É fácil que no meio do turbilhão de notícias em que vivemos, grandes acontecimentos sejam confundidos com tricas, daquelas que são boas apenas para nos entorpecer e enfadar.
Por isso, até para a historiografia futura, importa registar acontecimentos que passam quase incólumes nestes dias conturbados, neste nosso regime nascido em 1974.
Soubemos há dias que o Ministério Público mandou vigiar jornalistas e acedeu às respectivas contas bancárias. A embrulhada é de tal ordem que o comum mortal, prefere poupar-se ao esforço de entender os detalhes de mais um atropelo às instituições do Estado de Direito, encolhe os ombros e muda de canal.
Já aqui escrevi sobre a relação entre o nosso atraso económico e a qualidade das nossas instituições. Este é mais um exemplo de como o nosso regime está doente.
Mais incrível ainda é o silêncio a que a própria classe jornalística relegou este caso, em que é colocada em causa. A devoção da imprensa para com a situação, e uma infelizmente racional análise custo/benefício explicará a falta de eco que este assunto merecia.
Entretanto, e a apesar de ainda não ter tido conhecimento de nenhuma grandolada à conta deste grave atropelo à Liberdade de Imprensa, a Federação Europeia de Jornalistas já notificou Portugal junto do Conselho da Europa, salientando que se trata de um caso “especialmente grave” por Portugal presidir à UE.
Aproveito para me sentar enquanto aguardo por mais reacções.

O constitucionalista Vital Moreira não acha mal o que o Ministério Público fez e atribui a reacção ao corporativismo dos jornalistas. Tendo a concordar com ele apesar de eu de Constituições não perceber nada. O nosso jornalismo é muito, muito fraco como noto nos noticiários da TV. Disso eu tenho certeza. De quem é a culpa? Não sei. Mas minha não é. Será do Ministério Público. Serão eles que ordenem aos jornalistas que façam aqueles directos que nunca mais acabam (sobretudo se há desastres) cheios de pergunta idiotas? Não sei mas gostava imenso de perceber onde está o mal.
No limite, seria mais razoável manter o anonimato para discordar de Vital Moreira, do que para concordar. Especialmente se tivesse essa opinião, não teria problema nenhum em assinar um comentário.
Senhor Paulo Sousa:
A sua resposta pode ser uma boa piada a um comentador que se esqueceu de dizer que se chama João Almeida. Mas esclarecer, é o esclareces…..
Registo o reparo.
Respondi perante a informação que dispunha.
Raramente tenho a pretensão de esclarecer aqui alguém. Mais frequentemente registo sim pedidos de esclarecimento.
Felizmente esperei sentado, mas afinal o nosso PR interrompeu as sua baterias diárias de testes, para falar sobre o assunto. Ainda com pouca relevância, mas pode ser que ainda venham a haver mais perguntas. Aguardemos. Sentados
Já agora,m em vez de “que ainda venham a haver mais perguntas” deveria ser “que ainda venha a haver mais perguntas”. Há muita gente com problemas com o verbo haver.
Sabe que a minha formação é de gestão. Graças a talvez demasiados anos de contabilidade, associo sempre o “haver” com o “deve”. Na sequência do seu comentário, acrescento que há muita gente, o país todo e as suas próximas gerações, com mais problemas com o “deve” do que com o “haver”.
Vital Moreira diria que isso é tudo constitucional, e eu acho que isso diz mais de Vital Moreira, do regime e da situação do que das minhas faltas às aulas de português.
Sobre a concordância linguística que refere, não me parece que tenha razão.
Há aí os doutos em letras que usam o português quando desusam partes importantes da moleirinha. Espiar jornalistas, hoje. Amanhã, advogados de defesa, em nome do segredo. Banal.
Se for a favor da situação, será sempre constitucional, ou constucional, como agora se diz.
Soubemos há dias que o Ministério Público mandou vigiar jornalistas e acedeu às respectivas contas bancárias.
