país. Foi candidato em 1995 e perdeu para o Guterres.
Não lhe aconselho um esforçozinho de memória, porque você nem sabe de que é que está a falar.
Então si o que interessa é tribalismo. Salazar então deve ter sido um herói não fugiu.
Duplicar a dívida para si não tem significado.
Já Durão Barroso é pior, não ficou cá a duplicá-la.
Em termos de mais danos ao país, só a destruição económica dos Governos logo a seguir ao 25 de Abril se compraram a Sócrates.
Salazar não era um herói. Mas também não tinha todos os defeitos do mundo.
De acordo com essa lógica:
Salazar era um ditador.
Salazar não fugiu.
Quem foge não fez nada de mal.
Se em vez de “fugir” puser “abusou de crianças” ou “roubou a caixa das esmolas” o silogismo mantém-se – dá para tudo.
Eu disse que Sócrates foi um mau primeiro ministro, já a palma do pior primeiro ministro está muito concorrida. Passos já lhe roubou o óscar do maior faltador à verdade, Salazar roubou o de autocrata, a política industrial do nosso presidente que quer que voltemos à agricultura e ao mar levou-lhe o óscar da amnésia conveniente. É uma luta difícil e neste momento Sócrates está a marcar na propaganda.
A alegada mulher barbuda lida por Eduardo Lourenço: http://daliteratura.blogspot.pt/2014/04/e duardo-lourenco-le-socrates.html
o cúmulo da aberração: no circo da rtp, qualquer mulher barbuda é mais popular que o josé “houdini” dos santos… ontent_id=982845&especial=Caso%20Jos%E9%20Rodrigues%20dos%2 0Santos&seccao=TV%20e%20MEDIA
http://www.dn.pt/especiais/interior.aspx?c