Simples proposta para o nosso ensino


joaomsandre,

No início do novo ano escolar surgem sempre novas propostas (além do caos a que este governo nos habitua, deve ser ritual de passagem). Este ano é a oferta do ensino do mandarim como língua estrangeira a partir do 10º ano e o inglês como obrigatório a partir do 3º.

 

Nunca tenho nada contra estas ideias (embora eu oferecesse o mandarim mais cedo, considerando a sua complexidade), mas espero um dia ver uma simples medida: manter por um lado a matemática e uma disciplina geral de ciências (física, química, biologia) nas áreas de humanidades; e manter filosofia e literatura/história nas áreas de ciências.

 

Num país onde muitos licenciados/mestrados não sabem argumentar e não conhecem história, e onde as pessoas com formação em humanidade são frequentemente completamente analfabetas cientificamente, estas medidas só poderiam enriquecer o nosso futuro. 

0 comentários em “Simples proposta para o nosso ensino”

  1. Inteiramente de acordo com as tuas sugestões, João. A interdisciplinidade é fundamental para o conhecimento global. Cada vez mais.
    De acordo também com a necessidade de iniciar muito mais cedo a aprendizagem da língua chinesa: quanto mais cedo começar melhor, dadas as características do idioma, designadamente na versão escrita.
    Propostas que deviam ser lidas com atenção pelos burocratas da 5 de Outubro.

    1. É precisamente pelo lado da escrita que penso nisso Pedro. Mas OK, não vou apontar o dedo ao ministério: tem que se começar por algum lado e é mais simples iniciar assim o processo.

      Só me parece que a oferta do mandarim vem tarde. A influência da China no médio a longo prazo irá diminuir. Pura e simplesmente não têm a natalidade suficiente para evitar o choque que aí vem.

  2. Filosofia e Português já existe no agrupamento de Ciências Naturais; o que faz falta neste agrupamento é uma disciplina de História, que devia, aliás, ser obrigatória em todos os agrupamentos.

    1. Confesso que não conheço em detalhe os currículos actuais. Quando andei na escola tive de facto Português e Filosofia até ao 11º ano. História estava realmente ausente. Não me lembro das outras áreas, no entanto.

      A minha proposta seria para todas as áreas e muito sinceramente gostaria de ver universidades a avançar pelo mesmo caminho (mesmo que as disciplinas não nucleares – filosofia em engenharias, por exemplo – não contassem para a média).

      Quanto aos temas nas disciplinas, aquilo que faz é descentralizar o ensino do mundo português. Mais uma vez não conheço os currículos actuais, mas tenho a sensação que a literatura continua a ser muito luso-cêntrica e a história ignora o resto do mundo (especialmente a Europa, que tanto influenciou a história portuguesa).

  3. De acordo. A interdisciplinidade deixaria de cortar as pernas a muito jovens quando chegam ao fim o secundário, só porque aos 14/15 anos foram obrigados a escolher entre opções limitadas sem maturidade ou conhecimento suficiente.

      1. Esse, desde logo, o de criar “pessoas mais completas”, bem deveria ser acarinhado. Mas – a menos que de facto tal (ou tais) disciplina não conte para efeitos de avaliação, o que condenaria o seu ensino e estudo à irrelevância do seu conteúdo e à chacota do seu docente – a coisa parece-me improvável.

        Do lado do poder público o desejo é o de conter custos a todo o custo e melhorar, a todo o custo, as estatísticas da educação. E reduzir o grau de exigência é uma excelente forma de o fazer (e Bolonha ajudou muito: afinal já se é dr., e suponho que eng., com três anitos de passagem mais ou menos leve por uma escola superior; ora por absolutamente inútil e vácuo de substância – além de abusivo – que o título seja, ele é objectivo sagrado por cá).

        Do lado dos estudantes, de, arrisco, uma larguíssima percentagem dos estudantes (e dos seus papás), o objectivo – cá está… – é o diplomazinho, tão depressa e facilmente quanto praticável, interferindo não mais do que o absolutamente inevitável com o que de facto interessa: das noitadas ao facebook . Nas idades mais infantis parece até que não é raro que pai ou mãe, num estremecimento de ternura pela sua prole (e no intervalo da “bola”, da novela ou de um programa matinal ou vespertino da televisão), se dedique à ameaça – ou mais do que isso – à integridade de pessoa ou bens de quem ouse admitir a hipótese de chumbo (ou retenção, ou lá o que agora se chama) do seu frágil, desvalido e injustiçado rebento

        Como parece que está muito bem assim e, depois da tão cantada primeira, vamos gloriosamente rumo à segunda geração “mais bem preparada de sempre”, não me parece que o que sugere alguma vez se concretize. Porque afinal, não dá votos.

        Que é o que interessa.

        Costa

  4. Que tal deixar existir a diferença?
    Em vez de proibir a liberdade no ensino pela força do Estado como acontece hoje?

    Desse modo já se poderia teria tentado o que está a dizer. Assim o ensino continua no início do Estado Nação.

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