Mal poisei o pé na estação de Sto. Amaro olhei durante uns segundos para o espaço circundante e, decidida, optei por tomar o caminho à minha direita, como sempre acontece quando não faço a menor ideia do rumo que devo seguir. É triste. É invariável. Já cristalizou em alfinetada de família. Quem me visse tomar-me-ia por uma nativa (objectivo cumprido). E o certo é que não tardei a ouvir nas minhas costas: – Por favor: É de cá? Atentei então naquele vulto de calças floridas e cabelo escuro e respondi: – Não. Mas porquê? E eu a pensar… «toma, outra como tu!». –Vou à procura de um restaurante que fica no parque 7 Castelos, tenho um almoço lá.
– Que engraçado! Eu também – respondi. E ela: – Não me diga que é a Luísa! – Não… disse eu, pesarosa, matutando que se na véspera meia Lisboa estacionara em jantares colectivos de Natal, hoje era decididamente o dia dos almoços em Oeiras… – Espere, insistia ela, não é Luísa, é outra coisa. É… Olhe, o meu encontro é do Delito de Opinião, será que é a… – Laura?, ajudei eu. – Isso mesmo, mas onde é que eu fui buscar o ‘Luísa’? – Não interessa, sou mesmo a Laura. Incrível, nem de propósito.
Entretanto, eu também já percebera que ela só podia ser a única fundadora que me faltava conhecer, a Teresa, que eu lia desde que este blogue é blogue. Tranquila e raiando pelo início da tarde: foi fácil decifrar as chaves do meu informador … (João, fizeste tanta falta!).
E lá fomos a rir, passo estugado, no rasto de um portão de ferro e de um frondoso parque que não tardou a aparecer mostrando ao fundo, num enquadramento perfeito, o refúgio eleito para este nosso encontro: o restaurante 7 Castelos. Valeu a viagem, só vos digo: pelo caloroso acolhimento, pelo ambiente confortável com notas divertidas (e que tal uns candeeiros de tecto feitos daqueles secadores em que as nossas mães sofriam a mise en plis?). E, claro, pela imperdível cozinha, num registo irreprovável entre a solidez dos sabores clássicos e os retoques da imaginação actual: folhados de chèvre com frutos silvestres e shot de melão com presunto crocante; bacalhau com crosta de ervas e mix de folhas; pato confitado com arroz árabe e espargos salteados, tudo condignamente acompanhado de uns magníficos brancos e tintos ‘Vale de Areias’ e rematado com umas deliciosas sobremesas leves, a preceito. E muitos cafés…
À chegada, já lá estavam alguns meus conhecidos: a nossa querida e imprescindível mentora Ana Vidal, a Ana Cláudia – sempre animada e energética -, a minha sister in (civil) arms Leonor e o tranquilo Fernando (que diz que gosta de verde mas ainda não provou o que eu lhe mandei!) E também estavam os nunca-mais-virtuais Luís M. Jorge (que simpático! onde é que escondeste o teu puro veneno, Luís?) a Ivone (ficaste muito longe, há que corrigir isto) e o divertido Luís Menezes Leitão, em quem, pelo meio da imparável verve, procurei um tracinho que fosse de cagança académica (coisas cá muito minhas, que detesto). Mas debalde…
Mesmo no nosso encalço vinha o Adolfo, tenue sportive irrepreensível, tão encantador quanto já reza a lenda e a quem a Nação ainda não deu férias porque o Parlamento não vai parar (sabiam?). O José Gomes André chegou depois. Verdadeiro agit-prov (sim, não é gralha, ele é um puro-sangue agitateur-provocateur). E por fim, adivinhem lá quem se fez esperar… coisa nunca vista? O nosso homem do leme, pois: o Pedro. Sempre impecável e jovial, a pôr uma subtil ordem na conversa e a disfarçar aquelas 4 mãos imparáveis com que trabalha em tudo.
Assim, quando o 13º chegou, o João Campos, – em carne e osso, inteirinho e sem cortes da Troika – imaginam a apoteose? É que do pão saloio, do patê de azeitonas pretas e do patê de queijo já ameaçava não haver vestígios… apesar das incansáveis reposições. Ordem para começar, portanto! Durou até às 6 da tarde…


Desmascaradas na praça pública as minhas disfunções sociais!! Argh!! Vais-me pagar, Luísa! Para a próxima chamo-te Hermengarda ou mesmo Katia Vanessa!
Oh… Tareca, não te zangues! 🙂
Hermengarda não me faz senão lembrar do Eurico! Escolhe outro…digamos…nome 🙂
Excelente relato, Lara. Ups… Laura.
Tens aí o Jivago para me mandar? Prescindo já do u…
Eu mando-te U Mar Xerife.
Ai, já estou com palpitações!
A que ainda se assina:
Laura Santos…
Ou preferes o Pita o’ Tolo?
O Lawrence? Hum…é escanzelado demais para meu gosto 🙂 Olho por olho, sempre prefiro o Omar…
Omar Salgado?
Tem acções no BES? Venha ele…
Looooooooool
Grande rábula, vocês estão imparáveis!
