
Quem, como eu, acredita nos benefícios de uma economia de mercado, está disposto a consentir algum aumento das desigualdades económicas numa economia pujante. Com efeito, numa economia em crescimento é normal que aqueles mais capazes usufruam em maior proporção dos benefícios. É um mal menor.
Numa economia em ajustamento, todavia, dever-se-ia observar o oposto. Sobretudo numa economia marcada por um nível de desigualdade económica elevadíssimo entre as economias avançadas, como é o caso de Portugal, uma realidade confirmada através de vários indicadores.
À já existente desigualdade dos rendimentos do trabalho vêm juntar-se o aumento do desemprego e a perda de outros direitos. Algumas destas medidas, nomeadamente no mercado laboral, são, entenda-se, necessárias. Todavia o mínimo que se pode exigir ao Governo é que mais do que as compense com medidas e incentivos no sentido de corrigir o rendimento dos mais ricos. É imprescindível fazer diminuir a promiscuidade entre o Estado e o sector privado (um mal bem português), criar mais incentivos à iniciativa privada, melhorar a educação, reduzir a burocracia, aumentar a eficácia da máquina tributária… A lista é infinita, e, por necessárias que sejam algumas medidas que incidem sobre os mais pobres, é nas verdadeiras medidas estruturais que está a chave para contornar a crise.
Nada está, em todo o caso, perdido: é sabido que as reformas estruturais demoram a fazer efeito e o Governo (ou a Troika) tem tomado medidas corajosas. Porém, é desde já pouco animador o facto de, segundo um estudo (relativamente) recente da Comissão Europeia, Portugal ser o “único país (dos seis analisados) onde as medidas de austeridade foram mais fortes para os mais pobres do que para os mais ricos”. A isto juntam-se alguns sinais preocupantes, entre os quais a recente questão pouco edificante da EDP.
Exemplos destes fazem deste Governo parecer muito pouco liberal. E isto não é um elogio.

Este Governo que não é nem nunca foi liberal não está a fazer nenhuma reforma estrutural. Isso seria mudar o papel do Estado.
Coisa que colocaria em risco o poder da Direita Socialista. Que são o PSD e CDS.
O Estado continua a aumentar.
Um programa para a adopção de funcionários publicos com respectivo desconto nos impostos pelo privado não existe.
Na venda de qualquer EP o dinheiro deveria ir directo para os contribuintes. Não foi, foi directo para os políticos continuarem a comprar votos.
“reduzir a burocracia” – Como!? se todos os grupos parlamentares se auto elogiam pela quantidade de trabalho feito = número de propostas de lei?
Atente-se ainda na sua contradição:
“aumentar a eficácia da máquina tributária”
Então quer dar mais poder ao Estado, tirar dinheiro da Economia Livre para colocá-lo na Economia Política.
Meu caro, eu disse “aumentar a eficácia da máquina tributária”, não dissse “aumentar a máquina tributária”. Aumentar a eficácia permitiria no futuro diminuir a dimensão da mesma.
Quanto ao resto concordo consigo, embora ainda mantenha alguma esperança neste Governo…apesar de tudo há algumas medidas corajosas que estão a ser tomadas.
Normalmente quando se utiliza essa expressão quer-se na verdade dizer: sacar mais impostos.
Foi nesse sentido a minha crítica.
Quanto ao sucesso da política deste Governo é só olhar para a Dívida a aumentar. Já devemos pagar em juros o mesmo que o Orçamento da Saúde.