Tenho andado pela Rua Direita a explicar, com um conjunto de pessoas, porque vou votar CDS nas próximas eleições. Tarefa que me tem deixado com pouco tempo para outras andanças e outros comentários.
Mas esta recente proposta de José Sócrates dar 200 euros por cada rebento (em boa hora destacada pela Leonor e pelo Pedro), para além de merecer a nossa gargalhada, merece uma série de outros comentários.
A proposta do PS não é apenas disparatada nem eleitoralista, que também o é. É uma medida puramente socialista, de quem acha que pode resolver os problemas da natalidade com subsídios e incentivos directos e discriminações positivas. Como sempre, ficam por resolver todas as outras barreiras que, desde a lei do arrendamento à rigidez laboral passando pelo regime fiscal, impedem as famílias de, querendo, terem mais filhos. E assim se deitam uns bons milhões de euros ao lixo. É isto o socialismo.
De facto, e repito o que já escrevi, há duas alternativas nesta matéria. De um lado, as medidas de apoio directo à natalidade como veículo privilegiado de acção, que é o lado socialista. De outro, eliminação de todas as discriminações negativas que afectam a família e que a impedem de, em liberdade, escolher ter um filho ou não, que é o meu lado.
É por isso que a medida socialista é má, para além de eleitoralista. O problema não é o montante ser pequeno. É a política estar errada, como aliás se comprova por um qualquer estudo comparativo de políticas de natalidade.

Adolfo ao poder, já!!
(ups, há aqui qualquer coisa que não soa bem…)
Ao poder e em força para Israel! 🙂
Creio ser de toda a justiça reconhecer que Lobo Xavier (ontem à noite, no sítio do costume), sobre estes assuntos e como tantas outras vezes, foi de uma lucidez esmagadora.
Não tenho (nunca tive) qualquer pejo em afirmar que nem sequer é preciso estar de acordo com a matriz ideológica que o orienta para concluir que lhe sobra em lucidez o que sobeja em miopia neste nosso mundinho.
Também o ouvi ontem e subscrevo. É pena que ele (e outros como ele) não queira envolver-se mais na política activa. Precisamos muito de cabeças lúcidas.
Subscrevo.
E que posso eu, mulher de esquerda, argumentar contra isto? Às vezes ligo os piscas e encosto à direita. Porque a razão, mesmo em política, nunca está só de um lado (e com esta arrisco-me a ser crucificada à direita e à esquerda…)
Crucificada? É apenas mais uma tirada lúcida, isso sim.
Não vejo porquê, Teresa. Essa flexibilidade só demonstra inteligência.
Olha lá, Adolfo: lá na Rua Direita ainda não aprenderam a fazer linques para os blogues?
Boas férias. Abraço