Nos tempos que correm é particularmente difícil que um candidato às eleições internas de um partido nos entusiasme: se já lhe conhecíamos a cara, não passa de “mais do mesmo”; se nunca o tínhamos visto, então é certamente alguém à procura de protagonismo, sem ideias nem tino.
João Nogueira Santos, o quarto candidato à liderança do PS, e que reconhece à partida não ter hipóteses, cai facilmente na segunda categoria. Talvez até o mereça, a ver vamos, mas as suas ideias merecem um pouco de atenção.
Foi há poucos meses que o ouvi expor as suas propostas e achei-as desde logo um bálsamo, uma perspectiva diferente, realista e ao mesmo tempo positiva, para o futuro da democracia. Nogueira Santos formou um movimento, “Adere vota e intervém dentro de um partido”, no qual desafia os cidadãos a fazerem mais do que esperar passivamente as mudanças que entendem dever ocorrer. Esta ideia poderá parecer simples – quiçá simplista – mas identifica com precisão aquela que é a maior falha da nossa democracia: nós. Este diagnóstico vai mais longe do que a avaliação simplista que afirma que os nossos políticos são a nossa imagem. É mais específico, e sobretudo mais irrefutável. Nas últimas décadas, uma vez findas as paixoes de Abril, os cidadãos foram-se progressivamente alheando da actividade partidária (e da cidadania), deixando os partidos (designadamente os do Centrão) vazios de ideias novas, a saque dos chamados políticos profissionais que agora vemos a controlar a actividade partidária. E este comportamento foi-se auto-alimentando. À indiferença dos cidadãos para com os partidos, assim que começou a jorrar o dinheiro de Bruxelas, seguiu-se o desencanto, quando a torneira fechou, assim deixando os partidos controlados por uma minoria não representativa da sociedade-civil. Tudo isto perante o beneplácito passivo dos eleitores, que, embora cada vez mais descontentes, optaram por intensificar, em lugar de inverter, o êxodo dos partidos e da cidadania. A pergunta que o João Nogueira Santos coloca resume-se assim: como podemos criticar os candidatos que nos apresentam, como podemos afirmar que nenhum presta, se nos recusamos a levantar do sofá e intervir? É uma pergunta a que é difícil ficar indiferente.

Se bem me recordo, Francisco Assis (IMHO infinitamente superior ao Tozé, isto apesar da sua fidelidade a Sócrates – ao que constou, um tanto contrariada e assente na lealdade) tinha proposto que não filiados no PS pudessem participar nas orientações do partido e na eleição do Secretário Geral, mediante uma simples inscrição como simpatizantes, mas claro que o Tozé, cujo aparelhismo é bem conhecido, se opos ferozmente a essa ideia.
Aí está…