EVA MARIE SAINT
Era uma daquelas louras “frígidas” que Hitchcock tanto gostava de evocar e de enaltecer como exemplo supremo de diva do cinema. E foi precisamente com o mestre britânico que fez um dos seus melhores filmes: Intriga Internacional (1959), ao lado de Cary Grant – película que acaba, sugestivamente, com um longo beijo enquanto o comboio em que viajam entra num túnel a alta velocidade…
Mas o filme dela que mais me tocou foi Há Lodo no Cais (1954), de Elia Kazan. Aqui não é vamp, longe disso: é uma mulher frágil, quase etérea, de olhar triste e magoado, pertencente à classe trabalhadora. Anda ali, pelos tristes terraços de Hoboken, em busca de um sentido para a vida. Que parece encontrar, sabe-se lá porquê, ao tropeçar em Marlon Brando.
(Raros Óscares foram tão merecidos como o que ela ganhou neste filme.)
Eva, a primeira mulher. Símbolo de todas as mulheres no cais de Kazan – um dos melhores desempenhos femininos da história do cinema. Daqueles que jamais passam de moda. E até eu, que prefiro morenas, dei por mim a gostar de louras.
Nasceu a 4 de Julho de 1924 (tem 85 anos).


Pois claro, ó Pedro: se pertencia à classe trabalhadora, como não andaria a moça com um olhar triste e magoado?
Pois. Ainda por cima consta-me que a moça não tinha as quotas da CGTP em dia. Um azar nunca vem só.
Excelente. “Há Lodo no Cais” e “Intriga Internacional” são dois filmes que nunca recuso rever.
Obras-primas, cada qual no seu género. Também as revejo sempre que posso.
Uma “sobrevivente” a quem também não sou indiferente, aliás, gosto sempre de a recordar e, sobretudo, nesses dois belíssimos filmes referidos….Concondo consigo, Pedro, quando ao desempenho de Eva no – “Há Lodo no Cais” – muito bonita a sua “imagem”, Pedro -” Eva, a primeira mulher. Símbolo de todas as mulheres no cais de Kazan ” – tocou-me…
Fala-se muito do desempenho de Brando nesse filme – e com toda a justiça. Mas é injusto que não seja também mencionada com frequência a excelente actuação de Eva Marie Saint. Sem ela, “Há Lodo no Cais” não seria o grande filme que é.
Lembrada por Lloyd Cole numa das suas baladas (“She looks like Eva Marie Saint”).
É verdade, Pedro. Bem a propósito, esta evocação.