Ó Laurinda… ups, Laura… mentora, moi?? Bom, pensando bem, antes mentora que mentira!
O nosso almoço de Natal foi muito bom, em todos os sentidos. Faltaram alguns delituosos, é verdade, mas (quase) todos com justificação de peso. E a conversa durou até às seis da tarde, como dizes. Quando se junta um bando de gente propícia ao delito, é assim. Para o ano há mais (talvez já em Janeiro, há que comemorar os 3 anos de vida).
Vânia… é a nossa mentora sim senhor. com muito orgulho! Vês como já estás a falar do próximo encontro? Voilà!
E vocês os dois não têm nada que estar a fazer pandam!
Longe de mim tal ideia, Tânia.
Pero, daqui a nada vais de carrinha!
Nanja eu, Tomásia!, como dizia o Júlio Dinis (e a minha avó).
Fiquei longe, mas à tua direita o que muito me honrou, Isolda, perdão, Laura.
Belo relato, imagino a inveja que espoletaste por essa blogosfera fora.
E a mesa era bem mais agradável do que da minha última vez, por sinal. Gostei imenso da escolha da Vânia!
Laura: o veneno é para a escrita, a la Dr Jekyll & Mr. Hyde. Gostei muito do relato.
Ora! O relato é a apenas a espuma… Melhor foi o nosso encontro quase plenário. Gostei muito de te conhecer (mas não percas o frasco de veneno, se for preciso eu arranjo um baixo-assinário!)
Puseste-me cheio de inveja, como era de calcular. Não perdem pela demora, podem crer.
A ideia não era fazer-te inveja 🙂 E não perdemos pela demora, acertaste em cheio, João! (ou serás Simão? :))
Simão? Não era Sebastião, Maura?
Não sei, Diadora… eu acho que ele é mesmo é leão!
Diadora é lindo :)))))
Leo. Leo também te ficava a matar, não achas? 🙂
Muito bem, sis :))
O almoço foi excelente. Como sempre, a companhia é o melhor. Voto nesse reencontro para o terceiro aniversário delituoso em Janeiro.
Agit-prov? Eu? Moi? 🙂
Obrigado pelo excelente relato, foi óptimo conhecer-te ao vivo!
Nãããooo… és um santinho, eu até te achei umas perecenças com o piu-piu :)) Também eu gostei muito!
(e olha: antes agit-prov que agit-prop!)
“prop” de propedêutico ou de propinas?
E eu, que estou de fora, digo que o relato é extraordinário e os comentários de morrer a rir!

Venham de lá mais almoços, lanches ou jantares, que até as actas fazem bem à alma e revitalizam qualquer deprimidodependente.
Alexandra, schiu… sabe que eu acho que no Sete Castelos perceberam a coisa? Até nos puseram sozinhos em cima, no ‘mezzanino’, só faltou mesmo trazerem a toma dos comprimidos da tarde…
Sim, interferiram o mínimo… só para servir o vinho e pouco mais. Acho que estavam com medo de nós.
Laura, vou ali ter umas aulas de francês e depois já cá volto 🙂
Está bem, Aleixo. E obrigada pela boleia.
Bom, ok, eu devia ter ido. Devia ter ido e dito que era o Rui Rocha.
Nunca, isso era roubo de identidade e constitui crime… coisa muito séria…
Deverias ter ido e ter dito:
«Jaa…cheguei!»
Ouviste, Jaaaarbas?
🙂
É bem feito, Jaafumega. Devias ter aparecido, nem sabes o que perdeste.
Mas eu tinha e tenho uma excelente razão, Artemísia: não quero gostar de vocês. Depois como é que me arranjo para escrever posts cujo único objectivo é irritar a Leonora e a Lara?
Para além disso, uma pessoa vestindo calças com padrão florido é giro, duas seria demasiado.
Mas podes continuar a irritar-nos mesmo indo aos encontros, sabias? Aqui a regra é “amigos, amigos, escrita à parte”… Nós queremos lá saber de sentimentos para alguma coisa! E depois… calças floripes nunca são demais (pergunta ao sartorialist 🙂
Se tivesses dito que eras o Rui Rocha, nós tínhamos acredito, Jeremias.
Irra que daqui a pouco já nem eu me reconheço.
O comentário anterior não é meu.
Remédio santo, jaa:”deleta-se” já, que é lá isto?
Ai, Laura, que alma caridosa que me saíste (é Natal, eu sei)!
Animada eu até podia estar, por osmose, mas nem energética, nem enérgica, nem nada parecido. Antes a ressacar de mal dormida, cansada de testes e coisas assim…mas foi bom à mesma! A malta agradece o bom espírito desta crónica de costumes, eh eh.
Obrigada, Diana Eulália 🙂 E olha que era mesmo ‘energética’ que eu queria dizer, e não só enérgica… Tb eu ando com muito sono em atraso mas só de olhar para ti fica-se logo ‘speedado’. Bom Natal 🙂
Bom Natal para ti também, Isaura!
Isaura Luísa, ok.