Silly Con Valley


Rui Rocha,

Vamos lá ver. A realização do Web Summit em Lisboa é obviamente uma excelente notícia (excepto para algumas almas que vivem por aí atormentadas com as nefastíssimas consequências de um dramático excesso de turistas). Venham todos os anos, venham muitos, venham outros, todos os que pudermos trazer. Venham a Lisboa, venham a Fátima pelo 13 de Maio e assim viessem a Vilar de Perdizes pelo Halloween (temos provavelmente melhores condições naturais e recursos mais qualificados para Summits da crendice do que da tecnologia mas falta-nos um estudo do Porter que nos diga isso) e a Torres Vedras pelo Entrudo. O resto, os olhinhos arregalados com as startups condenadas em mais de 90% dos casos a não completarem sequer dois anos de vida, a devoção aos empreendedores na condição de que nunca se tornem empresários, os comandos sem pilhas para ligar o Galo de Barcelos, o deslumbramento pateta do discurso que afirma que o bicho faz a ponte (a potne, diria o Medina) entre o passado e o futuro porque tem luzinhas que se ligam à noite, o Costa com a testinha a brilhar das pequenas gotículas de entusiasmo enquanto esfrega as mãozinhas já a antecipar impostos que nunca virão, o aproveitamento político, o jornalismo que nos entretém com as curiosidades do número de pratos de peixinhos da horta servidos em 4 dias, os cartazes municipais com mensagem e com erros, a crença de que um evento desta natureza catapultará o país definitivamente para a vanguarda da tecnologia, enfim, tudo isso são episódios felizmente menores e não surpreendem. Afinal, todos sabemos que estamos mais próximos de sermos um Silly Con Valley, com colinas e tudo, do que outra coisa.

3 comentários em “Silly Con Valley”

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