Sismo eleitoral


Luís Naves,

A Europa está a sofrer uma mudança radical. As causas são complexas, mas julgo ser claro que muitos eleitores pobres sentem alta ansiedade em relação à sua segurança económica e física. Sentem em perigo a sua identidade e têm conflitos com os vizinhos muçulmanos. Ontem, na primeira volta das eleições francesas, ocorreu um novo sismo, que deslocou um pouco mais as placas tectónicas da política europeia: a Frente Nacional, de extrema-direita, foi o partido mais votado. Um em cada três eleitores escolheu os nacionalistas. A política francesa tem agora três grandes blocos.

É difícil antever a segunda volta, por causa da abstenção elevada, mas se a direita republicana desistisse numa das regiões, isso equivalia a eleger o representante da extrema-direita. A fusão de candidaturas de esquerda com direita está afastada. Se houver muitas votações triangulares, é natural que a FN vença pelo menos em duas ou três regiões. A esquerda pode ganhar duas, os republicanos talvez seis ou sete, mas estamos à beira de algo de profundamente diferente, com possíveis consequências nas presidenciais, dentro de ano e meio. A FN é uma formação xenófoba, proteccionista e que quer limitar a emigração. Enquanto tinha 15 ou 16% dos votos, podia ser enfrentada como protesto. Com um em cada três votos, isso deixa de ser possível, daí a reacção cautelosa dos republicanos de Sarkozy e o nervosismo da esquerda, que na realidade foi trucidada.

O que se passou em França é sintoma de uma irritação mais vasta. Os conservadores eurocépticos venceram na Polónia e há sinais de rebeliões em outros países, por exemplo na Finlândia. A União Europeia sairá desta onda populista com um aspecto diferente, com escassa paciência para periferias incapazes de controlar a sua contabilidade, provavelmente a duas velocidades e com um núcleo duro que acelerará a integração. Teremos saudades dos tempos de Schauble e Merkel. Nos próximos anos, os políticos vão ouvir mais os seus eleitores ou arriscam-se a derrotas. A recente tentativa de criar uma política comum de emigração e asilo foi um erro que pode agora conduzir a reacções em que será pior a emenda que o soneto. As elites mediáticas também precisam de pensar mais nas respectivas sociedades, pois começa a ser patética a distância entre público e matéria publicada (e se as pessoas não o compram, o órgão de comunicação não existe).

35 comentários em “Sismo eleitoral”

  1. Não percebo a sua referência às periferias. Parece só um modo de poder dizer que a culpa (?) de os franceses votarem Le Pen é da crise de dívida portuguesa. A seguir vai dizer que um governo despesita em Portugal vai implicar um governo nazi no centro da europa.
    Ninguém se rala com o orçamento português fora de Portugal e das instituições europeias.
    Não me parece que a atual UE fosse um modelo para as periferias, veja-se o caso Grego.
    A França, a Finlândia e a Polónia não estão a atravessar exatamente períodos de prosperidade económica.
    “A tentativa de criar uma política comum de migração foi um erro”. Se nos portarmos como a extrema direita a Srª Le Pen não atinge o poder, mas estando lá as políticas dela também não faz diferença. A menos que interesse mais quem controla o poder do que o que é feito com esse poder.

    1. O que pretendo dizer é o que está escrito: não haverá tolerância para um país que se negue a cumprir as metas orçamentais da zona euro. A discussão agora é outra. Quem não cumpre vai pregar para outra freguesia.

      1. Isto até a França ou a Alemanha não conseguirem cumprir as ditas regras (como já aconteceu).

        Nessa altura inventam umas desculpas esfarrapadas e segue-se em frente.

        O que é curioso é que há pessoas, que não são nem alemães nem franceses, que compram esta mercadoria estragada e tentam impingi-la a outros.

        1. Gosto muito destes comentários de peito feito, infelizmente não passam de ilusão. “A França e a Alemanha não conseguirem cumprir as ditas regras” é um chavão errado que só confunde a opinião pública.

          1. Já falharam as duas as metas do défice. Por boas razões seguramente.

            Claro que sendo as regras feitas por elas, e para elas, é mais provável que elas as consigam cumprir.

            Mas não se iluda, Quando não lhes convier não as cumprem.

            Há uma diferença entre cumprir as regras e gostar delas, tal como há diferença entre desrespeitar os contratos e tentar alterá-los.
            Tenho para mim que limite dos 3% do défice não está inscrito na lei de Deus e que não é blasfémia propor alterações.

