Não penso ser possível fazer justiça a Sean Connery num par de parágrafos – por isso nem o vou tentar.
Considero a mais eloquente prova do talento de Sean Connery o facto de, apesar de ter sido o primeiro (e para muitos, incluindo este escriba, o melhor) James Bond, ter conseguido que isso fosse apenas uma das alíneas de um invejável currículo. Filmou com grandes realizadores como Sidney Lumet, Brian de Palma, Hitchcock e Spielberg. Representou um personagem de Umberto Eco. Participou em clássicos como Um Crime no Expresso do Oriente; épicos como A Bridge Too Far; bizarrias como Zardoz; pequenas preciosidades como Robin and Marian; falhanços como The Avengers e atrocidades como The League of Extraordinary Gentlemen. No fim disto tudo, recordo muitos grandes filmes, vários maus filmes que ele não conseguiu salvar – mas nenhum que tenha sido mau por causa dele. E possuía a saudável auto-estima para, depois de ter sido este:

(imagem promocional de Goldfinger)
fazer um filme nestes preparos:

(Zardoz)

Esse o Zardoz parece uma prequela do Borat
Brincadeiras à parte, partiu um bom actor que será lembrado e visto muitos nos depois de deixar este lado da vida. RIP
Zardoz é um filme cuja escrita deve ter sido feita com o auxílio de muitas e variadas substâncias “estimulantes”.
Devia ter ganho o Óscar de Melhor Guarda-Roupa.
Ou William of Baskerville n”O Nome da Rosa”, ou Juan Sanchez Villalobos Ramirez no Highlander, ou William Forrester em Finding Forrester, ou Daniel Dravot em The Man Who Would be King, ou Bart Blair em Ths Russia House, ou… era um actor carismático e um cavalheiro extraordinário.
Juan Sanchez Villalobos Ramirez, um egípcio com nome espanhol mas sotaque escocês. Curiosamente, num filme cujo personagem principal, escocês, tinha sotaque francês.
O Bond, não aquela coisa travestida de agora.
Zardoz é um filmaço. Que obra.
Intocáveis, Highlander, O Rochedo, Rising Sun, A Casa da Rússia, Caça ao Outubro Vermelho, e O Homem que queria ser rei.
Recomendo.
Como li algures, vários festivais de cinema podiam ser feitos com a boa filmografia de Sean Connery (e até com alguma da má).
E o Henry Jones Sr. a primeira vez que o vi no cinema. Uma daquelas interpretações que se diz que “rouba cada cena em que entra”, e grande química com Harrison Ford.
É verdade. Tenho uma relação complicada com esse filme, ao qual sempre achei faltar algo para estar ao nível dos dois primeiros, mas o trabalho dos actores é impecável.
O melhor Bond, sem dúvida. Os outros filmes mostraram que era muito mais que o 007. Destaco O Nome da Rosa, Os Intocáveis e A Casa da Rússia.
Pelos acasos da vida, nunca vi A Casa da Rússia. Está na lista mas… vai passando.
Porque será que ninguém fala num filme que se chamou “Entre estranhos e Amantes” com uma interpretação fabulosa? Está esquecido por ser actor secundário? Gostei muito e tenho o filme.
Alguns filmes, por uma razão ou outra, passam despercebidos. Blade Runner, por exemplo, que agora é tão homenageado, demorou vários anos para ser reavaliado após uma recepção bastante morna. Talvez a morte de Sean Connery leve a que alguns títulos sejam redescobertos.
Vamos lá ser sinceros. O homem tinha um carisma do caraças. E uma presença magnética. Mas como actor era mediano.
Basta revisitar 5 filmes aleatórios e parece que está a interpretar a mesma personagem. Os tiques são os mesmos, o método é o mesmo, nada de transformação. A variação é mínima.
Sim, ganhou um Oscar. Ganhou porque tinha de ganhar, foi mais um prémio de carreira do que um tributo à sua performance. Nesse ano, Denzel Washington teve uma prestação fantástica por Cry Freedom, talvez mais merecedora do galardão que Connery. Mas nada contra, é um monstro do cinema e Denzel teria, como teve, outras oportunidades. Já Connery, dificilmente.
Num top ten dos melhores actores, nem de perto lá estaria.
Já num de carisma e presença, provavelmente até estaria no top 3.
Mediano? Não era um Lawrence Olivier, nem ninguém o acusaria disso, mas era um bom bocadinho acima de mediano. É mais fácil percebê-lo nos filmes de menor dimensão do que nos filmes de maior orçamento, onde a presença de uma estrela reconhecível importa mais na garantia de retorno do investimento.
Aceito a sua opinião em relação ao Oscar: sendo um bom personagem e uma performance segura, não terá sido algo de extraordinário e é um facto de cultura geral que houve um enorme esforço de relações públicas por detrás da nomeação. Contudo, os Óscares também valem o que valem. Só para dar três exemplos: Hitchcock e Sidney Lumet nunca receberam o de melhor realizador, e Peter O’Toole nunca recebeu o de melhor actor.
Por carolice fiz um top 50 à pressa. E não cabe lá.
Mas é a minha opinião, claro.
Até me atrevo a dizer mais, se não tivesse sido o primeiro Bond, duvido que fosse universalmente considerado o melhor, como é.
A minha análise prende-se apenas com o facto de lhe ser difícil mudar de registo. De inovar, de se transformar. Por vezes, ao ver filmes de Connery com 20 anos de intervalo entre eles, só noto diferença na idade, de resto é tudo muito semelhante.
Mas ok, a minha opinião é discutível, tenho noção disso. A mesma opinião tenho de Jack Nicholson. Outro consagrado que não sai daquele registo. São actores que têm os limites artísticos muito curtos.
Mas adoro Connery, não me interprete mal.
Só não explicou qual o interesse disto?
Estou a ver que ele morreu, mas um dia todos morremos, e isso não tem de ser noticia pois é normal.
Quando querem que vejamos algo, em principio é porque não tem interesse. Assim ficamos ignorantes, isso interessa.
nem sei porque ri, mas foi o que aconteceu ao ver a foto do Zardo.
E a mais assustei-me logo no inicio quanto vejo anunciado nao ser possivel resumir em 2 linhas, imaginando que teria um interminavel para ler.
Por outro lado, certamente politica do gerente do Sapo, elege obitos, quando a vida , e julgo o Delito, sao mais animados que isso.
Não sabe porque se riu com a fotografia? Eu não sei o que não há para rir ali, a começar na trança e a acabar nas botas. E se se riu com a fotografia, vai rir-se muito mais com o filme – algo que seguramente foi criado em várias sessões de LSD.