Sobre o manifesto (6)


Pedro Correia,

Este assinaria o manifesto. Apesar de há três anos se ter oposto categoricamente a tal solução, argumentando que isso constituiria um “calote aos credores” por parte do Estado português. “Reestruturar uma dívida significa pagar um preço em miséria, desemprego e falências e, pior que isso, significa pôr em causa o projecto europeu e a moeda única única”, sustentou então.

Este também lá poria a assinatura. Ao lado daquele de quem dizia, em 20 Junho de 2009, que enquanto continuasse em cena “a vida política portuguesa [permaneceria] muito conflitual e instável, não [seriam] possíveis reformas, nem as políticas consistentes e difíceis que a crise exige”.

É um momento emocionante. Um momento em que dois grandes espíritos enfim convergem. Como acontece a Rick Blaine e ao capitão Renault em Casablanca, pode ser o início de uma bela amizade.

22 comentários em “Sobre o manifesto (6)”

  1. Ainda me lembro dos saudosos tempos do Flashback na TSF, ainda no século passado (com PP, VPV, José Magalhães, Nogueira de Brito e outros – foi havendo substituições), que para mim constituiram, na altura, autênticas sessões de esclarecimento político, e em que PP declarava constantemente que o modelo social europeu estava esgotado e condenado.

    Outros tempos…

  2. Tendo perdido parte dos meus rendimentos de trabalho, dirigi-me ao banco onde tinha a hipoteca da casa, onde negociei o pagamento da dita hipoteca por mais dez anos.
    Que felizmente estou a cumprir.
    O meu vizinho, com um problema idêntico ao meu, quando soube o que eu tinha feito criticou-me, quatro meses depois já sem dinheiro para cumprir os pagamentos, que recusara negociar, está neste momento sem cumprir o serviço da divida.
    Sozinho e sem apoio, apenas por burrice.
    Eu hoje, recebi um apoio muito grande, de amigos que tenho no estrangeiro, para desgosto do meu vizinho.

    1. O seu banco já é dono da sua casa, não precisa de confiar em si. O que lhe propôs foi pagar mais uns anos de juros, que o banco obviamente aceitou.
      Mas que garantia real é que um país tem para oferecer aos seus credores, a não ser a confiança na boa gestão das suas contas públicas?
      Não pode comparar a sua condição de devedor ao seu banco, com a condição de devedor do país aos seus credores, que como sabe não são apenas bancos.

      1. Que garantias têm os credores do país neste momento, em que já é óbvio que o dinheiro não vai chegar?
        O problema das garantias é esse mesmo. Não se conseguindo dar garantias do pagamento integral talvez não fosse má ideia ir ver o que se consegue realmente pagar.
        Afinal dizem que os juros são altos porque o credor assume que há um grande risco de incumprimento, e depois dizem que não pode haver incumprimento? Nesse caso os juros deviam ser iguais para todos os países.
        No caso do banco, se a casa fosse garantia suficiente o banco tê-la-ia acionado logo que pudesse, não negociava.

      2. Tem toda a razão senhor Silveira, a mim não me obrigam a vender os anéis e a mobília, a preço de saldo, nem me obrigam a por os meus filhos a trabalhar, com um salário negreiro.
        Embora tentem por todos os meios, levarem-me para a falência com imposto de rapinagem.

        1. Nunca ouviu dizer que quem come o chibo depois não pode comer o bode?
          Eu sei que seria muito melhor os do norte pagarem o nosso estado social, mas sabe, eles já têm de pagar o deles, e precisam de trabalhar muito para isso.

          1. Ainda bem que acredita nisso, é o senhor e os patrões do Passos Coelho.
            Eu não roubei nada, nem nunca vivi acima das minhas possibilidades, mas encontro muitos que afirmam o mesmo que o senhor afirma e devem milhões e não pensam pagar.
            Sabe porquê?
            Não tem vergonha nem dignidade.
            Só vivem da mentira e da trapaça, mas estão muito preocupados com a divida do país, que mais de metade está no bolso deles, na corja de cleptocratas que tomou conta do país.

          2. Você consegue pôr um assunto num nivel que não merece resposta. O que me faz pensar que raio me levou a meter o bedelho naquilo que você aqui escreveu.
            Passe bem, e quando mandar os seus filhos para a escola pública, ou tiver que recorrer ao SNS, ou simplesmente for fazer a volta dos tristes coma familia aos domingos percorrendo uma estrada publica, pense que tudo isso lhe foi em grande parte proporcionado com dinheiro emprestado. Por isso não diga que nunca viveu acima das suas possibilidades.

          3. Fale por si senhor Alexandre, nunca vivi acima das minhas possibilidades, desde os dez anos que trabalho e sempre paguei os meus impostos, para que outros pudessem andar a estudar.
            E a viver, usufruindo aquilo que nunca pagaram, não o meu burro e a minha carroça nunca foram subsidiados, a não ser pelo meu trabalho.
            Dai estar farto de falsos moralistas.

          4. Tá bem, mas não se esqueça de dar palha ao burro.

          5. Esteja descansado, nunca me esqueço de dar palha ao meu burro, coisa que faço de vontade, infelizmente e contra minha vontade, também tenho de matar a fome, a milhares de outros burros que vivem da minha palha.

  3. “Pelo menos um deles terá sempre Paris.” é um excelente comentário …
    Quanto ao postal: a ocasião faz a opinião.
    Quanto à reestruturação da dívida: acontecerá.

    1. Foi com um consenso generalizado sobre a bondade do défice – ainda hoje dizem que vai trazer o crescimento – que chegámos bancarrota.

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