          2. Confesso que tenha falta de pachorra para repetir coisas básicas. Esta ideia de que as grandes potências não cumpriram as regras orçamentais não passa de um mito urbano e de uma ilusão. De facto, isso aconteceu com o pacto de estabilidade, mas no diagnóstico que fazem das suas dificuldades, o não cumprimento deste pacto é considerado a primeira causa da crise das dívidas soberanas. Daí que tenha sido criado o tratado orçamental, cujas condições só serão quebradas em casos de extrema necessidade, o que não é o caso da actual conjuntura portuguesa. Vamos cumprir as metas? Claro que vamos. Não há “leituras inteligentes” do Tratado Orçamental, há apenas um défice estrutural de 0,5% do PIB em 2018 e a redução regular da dívida pública a ritmo anual de 1,5 pp de PIB. Tudo o resto são fantasias.

      1. Para além de concordar plenamente que a Europa está a sofrer uma mudança radical… não resisto a comentar, este seu comentário…

        “O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento” Profeta Oseias.

        Uma grande verdade e, diz respeito à nossa responsabilidade individual de buscar o conhecimento e a Verdade, a respeito de Tudo e, enquanto vivermos. Suponho que, esta, seja uma daquelas épocas que estamos perecendo, ainda mais, por falta de conhecimento ou demasiado conhecimento em 2ª mão e, infelizmente, apesar do acesso, fácil, à informação, parece que provoca o efeito inverso, cada vez, gostam mais dela, “pré-mastigada”, “bem digerida”, bem explicadinha e, de preferência, com um “Chefe de Banda” que diga umas frases no megafone, para os respetivos seguidores as repetirem, à laia de papagaios 😉

        Tenho um grande vício… faço demasiadas perguntas. Aqui vai uma:
        Quantos migrantes, pode uma nação absorver, até que essa Nação deixe de ser o que era antes?
        Da Agenda 21, passamos para a 30, no entanto, este desejo de começar a acabar com, o conceito de Nação, tem sido bem visível, primeiro, passamos a europeus e depois a cidadãos do Mundo… parece tudo, cheio de boas intensões mas, como diz o povo… dessas, está o Inferno cheio.

        Depois vem a política, os da direita, os da esquerda, os que se juntam mais para um lado ou para o outro…
        Agora vou eu profetizar, não por ter algum dom mas, apenas, porque, também, gosto de puzzles ;)… Esquerda e Direita, tal como o conceito de Nação, também vão “passar de moda”… “pistas” que se podem encontrar na “Agenda” em 1997, 2002, 2012, 2015 portanto, como já em 1949, já havia quem fizesse previsões sobre o Futuro que, hoje, podemos comprovar, só posso ir deduzindo mais umas quantas. Basta procurar afirmações, de muitos que, sabendo muito mais, foram apenas, cada um, à sua maneira, apenas e só, mais um whistleblower da sua própria época que, num longo percurso de acontecimentos, vão comprovando a existência de um objetivo pré-programado e em contínuo desenvolvimento.
        Poderia dar uma lista mas, talvez um, daqueles que, até podem ter perdido a vida, por ter tido tamanha ousadia.
        O Congressista Larry McDonald que faleceu aos 48 anos, quando o avião KAL 007 foi abatido e dos 269 passageiros e tripulantes, ninguém sobreviveu.
        Muitas explicações pouco esclarecedoras mas, entre todos os passageiros só L.M. se destaca por ter feito um comentário:
        “The drive of the Rockefellers and their allies is to create a one-world government, combining supercapitalism and communism under the same tent, all under their control… Do I mean conspiracy? Yes I do. I am convinced there is such a plot, international in scopo, generations old in planning, and incredibly evil in intent”
        (A partir de 1 de Setembro de 1983 já não poderia acrescentar mais nada)

        Temos, também, acesso a alguns comentários dessa época:
        “There is a real question in my mind that the Soviets may have actually murdered 269 passengers and crew on the Korean Air Lines Flight 007 in order to kill Larry McDonald.” – Jerry Falwell, The Washington Post, September 2, 1983
        “He was the most principled man in Congress.” – Ron Paul, The Philadelphia Inquirer

