Dizer nesta altura que tem os poderes da Rainha de Inglaterra não abona nada a seu favor. Quando muito será mais uma evidência sobre a necessidade de extinção da corporação que dirige e da sua premente substituição por uma nova que exerça de facto e de direito os poderes que a dele se mostrou incapaz de cumprir nas últimas três décadas.
Um desastre que demonstra bem o distanciamento da realidade em que vivem os seus membros.
Depois de eu próprio no exercício da profissão ter sido rocambolescamente acusado pelo MP num processo em que tive o apoio da Ordem e acabei absolvido, tendo sido o próprio MP o primeiro a pedir a minha absolvição, perdi todas as ilusões que ainda poderia ter quanto ao papel que alguns dos seus membros desempenham.
Se depois se vem a confirmar que, na prática, não existe qualquer hierarquia, nem disciplina, nem autoridade que se imponha em tempo útil onde ela deve ser exercida, de maneira a que os critérios sejam efectivamente de legalidade estrita e objectiva, e que tudo se resume seraficamente aos poderes de Sua Majestade, então o melhor mesmo é declarar a sua extinção com efeitos imediatos. O país só teria a ganhar. Não há espectáculos eternos.
O problema, olhando para Cunha Rodrigues, para o senhor que lhe sucedeu e cujo nome lamentavelmente não me ocorre, e para o actual titular do cargo, não é de homens. Não é de nomes. Todos eles são excelentes pessoas e magistrados qualificadíssimos. Mas olhe-se para o sindicato, para os seus sindicalistas militantes, analisem-se as suas declarações públicas (basta ir ao respectivo site) e perceber-se-á o resto da história. O porquê das declarações. O problema é apenas de estatuto, de organização e de mentalidade. Tão simples quanto isso.

Um espectáculo degradante e que transmite uma imagem muito triste para fora do país.
Vivendo em Macau, não gosto nada de alguns comentários que ouço.
Mas, com exemplos destes, o que é que se pode esperar?
“perdi todas as ilusões que ainda poderia ter quanto ao papel que alguns dos seus membros desempenham”
Qual é esse papel, em sua opinião?
“O problema é apenas de estatuto, de organização e de mentalidade.”
Eu do pouco que vejo desse sindicato o que posso concluir é que se trata de uma força política aliada ao PSD, ala Pacheco Pereira. Mas pode ser uma impressão errada.
Pois pode.
Caro Sérgio, o timing parece-me compreensível, pois surge na altura em que no final de mais um interminável processo do MP, os procuradores, de forma inédita, vêm queixar-se de não ter tido tempo para cumprir toda a tramitação processual.
Pode ser polémico, como quase tudo que envolve declarações das mais altas instituições do país. O que me parece discutível, é que essas declarações desencadeiem leituras políticas inflamadas e, mais que isso, partidarizadas. Se o PGR não pode manifestar publicamente a sua opinião sobre a instituição que dirige, sem causar uma tempestade de Verão, mal vai o regime.
Concordo contigo que é um problema de cultura e de mentalidade. Basta olhar para o outro lado, para a vetusta instituição dos magistrados judiciais, para perceber que é possível manter o status quo sem mexer na nomenclatura.
Valha a Pinto Monteiro a virtude de levantar alguma poeira neste Estio que invade os comícios do Algarve. Onde parece que a água do mar nunca esteve tão tépida. Abraço e boa praia!