E já disseram que os jornalistas foram perseguidos porque estavam a investigar o Benfica? O longo braço dos Construção/Imobiliário/Benfas/Juízes/PS. Quase todos vindos do mesmo sítio. É uma classe.
As instituições vão sendo ocupadas por interesses particulares. Ficam mais frágeis, e todos temos a perder.
Sem dúvida
Sim, Paulo Sousa, «É fácil que no meio do turbilhão de notícias em que vivemos, grandes acontecimentos» não só «sejam confundidos com tricas, daquelas que são boas apenas para nos entorpecer e enfadar» mas que também “sejam manobrados como tricas”.
Claro, pelo meio, fica o essencial: «Já aqui escrev(eu) sobre a relação entre o nosso atraso económico e a qualidade das nossas instituições. Este é mais um exemplo de como o nosso regime está doente.»
Surpreendente é ter descoberto que o «Mais incrível ainda é o silêncio a que a própria classe jornalística relegou este caso, em que é colocada em causa» e adiantando, à laia de denuncia da vergonha da casa («A devoção da imprensa para com a situação, e uma infelizmente racional análise custo/benefício explicará a (…)»), «a Federação Europeia de Jornalistas já notificou Portugal junto do Conselho da Europa» mas depois um gaijo vai ler o que escreveu a dita Federação e descobre que «The European Federation of Journalists (EFJ) joined its affiliate the Portuguese Union of Journalists (SJ) in denouncing this clear violation of the confidentiality of journalists’ sources, considering (…)» et blá-blá-blá… – convém não inverter as coisas: a EFJ juntou-se ao SJ!
E pelo meio, nem uma palavrinha sobre a Sábado (que denunciou o caso) e, pelo menos, a TVI (que não deixou em branco o caso), ou até, o editorial da Ana Sá Lopes, no Público de hoje… e já nem falo de que, pelo que sei, o BE já levou o caso à AR.
Há uma parte dos seus comentários com que invariavelmente concordo. Depois, e intermeadamente, surgem sempre uma frases estranhas.
Sobre o assunto, está mesmo quase a passar despercebido. Não fosse a ligação ao fenómeno chamado de desportivo e aposto que ainda teria menos destaque.
Desculpe lá mas junto mais uma. Dizer que o meu nome é o que é quebra o anonimato? Duvido. Não escrevo nos jornais, ninguém me conhece e acho que quem lê pode interessar-se (pretensão minha) pelo que digo, mas pelo meu nome? Não haverá outras maneiras de fugir às minhas questões e do Professor Vital? As minhas podem ser tontas ou banais mas Vital Moreira sempre percebe qualquer coisa de Constituições. E olhe, para os milhares de Joões Almeidas o que os jornalistas fazem (sobretudo na TV) não os deixa lá muito bem colocados. Espero o seu contributo para ajudar um ignorante, como eu, a entender. Obrigado.
Respondi-lhe acima.
Obrigado
Ultrapassando a galanteadora «parte dos (m)eus comentários com que invariavelmente concord(a)», diz que «Depois, e intermeadamente, surgem sempre uma frases estranhas» – Quais? Não sei! V. nem as quis denunciar… – mas voltando ao «Sobre o assunto» que até resolveu inovar com um que «está mesmo quase a passar despercebido» carregado dessa sua subtil recém descoberta de que «Não fosse a ligação ao fenómeno chamado de desportivo» onde V. «apost(a) que ainda teria menos destaque»…
A única coisa que me resta é dizer-lhe que não descubro algo de substancial para acrescentar ao meu anterior comentário: desconhecendo as tais minhas «frases estranhas» e não vendo qualquer «ligação ao fenómeno chamado de desportivo» por parte da posição do SJ (de onde humildemente até surgiu a híper-realçada, por si, posição da European Federation of Journalists), da líder (ou do grupo parlamentar) do BE, da revista Sábado ou da TVI, ou do Público… reiterar que sim, que «É fácil que no meio do turbilhão de notícias em que vivemos, grandes acontecimentos» “sejam manobrados como tricas” «daquelas que são boas apenas para nos entorpecer e enfadar». É essencial não confundir o que qualquer “zéquinha” escreveu aqui, a propósito do seu “post”, com as posições mais sérias por parte de todos os que vivem alheados do universo DO.