        Entre a dúvida de ser um alvo e alguém a atestar a sua integridade… deixa-nos com vontade de continuar a questionar… sobre o Futuro que, muito provavelmente, continuará a ser conduzido por outros… no entretanto, vamos ficando entretidos com discussões supérfluas… do meu é melhor que o teu, o teu é pior que o meu… 😉

    1. Como o Luís Lavoura gosta de se fazer de parvo deixo-lhe um pouco da Bélgica:
      http://www.politico.eu/article/molenbeek-broke-my-heart-radicalization-suburb-brussels-gentrification/

      ataques às mulheres
      ataques ás lojas que vendem alcool
      tentativas de conversão

      “Over nine years, I witnessed the neighborhood become increasingly intolerant. Alcohol became unavailable in most shops and supermarkets; I heard stories of fanatics at the Comte des Flandres metro station who pressured women to wear the veil; Islamic bookshops proliferated, and it became impossible to buy a decent newspaper. With an unemployment rate of 30 percent, the streets were eerily empty until late in the morning. Nowhere was there a bar or café where white, black and brown people would mingle. Instead, I witnessed petty crime, aggression, and frustrated youths who spat at our girlfriends and called them “filthy whores.” If you made a remark, you were inevitably scolded and called a racist. There used to be Jewish shops on Chaussée de Gand, but these were terrorized by gangs of young kids and most closed their doors around 2008. Openly gay people were routinely intimidated, and also packed up their bags.
      I finally left Molenbeek in 2014. It was not out of fear. The tipping point, I remember, was an encounter with a Salafist, who tried to convert me on my street.
      (…)

  2. A recente tentativa de criar uma política comum de emigração e asilo foi um erro

    A mim parece-me que uma tal política é inevitável num espaço de circulação comum.

    Se um imigrante ou asilado pode circular livremente por todo o Espaço Schengen, então é óbvio que as políticas de imigração e asilo de cada um dos Estados têm implicações para todos, pelo que devem ser reguladas em comum.

    1. Não está em qualquer tratado a ideia de política comum de imigração e asilo. Nem podia estar. Cada país tem o direito de deixar entrar as pessoas que quiser e de resolver os seus problemas demográficos da maneira que quiser. Ora, nos meses da grande confusão, a Alemanha tomou decisões antes de consultar os seus vizinhos, nomeadamente aqueles por onde passava o fluxo migratório. Depois, tentou impor-lhes quotas de imigração, que eles não aceitam. Este é o centro do problema. Temos ainda as discussões internas dos países, por exemplo em França, onde a FN ganhou muitos votos à conta de ser o partido que mais contestou a ideia de abdicar da política nacional de asilo e imigração.

      1. E acrescento que em Portugal existe muita confusão entre políticas comuns e coordenação de políticas. Uma política comum de asilo e imigração deixa de pertencer aos estados membros e passa a ser uma responsabilidade das instituições europeias. Uma coordenação de política é uma responsabilidade conjunta. É evidente que coisas como fronteiras, asilo e imigração não devem deixar o domínio da coordenação. Na discussão de quotas, por exemplo, onde Bruxelas entrou claramente no espaço da soberania nacional, os países que exercendo o seu direito soberano resistiram à ideia de receber refugiados sírios, foram logo ameaçados com a perda de fundos estruturais. É justo misturarmos refugiados com auto-estradas? E na questão das fronteiras externas da UE, ainda mais sensível, uma coisa é haver ajuda da UE no controlo fronteiriço, como está a acontecer na Grécia, outra coisa quase inconcebível será o país em causa ceder o controlo da sua fronteira.

    2. O que está em causa é que aquela gente não tem lugar aqui na Europa, não é se podem circular ou não. Não pertencem a terras de liberdade: vão lá para Mordor ou Meca ou para o diabo que os carregue e podem levar consigo os comunistas que gostam deles e que pensam como eles.

  3. começa a ser patética a distância entre público e matéria publicada

    Isso é natural quando os media pertencem a uma elite económica que tem interesses diferentes dos de boa parte da sociedade.

    Em Portugal, como na Alemanha, é bem claro que os jornais pertencem quase todos a alguns grandes grupos empresariais, os quais têm interesses económicos divergentes dos da maioria da sociedade.

    Os jornais tentam endoutrinar o público nos interesses da elite económica, mas com crescente insucesso.

  4. “Teremos saudades dos tempos de Schauble e Merkel.”

    Schlaube e Merkel foram só uns dos últimos que provocaram isto.

