Sir Humphrey Appleby – Um bom discurso de um ministro nunca é aquele em que ele fala verdade. É aquele em que ninguém pode provar que mentiu.
Bernard Woolley – O Pete [autor dos discursos do ministro] fez um bom trabalho, mas é possível que tenha aborrecido o auditório.
Sir Humphrey – Claro que aborreceu! Chateou-os mortalmente. Deve ter sido um pavor ter que ouvir aquilo.
Bernard – Mas…
Sir Humphrey – Os discursos dos ministros não se destinam a quem os ouve.
Bernard – Não?
Sir Humphrey – Discursar é só uma formalidade. Para que a imprensa divulgue o que se diz. Não escrevemos textos a pensar num comediante que vai entreter o público… um comediante profissional, pelo menos. O que interessa é que esse discurso diga as coisas certas.
Bernard – Mas tem que ser em público?
Sir Humphrey – Claro que sim. É fundamental. Depois de o discurso ser tornado público, o ministro fica obrigado a defender-nos em todo o lado.
Bernard – Mas ele defende-nos sempre.
Sir Humphrey – Só até certo ponto, Bernard. Quando alguma coisa corre mal, o instinto de um ministro é dizer mal de quem trabalha com ele no ministério. Por isso escrevemos-lhe discursos destinados a prender-lhe as calças ao mastro.
Bernard – Quer dizer que lhe prende a bandeira ao mastro…
Sir Humphrey – Não, prende-lhe as calças. Assim já não pode descer de lá.

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