Caro António Vaz, respondo aqui ao seu comentário: nald-trumpa-12227629?thread=98558765#t98 558765
https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/do
O que eu disse foi que as questões internas deveriam ser mais importantes para os americanos e as externas para os europeus e que parecia ilógico (irracional talvez) um europeu deter-se longamente nas questões internas practicamente desprezando as externas. Não disse nem quiz dizer que as questões externas não tivessem importância nenhuma para os americanos. Respondendo mais claramente, o Médio Oriente é importante para os americanos porque não podem ignorar a relação com Israel e é importante para os europeus porque não podem dispensar o petróleo da região nem conseguem controlar a imigração das zonas em conflito aberto. Além disso o Médio Oriente inclui o “clube” de nações muito ricas e é um mercado apetecível para todos.
Isto e mais, a propósito da política externa da administração Trump, foi incluído num comentário em que respondi a Pedro Belo Morais, em que não utilizei linguagem imprópria, não fiz acusações directas nem incitamentos nem exclusões de minorias mas que o autor do postal não publicou, num acto de censura “porque sim” que, depois de ler o que escreveu e respondeu, e sabendo que é jornalista no “Diário de Notícias”, não me surpreendeu por aí além.
E, para que dúvidas não houvessem, respondi-lhe a si na linha do que disse acima, e acrescentei que essa explicação estava já implícita no comentário censurado. Pois essa resposta a si, certamente por mencionar o comentário censurado, foi igualmente censurada.
Com alguma pena minha e reconhecendo que nenhuma mossa isso faz ao DO, admito mudar de ares porque não aprecio sentir-me incomodado e isto incomodou-me.
Francisco Almeida, sim, até sei do que fala quando se refere a «num acto de censura “porque sim”»: é o “sapo” que “n” vezes, dia sim, dia sim, tenho engolido por aqui no DO de onde não escapam – é claro! – todas as vezes que respondo aos seus, a propósito dos meus, comentários e nos quais, por vezes, V. até desce ao mais baixo nível… evite falar sobre mim à luz das suas fantasias sobre a Tailândia ou sobre a sua “experiência” colonial.
Sobre tudo o resto de que foi falando a propósito do tal meu comentário, até lhe gostaria de responder (se o Paulo Sousa o permitir: é que para um “seu” PMB eu tenho – pelo menos! – uma meia dúzia de outros deles, aqui do DO, a «num acto de censura “porque sim”», não publicarem os meus comentários!), que não faz qualquer sentido essa sua tentativa de baralhar o que V. escreveu (é que ela está registada para a posteridade na maldita Net).
A questão está, essencialmente, em que qualquer “yankee” (ou “gringo”) até se acha no direito de definir “ditaduras”, “shitholes”, etc, aqui e acolá, no nosso planeta, desde há muito. Nisso, Trump não descobriu nada de novo mas apenas a apalhaçou – é a partir disso que defendo o direito de eu, V. e o PMB, para além de um qualquer outro “tuga”, de expressarmos a nossa opinião sobre o que se passa na “metrópole imperial”, independentemente de, como V. parece querer exigir, que ela até deveria ser condicionada à política externa: a tal da “relação com Israel” é apenas mais do mesmo, ao longo de décadas, na política externa dos EUA… mas excepcionalmente, até agravada. Aguarde para ver como os “traidores” à causa da Palestina (dos sauditas aos marroquinos, passando pelos sudaneses) vão acabar por se justificar, barricando-se na chantagem (que existiu… evidentemente) da administração Trump. E lá está, eu sei que V. até vai acabar por, algures no futuro, os pintar como os grandes culpados, mesmo que hoje esteja a exigir um estatuto especial para com eles, os de repentinamente iluminados que perceberam, à rebeldia da sua experiência histórica, que a questão neo-colonial de Israel até é diferente da da Rodésia ou da África do Sul.