Sinais


Teresa Ribeiro,

Notícias como esta, que por norma se multiplicam sempre que se prenuncia o fim de um ciclo político têm, neste contexto de crise, o condão de acentuar a nossa percepção da decadência do regime, o que é preocupante. A História já provou que o desencanto é um perigo em democracia, pois que é por essa porta que entram os partidos messiânicos e respectivos messias. Mas se a memória nos servir para alguma coisa e estes 35 anos de democracia contribuíram ao menos para nos amadurecer como cidadãos, talvez todo este lavar de roupa suja se revele como uma catarse a partir da qual se possa redesenhar a democracia que temos.

Não acredito na capacidade de auto-regeneração dos partidos, já que eles próprios são o mais refinado produto do sistema, portanto as mudanças terão de partir de uma sociedade civil mais participativa, que exija dos políticos mais competência e seriedade.

Não sei o que deu origem à notícia que o João Campos destacou aqui em baixo. Geralmente notícias como esta partem de uma denúncia. Se assim foi, terá sido feita por despeito, ou indignação? Gostava de saber, porque no caso faz toda a diferença. Também gostava de saber se esta história será devidamente acompanhada pelos jornais até ao fim, porque também não é indiferente. Continuará a ser tudo isto inconsequente, ou poderá ser já identificado como um sinal de maior envolvimento na coisa pública?

Fomos infantilizados durante quase 50 anos pelo salazarismo, seguiram-se estes 35 anos de adolescência. Gostava de saber se já estamos em condições de entrar na idade adulta e assumir as nossas responsabilidades, começando por pegar nestes partidinhos pelo colarinho e obrigá-los a governar em vez de se governarem.

5 comentários em “Sinais”

  1. “Fomos infantilizados durante quase 50 anos pelo salazarismo, seguiram-se estes 35 anos de adolescência”

    Como assim adolescência ?

    Olhe bem á sua volta, tem a certeza de que os Portugueses já lá chegaram ?

    “Gostava de saber se já estamos em condições de entrar na idade adulta e assumir as nossas responsabilidades”

    Afinal, concordamos, a Senhoras gostava de o saber. Lamento mas creio já o sabe. E repito, olhe bem á sua volta.

    Temos pena, claro que sim, foi o Pais que fizemos e não como muitos enchem a boca a dizer, o Pais que temos.

    O Pais que fizemos, por acção ou por omissão. A esmagadora maioria será pela segunda, claro está.

    Parabéns pelo Post. Faz lembrar a Cristina Ferreira de Almeida.

  2. Não sei se será verdade, mas assumo que sim.
    Por isso mesmo, ainda bem que o dizes, Teresa, e da forma como o fazes.
    A mim quer-me parecer que isto não tem cura. Está-lhes na massa do sangue.
    O João Campos assinalou-o e, de facto, já não há paciência para isto.
    Estes casos repetem-se ano após ano em todos os partidos (embora no Público não seja bem assim, atento o facto destas peças virem invariavelmente assinadas por José António Cerejo, jornalista que parece ter dificuldade em diversificar as suas fontes).
    É a sina deste País. Uma triste sina.

    1. Sérgio, cada vez mais me convenço que a solução para isto só pode sair de uma sociedade civil mais forte e mais empenhada. Somos nós que temos que lhes dar a vacina, vigiando-os e cobrando-lhes os serviços para que foram eleitos. Espero que a crise ao menos sirva para mudar a atitude, sempre tão passiva, dos portugueses.

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