Sim, Senhor Ministro (10)


Pedro Correia,

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Sir Humphrey Appleby – Bernard, o país é governado a partir das decisões que apresentamos aos ministros, não é?

Bernard Woolley – Claro que sim.

Sir Humphrey – Repare: se eles estivessem ao corrente dos factos, encontrariam neles inúmeras possibilidades e talvez até começassem a traçar planos próprios em vez de escolherem entre os dois ou três que nós elaboramos.

Bernard – Isso teria importância?

Sir Humphrey – Sim. Enquanto pudermos ser nós a elaborar as propostas, podemos orientá-los na direcção correcta.

Bernard – Podemos? Como?

Conselheiro amigo de Humphrey – É como um ilusionista. O truque das três cartas. Você sabe como é: dizemos para escolher uma e conseguimos que acabe por escolher aquela que nós queremos. O nosso truque é o das quatro palavras.

Sir Humphrey – Há quatro palavras sempre prontas a incluir numa proposta que o ministro acabará por aceitar.

Conselheiro – Rápido, simples, popular, barato. E há quatro outras palavras que levam qualquer proposta a ser rejeitada…

Sir Humphrey – … Complicado, moroso, caro, controverso. E, para termos a certeza de que ele não aceita mesmo, devemos dizer que a decisão é corajosa.

Bernard – É pior ser corajosa do que ser controversa?

Sir Humphrey – “Controversa” significa apenas que o fará perder votos.

Conselheiro – Se eles estiverem a par de todos os factos em vez de estarem apenas ao corrente de algumas opções, são capazes de começar a pensar pela própria cabeça.

Bernard – E este sistema funciona?

Sir Humphrey – Claro que sim! Fez da Inglaterra o que é hoje.

0 comentários em “Sim, Senhor Ministro (10)”

  1. No jornalismo é o mesmo.

    Com a Esquerda no poder os adjectivos descansam nas redacções.

    Quando a Direita(ou o que se chama Direita) chega ao poder os artigos passam a ter adjectivos como “polémico”, “controverso”, “caso”, “conflito”.

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