Reparei, na folha que acompanha a última factura de televisão, numa referência a um novo reality show que, de acordo com o que se diz, “é o espectador que controla a vida dos concorrentes e decide tudo o que se vai passar”.Terá início em Setembro no cabo e na internet.
Não discuto o impacto que este tipo de programas tem tido na luta pelas audiências. A possibilidade de influenciar a vida de alguém, através de um simples telefonema; a sensação de controle que se poderá ter ao poder, a qualquer momento, observar aquelas pessoas que até há dias atrás não conhecíamos mas sobre as quais sabemos agora tanta coisa… é, surpreendentemente, algo a que se adere com a maior das facilidades.
Mas há que alimentar as audiências, dando-lhes produtos cada vez mais sofisticados, aumentando mais e mais esse controle. Neste novo programa não é o comportamento dos concorrentes que é observado. Aqui ele é determinado de fora, conferindo a quem está do outro lado, sentado em casa, o poder de mandar. A definição de espectador não servirá mais para designar este novo conceito.
De um ponto de vista teórico, a questão parece-me interessante.
Mas, na prática, quando ontem vi o vídeo de apresentação do dito programa, não pude deixar de pensar no sentido de tudo isto. E até agora ainda não consegui perceber o que levará alguém a inscrever-se num programa que o transforma num boneco. Nem o que levará alguém a querer jogar um jogo com sims de carne e osso.

É exactamente o mesmo que os fama show’s e todos os outros programas baseados em seguir pessoas Cada um a seu nível claro, mas não passa tudo de espectadores a quererem fugir da sua vida, vivendo a dos outros.
Seja ir ver a casa de uma celebridade qualquer (que é celebridade por o ser e mais nada) ou seguir um programa em que se vê uma outra 24h por dia (celebridades igualmente criadas pela tv, como as dos programas tipo “fama”) é pouca a diferença.
E dar aos espectadores mais poder para se sentirem cada vez mais que são eles.. melhor.. mais triste, mas melhor..
Sim é verdade que é mais do mesmo mas talvez num outro patamar. E na realidade todos nós, mesmo não consumindo esse tipo de notícias, não resistimos a ler determinadas revistas, por exemplo, quando estamos à espera num consultório. Faz parte do que é o ser humano. Já intervir directamente no comportamento de alguém parece-me até arriscado.
Eu já li o Genesis várias vezes e também não consegui perceber. Deixa lá, et benedixit Deus diei septimo et sanctificavit illum…
Mas hoje já é segunda-feira!
Leste o Genesis várias vezes? E sempre ao domingo?
O sétimo dia é sempre que um homem puder. O:)
Sim, li-o muitas vezes em qualquer dia da semana, mas o único efeito que lhe reconheço é a angústia causada pela injustiça com que os humanos em geral e os meus conterrâneos em particular tratam as serpentes.