Portugal estreou-se a empatar no Campeonato da Europa frente à modesta selecção da Islândia, um país com apenas 320 mil habitantes. Mas não é de futebol que vos quero falar: é do comportamento dos portugueses. Achei chocante o contraste entre a ruidosa euforia antes do jogo, perante as câmara televisivas, e depois do jogo, à frente das mesmas câmaras, e o pesado silêncio que se abateu sobre as bancadas durante todo o encontro.
Os jornalistas fartaram-se de repetir até à rouquidão que até parecia estarmos a “jogar em casa”, mas ninguém deu por isso tal era o gelo emanado dos nossos compatriotas no estádio de Saint-Étiènne.
Ao ver aquilo, questionei-me: afinal vão ao futebol para quê?
Tudo em flagrante contraste com as escassas dúzias de islandeses, que fizeram a festa e deitaram os foguetes do princípio ao fim, apoiando uma das selecções mais modestas da Europa. Empataram, mas se tivessem perdido continuariam a festejar à mesma.
Até parece que os latinos são eles e não nós.

Os islandeses não estão sujeitos a um regime que elevou o futebol a religião de estado.
Os islandeses não estão sujeitos a um regime que promove o reles – e vive dele.
Que tem isso a ver com o que escrevi?
Pensei nisso mesmo durante todo o jogo – tanta fanfarronice sobre jogarmos em casa e afinal quem fez noventa minutos de festa foram os islandeses (que para a comunicação social portuguesa nem sabiam o que era uma bola que não fosse uma bola de neve). Valeu a pena tanto “directo”.
O ‘directo’ é um expediente fácil e barato de encher tempo de antena. Abre-se o micro às bocas anónimas, incluindo as mais alarves, e as direcções de informação ficam satisfeitas. Puro populismo televisivo. Valor noticioso: zero. Muito mais relevante foi o silêncio de chumbo nas bancadas. Quando não está a ser filmado, o tuga médio parece nórdico. Enquanto os nórdicos parecem latinos.
Ou então nós cá é que continuamos a ter uma visão mitificada do que é ser-se “latino” ou “nórdico”.
Pois, João. Aliás a minha frase é irónica. Se há coisa a que sinto alergia é a estereótipos e etiquetas.
Os portugueses reagem muito mais do que agem e apoiam quem está por cima. Logo que o jogo começou a correr menos bem, deixaram de apoiar. Teria de ser a equipa a desenvencilhar-se – sendo que, se o tivesse conseguido fazer, o orgulho seria de todos e de cada um.
Isto revela muito da nossa personalidade colectiva. Apoiar nos momentos fáceis, calar nas horas difíceis.
Excepto, é claro, se houver uma televisão por perto.
Não perdemos… um empate só é um drama
para os que gostam de dizer mal.
Os adversários também estavam presentes e não
ganháram o jogo.
Os nossos adversários jogaram melhor? talvez.
E também têm esse direito.
Veremos em breve que lugar do grupo irão ocupar esses
campiões que concederam um nulo e já são uma grande equipa.
Kika, os adversários estrearam-se a jogar – e a marcar – num campeonato da Europa. São a 22.ª selecção no lote das melhores do continente. Portugal é a quinta nesse mesmo lote. Nada fizemos para vencer o jogo. A verdade é que os milhares de portugueses nas bancadas também nada fizeram para incentivar a equipa.
Oa nossos adversários quanto a mim deveriam ter brilhado mais…
Tiveram muito mais tempo para estarem juntos , conhecerem-se melhor.
Uma maioria dos nossos jogam nos melhores clubes do mundo e chegam
estafados .
Mais uma agravante: Temos vários jogadores que para eles também é uma
estreia e práticamente nunca jogaram juntos…
Estou confiante que os ” mininos ” ainda vâo a tempo de brilhar.
Eu também estou, Kika. Só espero que os portugueses nas bancadas não voltem a revelar excesso de “cansaço” contra a Áustria, imitando o que aconteceu no jogo contra a Islândia, esquecendo-se de apoiar a nossa selecção.
Já somos 2 aqui de pé firme…

Pedro Correia ,desculpe o tom dos outros comentários … Ando um pouco alvoraçada .
Uma autêntica vergonha o comportamento dos adeptos portugueses, o silêncio dos que estavam a ver o jogo na bancada e o de muitos outros que tiverem as reações mais estúpidas e insultuosas depois do final do jogo.
E depois acusam os jogadores de falta de garra…
Apatia lusitana quando se pedia vibração genuína. O problema é que essa vibração – postiça – só aparece quando existe uma câmara de tv à frente. Mobilizamo-nos sempre mais para criticar ou injuriar do que para incentivar ou aplaudir.
Típico, como escrevi hoje os portugueses são uns tristes!
Só existe “alegria” quando é encenada. Nada mais triste.
Vi o jogo pela transmissão da BBC e pode ser que não ouvisse bem, mas tinha a sensação que estava apenas a ouvir os islandeses. Os portugueses pareciam aborrecidos nas imagens até notarem que as câmaras os mostravam a eles. Aquelas imagens de adeptos em festa que quando notam estarem a ser filmados apenas elevam o entusiasmo raramente tem portugueses. Estes parecem estar sempre a fazer frete.
Pois, João. Daí este meu desabafo em forma de postal.