Sobreviventes (8)


Pedro Correia,

 

EVA MARIE SAINT

 

Era uma daquelas louras “frígidas” que Hitchcock tanto gostava de evocar e de enaltecer como exemplo supremo de diva do cinema. E foi precisamente com o mestre britânico que fez um dos seus melhores filmes: Intriga Internacional (1959), ao lado de Cary Grant – película que acaba, sugestivamente, com um longo beijo enquanto o comboio em que viajam entra num túnel a alta velocidade…

Mas o filme dela que mais me tocou foi Há Lodo no Cais (1954), de Elia Kazan. Aqui não é vamp, longe disso: é uma mulher frágil, quase etérea, de olhar triste e magoado, pertencente à classe trabalhadora. Anda ali, pelos tristes terraços de Hoboken, em busca de um sentido para a vida. Que parece encontrar, sabe-se lá porquê, ao tropeçar em Marlon Brando.

(Raros Óscares foram tão merecidos como o que ela ganhou neste filme.)

Eva, a primeira mulher. Símbolo de todas as mulheres no cais de Kazan – um dos melhores desempenhos femininos da história do cinema. Daqueles que jamais passam de moda. E até eu, que prefiro morenas, dei por mim a gostar de louras.

 

Nasceu a 4 de Julho de 1924 (tem 85 anos).

8 comentários em “Sobreviventes (8)”

  1. Uma “sobrevivente” a quem também não sou indiferente, aliás, gosto sempre de a recordar e, sobretudo, nesses dois belíssimos filmes referidos….Concondo consigo, Pedro, quando ao desempenho de Eva no – “Há Lodo no Cais” – muito bonita a sua “imagem”, Pedro -” Eva, a primeira mulher. Símbolo de todas as mulheres no cais de Kazan ” – tocou-me…

    1. Fala-se muito do desempenho de Brando nesse filme – e com toda a justiça. Mas é injusto que não seja também mencionada com frequência a excelente actuação de Eva Marie Saint. Sem ela, “Há Lodo no Cais” não seria o grande filme que é.

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