Sexta-feira


Teresa Ribeiro,

Acordou com aquela vozearia na cabeça e a boca a saber a castanhas. A Fátima Campos Ferreira fez ali muita falta, pensou a sorrir da sua própria piada, ao lembrar-se da confusão do jantar da véspera. Que horas serão? Espreguiçou-se, ainda deitada e com os onze metidos com ela entre os lençois a interromper-se, a provocar-se e a trincar castanhas. Já estamos quase a fazer um ano. Há casamentos que duram menos, reflectiu enquanto se decidia a levantar-se.

Passou-os em revista, um friso de rostos bem dispostos a marcharem com ela para fora do quarto. Não houve, de facto, sorrisinhos e frases de circunstância, nem silêncios embaraçosos.

A incontinência verbal é, sem dúvida, o melhor sinal de vitalidade em qualquer relação. Isto é válido tanto para casais, como para bandos de delinquentes como o nosso, sentenciou, apoiada na sua experiência de vida e na borda da banheira de onde se escapulia já a contar os minutos para sair de casa.

Mas o que tem mais graça é tudo isto resultar apesar das diferenças, que são tantas: gente de esquerda, gente de direita, benfiquistas, sportinguistas, portistas, professores, jornalistas, advogados e agora, meu Deus, até políticos!

Já a pensar na agenda do seu dia pega na mala, empoleira-se nos sapatos, dirige-se para a porta e senta-os pela ordem em que estavam ontem, no Clube dos Jornalistas. No sentido dos ponteiros do relógio: Leonor, Pedro, André, António, Carlos, Ana, Luís, José, Ana Margarida, Ana Cláudia e Adolfo. Eh!eh! Uma mistura exótica. Não é de uma bebida que falo, mas faz de conta: Tchim! Tchim! À nossa!

 

Nota interna: Luís, não penses que te escapas da crónica sobre o jantar. Isto foi só uma "piquena" reflexão que veio mesmo a calhar porque ainda  não tinha nada para o post de sexta-feira 🙂

21 comentários em “Sexta-feira”

  1. “professores, jornalistas, advogados e agora, meu Deus, até políticos!”

    Hihihi. Por inerência, cá em Portugal um jornalista é quase sempre um político (com a vantagem de que não tem que receber votos do povo). E um advogado, cá em Portugal, é por inerência um candidato a político. E um professor, desde há alguns anos para cá, é um instrumento político por excelência.

    Enfim, já todos eram políticos, embora disfarçados.

    1. “Só nos faz falta um jovem agricultor”. Desculpe, Pedro, mas não posso concordar. Então esqueceu-se do inestimável ‘Pancada’ para fazer a crónica da crónica ao vivo? Da próxima vez, reservem lá um lugar à mesa para a crítica literária.
      Um Abraço.

    2. Muito obrigado pelo convite, caro Pedro, já tenho um blogue onde escrever, chega-me.

      E não sou agricultor. Tenho umas propriedades fundiárias (de minifúndio!) herdadas, nas quais planto umas árvores. Só isso.

  2. LOL. Bem apanhado, Teresa! Aposto que o teu fidelíssimo e atento Zé Pancada vai tresler este texto e deduzir dele que, para além de perigosos socialistas, somos tão promíscuos que acabamos todos na mesma cama após um jantar de blogue… mal posso esperar pelo comentário.

    Também tenho ainda as castanhas às voltas…

      1. Nã, nã,… penso que não é por aí que ele lhe vai pegar… Aposto que ele vai querer saber porque é que pensou numa ‘Ferreira’ para moderadora, querendo assim, desta maneira capciosa, meter a Srª D. Manuela ao barulho… Aceitam-se apostas.

      2. Gostei da “sexta-feira”, Teresa, depois da Quinta:))
        Está visto que o “críptico” literário está na berlinde – que lhe faça bom proveito . Agora, desculpem a presunção, julgo que, para ele, será bem mais estimulante – “incontinência verbal” versus “sinal de vitalidade” e até “casamentos…” mas longe de mim querer tirar o lugar a alguém…Embora eu também goste de ser ouvida:))

        Teresa, contava que Ivone Costa tivesse ido ao vosso jantar ou será que já foi?

  3. Não quero escapar-me, mas era o que faltava que alguém se sentisse limitado na sua liberdade de expressão. Se eu mandasse nisto cada um tinha que fazer a sua crónica. Isso é que era.

  4. Não escapa a ninguem, e a mim muito menos, a nota final, interna, sobre a «piquena» reflexão que os autores do blogue necessitam de fazer. Qualquer português meridianamente atento à política nacional tem conhecimento que esta é uma maneira característica de falar da Drª Manuela Ferreira Leite, que é uma purista da língua e se exprime com um bom português de antanho, digno dos nossos maiores. O clima de euforia que se detecta nos autores do blogue, que terão reunido de forma assaz secreta num restaurante esconso da capital, denuncia o clima conspirativo em que se encontram permanentemente mergulhados no seu desígnio de contribuirem para corroer a actual liderança do PSD e porem no seu lugar o eternamente jovem Pedro Passos Coelho, um clone do falso engenheiro Sócrates. Podem enganar alguns leitores mas não enganam um indivíduo dotado de visão transcendental, como é o meu caso.
    Despeço-me obviamente sem cumprimentos de qualquer espécie.

    1. Ah, Zé Pancada, finalmente acho-lhe graça! E gostei de saber que ainda há portugueses meridianamente atentos à política, aqui neste mediano de Greenwich onde já ninguém liga a coisa nenhuma…
      Volte sempre, mesmo sem cumprimentos.

    2. Zé Pancada, um ‘clone’ um pouco mais requintado do inapagável Tric, és um verdadeiro «show man» das caixas de comentários. Fica o meu apelo: não nos abandones, pá!

  5. Muito bem. E continuem com esse treino do reforço dos laços que unem esta equipa. Quem está deste lado percebe bem essa importância. Gostei muito do texto, Teresa.

    :))

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