Socialismo natal


Adolfo Mesquita Nunes,

Tenho andado pela Rua Direita a explicar, com um conjunto de pessoas, porque vou votar CDS nas próximas eleições. Tarefa que me tem deixado com pouco tempo para outras andanças e outros comentários. 

Mas esta recente proposta de José Sócrates dar 200 euros por cada rebento (em boa hora destacada pela Leonor e pelo Pedro), para além de merecer a nossa gargalhada, merece uma série de outros comentários.

A proposta do PS não é apenas disparatada nem eleitoralista, que também o é. É uma medida puramente socialista, de quem acha que pode resolver os problemas da natalidade com subsídios e incentivos directos e discriminações positivas. Como sempre, ficam por resolver todas as outras barreiras que, desde a lei do arrendamento à rigidez laboral passando pelo regime fiscal, impedem as famílias de, querendo, terem mais filhos. E assim se deitam uns bons milhões de euros ao lixo. É isto o socialismo.

De facto, e repito o que já escrevi, há duas alternativas nesta matéria. De um lado, as medidas de apoio directo à natalidade como veículo privilegiado de acção, que é o lado socialista. De outro, eliminação de todas as discriminações negativas que afectam a família e que a impedem de, em liberdade, escolher ter um filho ou não, que é o meu lado.

É por isso que a medida socialista é má, para além de eleitoralista. O problema não é o montante ser pequeno. É a política estar errada, como aliás se comprova por um qualquer estudo comparativo de políticas de natalidade.

9 comentários em “Socialismo natal”

  1. Creio ser de toda a justiça reconhecer que Lobo Xavier (ontem à noite, no sítio do costume), sobre estes assuntos e como tantas outras vezes, foi de uma lucidez esmagadora.
    Não tenho (nunca tive) qualquer pejo em afirmar que nem sequer é preciso estar de acordo com a matriz ideológica que o orienta para concluir que lhe sobra em lucidez o que sobeja em miopia neste nosso mundinho.

    1. Também o ouvi ontem e subscrevo. É pena que ele (e outros como ele) não queira envolver-se mais na política activa. Precisamos muito de cabeças lúcidas.

  2. E que posso eu, mulher de esquerda, argumentar contra isto? Às vezes ligo os piscas e encosto à direita. Porque a razão, mesmo em política, nunca está só de um lado (e com esta arrisco-me a ser crucificada à direita e à esquerda…)

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