Sim, Senhor Ministro (16)


Pedro Correia,

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Sir Humphrey Appleby, secretário-geral vitalício do ministério – Temos que pagar um preço porque queremos fingir que somos europeus. Compreendo a sua hostilidade em relação à Europa.

Ministro dos Assuntos Administrativos, Jim Hacker – Não. Eu não sou como você. Sou pró-europeu, só sou anti-Bruxelas. Chego a pensar que, pelo contrário, você é anti-Europa e pró-Bruxelas…

Sir Humphrey – Não sou pró nem contra nada. Sou apenas o humilde receptáculo em que os ministros depositam o fruto das suas deliberações. Mas podemos sempre argumentar que, face ao absurdo do ideal europeu, Bruxelas faz o que pode para defender o indefensável.

Ministro – Não é verdade! Não quero parecer pomposo, mas o ideal europeu é a melhor maneira de combatermos os egoísmos nacionais.

Sir Humphrey – Isso não parece pomposo, é apenas incorrecto.

Ministro – Oiça, “modesto receptáculo”: a Europa é uma comunidade de países dedicados a um objectivo comum.

Sir Humphrey – [Ri-se] É um jogo de interesses nacionais, sempre foi assim. Porque pensa que entrámos nisto?

Ministro – Para fortalecer a fraternidade das nações ocidentais.

Sir Humphrey – Não. Entrámos na CEE para tramarmos os franceses, afastando-os dos alemães.

Ministro – E porque é que os franceses entraram?

Sir Humphrey – Para proteger os ineficazes agricultores deles contra a concorrência.

Ministro – Isso não se aplica aos alemães…

Sir Humphrey – Esses entraram para se limparem do Holocausto e serem readmitidos na espécie humana.

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