Sobre Rosado Fernandes


Bandeira,

Na hora da sua morte, Rosado Fernandes vem sendo referido sobretudo como “fundador da CAP”. É certo que o foi e que cada época tem as suas prioridades. Também o epitáfio no túmulo de Ésquilo gloriava o grande dramaturgo apenas enquanto ex-combatente em Maratona. E no entanto, sei que ninguém levará a mal se eu evocar aqui Rosado Fernandes, o classicista, porque é enquanto tal que a muitos de nós vai fazer falta.

21 comentários em “Sobre Rosado Fernandes”

  1. Lamento saber do falecimento de Rosado Fernandes. Não lhe conhecia a faceta classicista, mas a CAP que ele fundou foi a entidade que se interpôs, corajosamente e com grandes riscos físicos, ao PCP e à roubalheira descarada que foi a “reforma agrária”. Só por isso merece lugar de honra na memória dos verdadeiros democratas.

    1. “Só por isso merece lugar de honra na memória dos verdadeiros democratas.” Ou o contrário, depende do ponto de vista. Como sabe bem, existem muitos cidadãos que na classificação do Snr António serão falsos democratas. Daí a polémica.

          1. A faceta das barricadas é a que vem sendo mais citada. Eu apenas quis lembrar que Rosado, como os romanos, também tinha a faceta das pontes.

  2. Li André de Resende através de Rosado Fernandes!! Plínio, no campo português, entre serras, por Rosado Fernandes. E muito e mais.
    Obrigado Prof. Rosado Fernandes!!

      1. Vinha agradecer o post eminentemente civilizado, e levo esta nota sobre um dos meus livros favoritos de oferta 😉

        Obrigado duas vezes.

  3. “Não sou um anticomunista primário. Sou um anticomunista universitário”

    https://www.wook.pt/livro/memorias-de-um-rustico-erudito-raul-miguel-rosado-fernandes/187249

    Rouba-se tanto, em Portugal, e fala-se tão pouco de casos reais de vigarice e roubalheira quando o roubo é perpetrado por quem tem gorda influência!
    Neste livro, contra a corrente dominante, o autor faz isso mesmo: conta um episódio verídico, vivido por um seu amigo, o Parvo, que, preso numa traiçoeira rede tecida por burlões de alta estirpe, pode afinal legitimamente considerar-se vítima da esperteza de um sistema político, judicial e financeiro que cuida dos poderosos e abandona ou saqueia os que de seu apenas têm a capacidade de trabalhar.

    https://www.wook.pt/livro/o-diabo-o-banqueiro-e-o-parvo-r-m-rosado-fernandes/15021606

  4. Muito bem lembrado. Para além de ser um académico, um classicista e um homem fortemente ligado à agricultura (características que raramente combinam, mas cuja combinação nem é descabida), Rosado Fernandes deixou-nos também um conjunto de episódios picarescos, reveladores de uma personalidade forte e original. Alguns estão nas suas “Memórias de um Rústico Erudito”, que o nosso comentador Von Calhau também traz à baila. Recordo-me sobretudo de o ver vestido de romano, fazendo de improviso um discurso em latim num programa apresentado unicamente por mulheres, de reagir ao estalo a uma acusação infame de um eurodeputado dinamarquês, e da revelação sobre a verdadeira última frase de Sidónio Pais ao morrer (o avo de Rosado estava lá).
    E também defendeu o Marquês de Pombal no concurso dos Grandes Portugueses.

    1. “um classicista e um homem fortemente ligado à agricultura (características que raramente combinam, mas cuja combinação nem é descabida)”

      O fanatismo político,social é que rejeita o mundo físico. Implicaria para eles reconhecer outro Poder.

  5. Também aprecio o seu testemunho.
    Eu que devo a Helena Rocha Pereira os saberes de gregos e troianos e descendentes como os do Café do Euclides.Quando porá estes em livro?
    Um abraço estimado Bandeira.
    Ainda não consegui ir ao Rissol em horário laboral,no Sábado de glorificação
    Portista estava fechado.
    Tiudózio

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