    “onda populista”

    Então onda não populista é defender viver do dinheiro pedido emprestado, defender não pagar a dívida e ter Constituições que definem a gratuitidade progressiva de quase tudo na vida.
    E ter vivido durante 40 anos a aumentar a dívida porque a Ditadura “cinzenta” tinha deixado as contas sãs. Isso não é populismo.

    “elites mediáticas também precisam de pensar mais nas respectivas sociedades, pois começa a ser patética a distância entre público e matéria publicada”

    Basta usar a expressão “onda populista” para o demonstrar. Como se a nossa Constituição não fosse um hino ao populismo económico. Como se quando um jornal escreve que uma coisa é “grátis” quando não é a não ser para quem não paga impostos não fosse incentivar o populismo.

      1. Não pode limitar a emigração sem limitar a imigração.

        A menos que pense que o nosso umbigo é o centro do mundo e, por isso, os outros países tratarão sempre bem os nossos emigrantes, independentemente do modo como tratarmos os nossos emigrantes.

  5. Sr. Luís Naves:
    Por vezes nem nos apercebemos das contradições da nossa argumentação: «Teremos saudades dos tempos de Schauble e Merkel.»
    Saudades de quê?
    De nos terem conduzido a esse terrível cenário pior que o senhor antevê?
    E conduziram porquê?
    Por isto, por exemplo:
    http://ladroesdebicicletas.blogspot.pt/2015/12/finlandia-primeira-saida-da-zona-euro.html
    Que mais não é do que o fruto da rigidez da austeridade estúpida (repito, estúpida, por contraponto à austeridade inteligente, que poderia levar a bons resultados), que por sua vez é fruto de uma moeda disfuncional que serve a Alemanha e prejudica fortemente os restantes membros de uma comunidade que todos deveria servir.

    1. A Finlândia foi um dos países que mais defendeu as teses do ministro Schauble, de linha dura com a Grécia, logo a rebelião eurocéptica finlandesa não tem nada a ver com a “austeridade”, que a Finlândia não sofreu, mas com o facto de não ter havido (na óptica deles) grande respeito pela sua posição. Esta situação só reforça o meu comentário mais acima: não será provável, nos próximos anos, qualquer espécie de tolerância europeia com países periféricos que tentem não pagar as suas dívidas ou que apostem na viabilidade das saladas gregas.

          1. Quem desviou o argumento foi o senhor.
            Os meus 2 pontos são estes:
            1.º – Não se pode prescrever uma austeridade cega, que mate, que impeça de cumprir os objectivos para que foi criada.
            A queda do produto em 5,6%, as dificuldades em cumprir 3% do défice e o aumento da nossa dívida para 130% são 3 bons exemplos;
            A queda de 27% do produto na Grécia é outro bom exemplo.
            Quer saber o que é austeridade inteligente?
            A que foi imposta à Alemanha depois da GG, em que lhe foram dadas condições de pagar a dívida.
            Como se podem pagar dívidas monstruosas sem crescimento que o permita?
            2.º – Os países frágeis competitivamente (e de outros pontos de vista, recursos naturais e humanos, etc.) podem sobreviver e pagar as dívidas dentro do euro?
            ———————-
            P. S. A Finlândia fez austeridade auto-imposta, por isso se sentia no direito de a impor aos outros. E quer discutir a saída do euro, não por causa da austeridade mas por causa da falta de crescimento dentro do euro.
            O exemplo ao pé da porta é o sueco.
            Mas sobre isto o senhor «aos costumes disse nada».

    2. E tivemos a defesa do dumping e da especulação financeira pelo M.S. que acha que é perfeitamente legitimo desvalorizar o trabalho das pessoas por um Estado.

  6. Eleitores pobres? LOL.

    Ninguém quer viver numa república islâmica —com esses tarados ao lado— é tão simples quanto isso. Ninguém com juízo acredita em muçulmanos moderados porque isso simplesmente não existe. É como dizer que há comunistas democratas. Nem ninguém quer conviver com a esquerda que insiste em descaracterizar a Europa. Se houvesse um partido igual por cá, tinha uma votação semelhante. É claro que depois no parlamento a vontade popular não é respeitada, mas isso é outra conversa. Vão tentar a mesma golpaça em França: abafar a genuína vontade popular através de um falsa representatividade “directa” (númerica decerto, mas a representatividade desse número é falseadas pelas “listas” e pelos métodos de contagem) dos parlamentos balofos das Repúblicas manietados pelo mais básico autoritarismo partidário. Nessa altura veremos se Sarkozy é um bandalho cobarde e alinha com os socialistas para impedir um partido mais votado de cumprir o seu mandato popular ou um democrata que respeita o plebiscito seja ele qual for.

