Robin Williams matou-se e eu, assim que soube a notícia, lembrei-me daquela tristeza irreparável que lhe velava os olhos mesmo quando interpretava papéis cómicos.
Gostava muito dele. Dois filmes de cabeceira, Clube dos Poetas Mortos e O Bom Rebelde, ligaram-nos para sempre. Talvez esse laço afectivo me tenha ajudado a ver aquele desamparo metódico que o afastava do mundo e que segunda-feira tornou oficial.
Apetecia-me perguntar-lhe “para quê a pressa?”


Via-se-lhe nos olhos e percebia-se na forma como habitualmente respondia às questões: em actuação permanente, fugindo a ter de se enfrentar (admita-se que a capacidade de improviso dele era extraordinária.) Não por acaso, mencionas dois filmes dramáticos. Neles, perpassa o ser humano real, sem máscaras (tanto quanto o cinema o permite). Eu acrescentaria Insónia e – assim de repente, talvez a única comédia que inserisse nos melhores filmes dele (mas posso estar a ser injusto porque não fui ver a lista das obras em que entrou e actualmente a minha memória oscila entre fraquinha e débil) – Bom Dia, Vietname.
De qualquer modo, o humor é quase sempre uma forma de esconder o desespero. Especialmente o humor dos gordos (não era o caso).
Sim, humor é escapismo. Por isso é que a tristeza grassa entre os profissionais do ramo. Rir, para ele, não teve remédio.
Não vi Insónia, mas tenho bem presente o Bom Dia, Vietname, onde Robin brilha à sua altura. Das comédias que eu vi com ele esta também é a que eu prefiro.
Lembra-me o Jack. Era um miúdo grande, com olhinhos assustados que viveu depressa demais.
Os olhos dele falaram sempre demais.
Tranquilize-se, Teresinha. Estas viagens não se preparam, simplesmente acontecem.
Mas para quê antecipá-las, não é?
Ó mulher, catano!, é necessário traduzir o que escrevi? Nada se antecipou!
Muitas vezes quem faz o rir os outros chora para dentro. Foi o caso.
Muitos humoristas são auto-imunes ao seu próprio sentido de humor. Afinal convém não esquecer que, para eles, fazer rir é um trabalho. Por sinal, muito exigente.