Socorro, tantas festas!


Ana Lima,

 

Estamos no mês, por excelência, das festas de Lisboa. Misto de sagrado e profano, todos os anos estas festas enchem ruas, praças, becos, sobretudo no que se convencionou chamar bairros populares que, nesta altura, se tornam locais de “romaria”.

No entanto há muito que estas festas se tornaram num pretexto para encher toda a cidade de actividades culturais que, sem querer parecer bota-de-elástico, não são só uma forma de romper com o ritmo normal do quotidiano, mas tornam-se numa parafernália de acontecimentos que,  para os nossos olhos, ouvidos e até para a forma como nos deslocamos no espaço, constituem constrangimentos e ruído a mais no dia a dia de quem frequenta a cidade. Assim, para além dos concertos, exposições  e arraiais populares temos, este ano, a roda gigante, provas de atletismo, arraial latino americano, arraial pride, festas do fado, regatas, cinema ao ar livre, fado nos eléctricos, jazz nas praças, performances musicais nas ruas, micro bailes, festivais de bandas, teatro nos comboios, e os “quase já outra vez tradicionais” casamentos. Isto tudo misturado com os fogareiros das sardinhas a assar e os grupos de turistas precedidos por um guia com uma flor espetada numa qualquer haste fazem-nos querer passar rapidamente esta época tão, tão festiva.

E agora, que já desabafei, vou-me preparar para ir até lá que este fim de semana as festas estão ao rubro!

9 comentários em “Socorro, tantas festas!”

  1. Estamos no mês das festas dos grandes centros urbanos. Santo António, São João e São Pedro. Longe de ser um exclusivo de Lisboa. O Portugal rural, das aldeias e lugares, esse entra em festa durante o mês de Agosto…

  2. Um mês de festas na cidade, goste-se ou não se goste, não será propriamente um mal. Localizadas no tempo, quebram a rotina. Mas quando nos querem dar animação de rua a toda a hora durante o ano inteiro, aí sim, SOCORRO. Já não se aguenta. Baixa, Chiado e Largo Camões são as zonas mais castigadas (por azar são a geografia do meu quotidiano). Uma feira permanente. Podem animar os que estão de passagem, sejam turistas estrangeiros ou nacionais, mas esquecem-se que ainda vai havendo habitantes nesta cidade que têm direito às ruas e ao seu “silêncio” natural. Pelo direito a estar sentado numa esplanada, ou simplesmente percorrer uma rua, ao som dos passos e das conversas. O espaço público, ao ser de todos, não pode estar permanentemente em festa. É para isso que existem locais próprios para quem gosta de animação permanente. Para os demais bastam os períodos específicos do ano dedicados a festividades. Só se pode apreciar o que não se tem em excesso.

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