Soares, o perdigueiro político


Rui Rocha,

Afirmar que Mário Soares é um animal político pressupõe uma definição incompleta do pai presumido da nossa democracia. Soares não é um animal qualquer. O que o caracteriza, antes de tudo o mais, é o faro apurado. Esse faro que lhe permitiu, em tantas ocasiões, suprir as suas evidentes limitações. Soares é um perdigueiro. Espetou as narinas na realidade destes dias que nos consomem. To Zé Seguro olha para Hollande e vê uma tábua de salvação. O olfacto de Soares diz-lhe que Hollande passou a representar uma urgência. Louçã carrega mais nos erres com o resultado do Syriza na Grécia. A Soares cheira-lhe a esturro. Enquanto outros se encantam com a transformação da França em Lalallande e da Grécia numa Nãopagamoscracia, Soares já viu o filme todo. A oportunidade para empunhar a bandeira do manguito à Troika tem prazo de validade limitado. Dura exactamente até ao momento em que Hollande começar a rasgar promessas e em que a Grécia embater com a realidade. É, portanto, coisa de dias. Soares não é homem de deixar para amanhã o que pode dizer hoje. Sobretudo quando sabe que os factos de amanhã apoiarão menos a tese que lhe dá jeito defender. Não se trata, é claro, da tese que tem fundamento no interesse do país. Mas isso não é novo. Ontem, como hoje, Soares privilegia a vaidade pessoal e esta alia-se, por estes dias, à ânsia de fazer a  prova periódica de vida política. A defesa da quebra do compromisso com a Troika, já e em força, deve ler-se à luz da circunstância de ilusões que não tardarão a esboroar-se e do homem que, se não tivesse encarnado na pele do perdigueiro, ostentaria as penas do pavão.

18 comentários em “Soares, o perdigueiro político”

  1. rui, não é para publicares. corrige o “priviligia”, sff.
    (eu acho graça aos soares, ao velho soares acho mesmo imensa graça – e acho que te está a falhar a big picture do homem por muito “mafioso” que ele seja)

    1. E perdia lá a oportunidade de ter um comentário teu, não? Para lá de outros defeitos evidentes, tenho dificuldade com os privilégios e com as eminência imininentes. E como também tenho a mania de não usar o corrector, dá no que dá. Quanto ao S, admito que a minha objectiva possa ter alguma subjectividade, mas lá que a imagem me aparece tremida, lá isso…

  2. Ora bem. Soares não perde uma oportunidade de dar nas vistas, já sabemos. Acabei de dizer mais ou menos o que dizes lá mais atrás, na caixa de comentários de outro post, mas não desta forma brilhante .

  3. Mário Sores é…. inimputável…

    Felizmente que já ninguém o leva a sério… o povo já o atura com condescendência…

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