  7. É o que falta em Portugal !

    Um partido que defenda os interesses de Portugal e dos portugueses, que não se vergue ao Neo-Comunismo económico da TINA, que não ceda aos interesses do capital que parasita o Estado, que não obrigue os contribuintes a pagar os prejuízos das empresas privadas parasitas da economia seja de forma directa ou indirecta.
    Que seja composto por pessoas de bem, sem mácula na vida publica, que não esteja ao serviço de interesses obscuros, que privilegie acima de tudo a rectidão, a lealdade, o serviço á Pátria e aos seus compatriotas…

    «Devo à Providência a graça de ser pobre: sem bens que valham, por muito pouco estou preso à roda da fortuna, nem falta me fizeram nunca lugares rendosos, riquezas, ostentações. E para ganhar, na modéstia a que me habituei e em que posso viver, o pão de cada dia não tenho de enredar-me na trama dos negócios ou em comprometedoras solidariedades. Sou um homem independente. Nunca tive os olhos postos em clientelas políticas nem procurei formar partido que me apoiasse mas em paga do seu apoio me definisse a orientação e os limites da acção governativa. Nunca lisonjeei os homens ou as massas, diante de quem tantos se curvam no Mundo de hoje, em subserviências que são uma hipocrisia ou uma abjecção. Se lhes defendo tenazmente os interesses, se me ocupo das reivindicações dos humildes, é pelo mérito próprio e imposição da minha consciência de governante, não por ligações partidárias ou compromissos eleitorais que me estorvem. Sou, tanto quanto se pode ser, um homem livre. Jamais empreguei o insulto ou a agressão de modo que homens dignos se considerassem impossibilitados de colaborar. No exame dos tristes períodos que nos antecederam esforcei-me sempre por demonstrar como de pouco valiam as qualidades dos homens contra a força implacável dos erros que se viam obrigados a servir. E não é minha culpa se, passados vinte anos de uma experiência luminosa, eles próprios continuam a apresentar-se como inteiramente responsáveis do anterior descalabro, visto teimarem em proclamar a bondade dos princípios e a sua correcta aplicação à Nação Portuguesa. Fui humano».

  8. Diz quem tem razão:

    Os muçulmanos queixam-se da falta de mesquitas em França…

    No entretanto:

    ” Magnatas da Arábia Saudita manifestaram a intenção de financiar a construção de mesquitas na Noruega, em montantes de vários dezenas de milhões de euros…
    ” Porém o Ministério N. Estrangeiros não só não aprovou o financiamento com resposta ao Centro Islâmico Tanfiq que seria: – ” Paradoxal e contra natura aprovar apoios financeiros oriundos de países que não acatam a liberdade religiosa….

    ….

    Segundo consta vão ser erigidas mais mesquitas em Lisboa…

    1. Pois, mas os governantes noruegueses ainda têm alguma coluna vertebral. Os nossos são quase todos retornados e não têm nenhuma.

  9. Já defendia e vejo confirmado que a dialéctica esquerda/direita está fora de moda e cada vez atrai menos eleitores(uns abstém-se) outros votam FN. Esta de numas eleições haver uns iluminados que decidem quem é que votou bem ou valido e quem é que votou ilegal ou errado deves ser catalogado na secção das mistificações ou anedotas. Os franceses votaram e escolheram assim, como se vê por toda a UE os partidos certinhos, estão a ser substituídos por vários, porque os eleitores já não acreditam em holandinhos e preferem sem medo votar mais perto do que pensam.

  10. “As elites mediáticas também precisam de pensar mais nas respectivas sociedades, pois começa a ser patética a distância entre público e matéria publicada (e se as pessoas não o compram, o órgão de comunicação não existe).”

    Sobre isto não existe melhor exemplo recente que o habitual título enviesado da notícia no Expresso e os comentários sarcásticos ao dito.

    Título do Expresso: França acorda em Choque
    Comentários: Zombies e Extraterrestres votaram em França e deram a vitória à FN.

    http://expresso.sapo.pt/internacional/2015-12-07-Vitoria-de-Marine-le-Pen-nas-regionais.-Franca-acorda-em-choque

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