Devemos acautelar-nos contra estas listas. Provêm quase sempre do universo literário ou jornalístico anglo-saxónico, indiferente a tudo quanto não se publica em língua inglesa, e insistem em fazer-nos crer que nada existe fora desse idioma. A ausência de Marguerite Yourcenar (e das suas Memórias de Adriano) basta para retirar credibilidade a quem organizou este rol das vinte obras literárias mais influentes escritas por mulheres, a que cheguei via João Oliveira e o seu Sentido dos Livros.
Já nem falo de outras omissões incompreensíveis — de Simone de Beauvoir a Isabel Allende, de Karen Blixen a Clarice Lispector. Mas o próprio universo anglófono está mal representado. Como é possível esquecer Carson McCullers, Virginia Woolf, Pearl S. Buck, Jean Rhys ou Patricia Highsmith? E se J. K. Rowling comparece não se entende de todo a ausência de Agatha Christie…
Enfim, digo destas listas o que os políticos dizem das sondagens: valem o que valem. Por vezes valem quase nada.

Imperdoável a falta de Virgínia Woolf e Júlia Navarro.
Sem dúvida, Dulce.
Já visitara o artigo e por coincidência lá mencionara escritoras em português como Lispector.
Mas pode-se dizer (para além de só contar se for em inglês) que a lista nem para a literatura em inglês trata com justiça a suas escritoras.
É verdade, Carlos. Caso para perguntar qual a preparação intelectual de quem elabora estas listas tão pedantes e presumidas. E também quantos livros quem a elaborou terá lido para poder arrotar tamanha prosápia.
Dando apenas uma achega à discussão, a lista resultou do voto popular, em que as pessoas identificavam o seu livro de eleição com #ThisBook. Talvez assim se perceba o porquê de alguns resultados, embora não os legitime, como é óbvio.
Agradeço a achega, João. Isso ajuda a explicar a exclusão de Virginia Woolf, por exemplo. Mas acredito – pelo que tenho visto noutras listas semelhantes – que alguns “cérebros iluminados”, inchados de sapiência académica, não teriam feito algo muito diferente. Nomeadamente quanto à exclusão de escritores fora da língua inglesa. Como se estes nem existissem.
Sim, sem dúvida. Concordo em absoluto.