Só somos eufóricos frente à TV


Pedro Correia,

Portugal estreou-se a empatar no Campeonato da Europa frente à modesta selecção da Islândia, um país com apenas 320 mil habitantes. Mas não é de futebol que vos quero falar: é do comportamento dos portugueses. Achei chocante o contraste entre a ruidosa euforia antes do jogo, perante as câmara televisivas, e depois do jogo, à frente das mesmas câmaras, e o pesado silêncio que se abateu sobre as bancadas durante todo o encontro.
Os jornalistas fartaram-se de repetir até à rouquidão que até parecia estarmos a “jogar em casa”, mas ninguém deu por isso tal era o gelo emanado dos nossos compatriotas no estádio de Saint-Étiènne.

Ao ver aquilo, questionei-me: afinal vão ao futebol para quê?

Tudo em flagrante contraste com as escassas dúzias de islandeses, que fizeram a festa e deitaram os foguetes do princípio ao fim, apoiando uma das selecções mais modestas da Europa. Empataram, mas se tivessem perdido continuariam a festejar à mesma.

Até parece que os latinos são eles e não nós.

0 comentários em “Só somos eufóricos frente à TV”

  1. Os islandeses não estão sujeitos a um regime que elevou o futebol a religião de estado.
    Os islandeses não estão sujeitos a um regime que promove o reles – e vive dele.

  2. Pensei nisso mesmo durante todo o jogo – tanta fanfarronice sobre jogarmos em casa e afinal quem fez noventa minutos de festa foram os islandeses (que para a comunicação social portuguesa nem sabiam o que era uma bola que não fosse uma bola de neve). Valeu a pena tanto “directo”.

    1. O ‘directo’ é um expediente fácil e barato de encher tempo de antena. Abre-se o micro às bocas anónimas, incluindo as mais alarves, e as direcções de informação ficam satisfeitas. Puro populismo televisivo. Valor noticioso: zero. Muito mais relevante foi o silêncio de chumbo nas bancadas. Quando não está a ser filmado, o tuga médio parece nórdico. Enquanto os nórdicos parecem latinos.

  3. Os portugueses reagem muito mais do que agem e apoiam quem está por cima. Logo que o jogo começou a correr menos bem, deixaram de apoiar. Teria de ser a equipa a desenvencilhar-se – sendo que, se o tivesse conseguido fazer, o orgulho seria de todos e de cada um.

  4. Não perdemos… um empate só é um drama
    para os que gostam de dizer mal.
    Os adversários também estavam presentes e não
    ganháram o jogo.
    Os nossos adversários jogaram melhor? talvez.
    E também têm esse direito.
    Veremos em breve que lugar do grupo irão ocupar esses
    campiões que concederam um nulo e já são uma grande equipa.

    1. Kika, os adversários estrearam-se a jogar – e a marcar – num campeonato da Europa. São a 22.ª selecção no lote das melhores do continente. Portugal é a quinta nesse mesmo lote. Nada fizemos para vencer o jogo. A verdade é que os milhares de portugueses nas bancadas também nada fizeram para incentivar a equipa.

      1. Oa nossos adversários quanto a mim deveriam ter brilhado mais…
        Tiveram muito mais tempo para estarem juntos , conhecerem-se melhor.
        Uma maioria dos nossos jogam nos melhores clubes do mundo e chegam
        estafados .
        Mais uma agravante: Temos vários jogadores que para eles também é uma
        estreia e práticamente nunca jogaram juntos…
        Estou confiante que os ” mininos ” ainda vâo a tempo de brilhar.

        1. Eu também estou, Kika. Só espero que os portugueses nas bancadas não voltem a revelar excesso de “cansaço” contra a Áustria, imitando o que aconteceu no jogo contra a Islândia, esquecendo-se de apoiar a nossa selecção.

          1. Já somos 2 aqui de pé firme…
            Pedro Correia ,desculpe o tom dos outros comentários … Ando um pouco alvoraçada .

  5. Uma autêntica vergonha o comportamento dos adeptos portugueses, o silêncio dos que estavam a ver o jogo na bancada e o de muitos outros que tiverem as reações mais estúpidas e insultuosas depois do final do jogo.
    E depois acusam os jogadores de falta de garra…

    1. Apatia lusitana quando se pedia vibração genuína. O problema é que essa vibração – postiça – só aparece quando existe uma câmara de tv à frente. Mobilizamo-nos sempre mais para criticar ou injuriar do que para incentivar ou aplaudir.

  6. Vi o jogo pela transmissão da BBC e pode ser que não ouvisse bem, mas tinha a sensação que estava apenas a ouvir os islandeses. Os portugueses pareciam aborrecidos nas imagens até notarem que as câmaras os mostravam a eles. Aquelas imagens de adeptos em festa que quando notam estarem a ser filmados apenas elevam o entusiasmo raramente tem portugueses. Estes parecem estar sempre a fazer frete.

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