Sobre “fake news”


jpt,

Um belo texto de Nuno Garoupa no novo Polígrafo. Deixo excerto: 

(10) Acredito que a única forma de evitar o percurso mais doloroso é reconstruir o “juste milieu” regenerado. Para isso, fact checking é fundamental. Não para proibir as fake news, um perigoso disparate. Mas sim para permitir distinguir aquilo que são interpretações realistas do mundo que nos rodeia das verdades pós-modernas que radicalizam e emocionam. Não acredito na Verdade. Há muitas verdades. Mas há verdades e verdades. Há verdades que fomentam o “agree do disagree”, que facilitam a convivência política, que relembram aos eleitos porque são privilegiados em democracia, que regeneram o contrato social na busca de uma organização social mais adequada para o século XXI. E há verdades que dividem, eliminam, alimentam o ódio, existem apenas pela emoção e para uma visão maniqueísta dos bons (aqueles que partilham essa verdade) e os maus (os outros), promovem a superioridade moral de um grupo em detrimento do resto da sociedade.

A ler, mesmo. E é de acompanhar o tal Polígrafo.

3 comentários em “Sobre “fake news””

  1. Quando se diz “não acredito na verdade”, implicitamente, toma-se como verdade, a opinião. Mas pergunto: E a memória dos que sentirem no corpo a verdade? Não. A verdade existe, sim. Deveremos, isso sim, não confundir veracidade da mentira com a verdade. Mas isso exigirá esforço e “perda de tempo”. Quem a isso está disposto, depois de uma jorna de trabalho e o caos do trânsito? A democracia fraqueja pelo cansaço do cidadão.
    Se prosseguirmos nessa senda da pós verdade – não existe a verdade, apenas interpretações do real, como Nietzsche afirmou – então esperam-nos tempos futuros, com cheiros pesados e passados.

    Contudo o autor deixa-me confuso quando afirma, simultaneamente, não haver verdade, mas ser possível uma “interpretação realista do mundo”

    Sinceramente este tipo de discurso soa-me perigoso e paradoxal. Decididamente não seguirei o Poligrafo.

  2. Um puro desastre…como esperado já que a mais simples lógica impede aquilo que dizem pretender.

    Mas o que o autor pretende afinal é isto: “…a busca de uma organização social mais adequada para o século XXI”
    Não tem nada que ver com verdade.
    Tal como jornalismo não tem nada que ver com notícias.

    Leia-se outra vez esta pérola onde está incluída a citação acima:

    “Há verdades que fomentam o “agree do disagree”, que facilitam a convivência política, que relembram aos eleitos porque são privilegiados em democracia, que regeneram o contrato social na busca de uma organização social mais adequada para o século XXI. E há verdades que dividem, eliminam, alimentam o ódio, existem apenas pela emoção e para uma visão maniqueísta dos bons (aqueles que partilham essa verdade) e os maus (os outros), promovem a superioridade moral de um grupo em detrimento do resto da sociedade.”

    Ou seja o que o autor pretende é instituir a censura. Para impedir as verdades más que impedem a sociedade a que chama do “Séc.XXI” deve se para “fingir modernidade”.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *