Servidão Humana


lauraramos,

 

Hoje é o  Dia Europeu contra o Tráfico de Seres Humanos.

Falamos da sujeição de pessoas a múltiplas formas de coacção –  como a ameaça, a força, o rapto, a fraude e o abuso de autoridade –  perpetrada sobre homens, mulheres e crianças abandonados à exploração sexual, aos trabalhos forçados, à remoção de órgãos, à escravatura.

 

Por isso mesmo, hoje não é mais um dia internacional.

Em tempos de globalização, estejam atentos, porque às vezes os sinais não estão longe e moram ao pé de nós, ingénuos distraídos.

 

Assisti e gostei: nesta data, dezasseis organizações assumem publicamente um compromisso de entendimento para a troca de dados e informações sobre vítimas e traficantes de pessoas humanas. Entre outras, representantes máximos de todos os órgãos de polícia criminal (PJ, SEF, GNR e PSP) assim como várias instituições e entidades públicas e não-governamentais como o Centro de Acolhimento e Protecção a vítimas de Tráfico de Seres Humanos e seus Filhos Menores; o ACIDI – Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural; a APAV – Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, o SJR – Serviço Jesuíta para os Refugiados, a UMAR- União Mulheres Alternativa e Resposta e a Agência Piaget para o Desenvolvimento.

 

É a única maneira que nos resta e a única arma de combate ao nosso alcance: unir forças contra a servidão humana em pleno século XXI.

Abram a pestana.

11 comentários em “Servidão Humana”

    1. Armas desiguais, sem dúvida alguma. Mas acredito que se todos tivessemos um estado de consciência permanente sobre esta realidade reconheceríamos sem custo os sinais de alerta é seríamos uma das ‘molas’ mais importantes nesta pequena-grande guerra civil.

    1. Li, João, e os dados na RAEM são eloquentes: basta fazer a proporcionalidade.
      As cifras sobre desaparecidos em que tropeçamos volta e meia nos jornais deveriam ter como subtítulo recorrente e obrigatório: “atenção, este pode ser uma caso de tráfico de seres humanos”… Digo eu, que acredito piamente que se ‘abrirmos a pestana’ – sem histerias, aliás sempre desaconselháveis nesta matéria-, conseguiríamos combater de alguma forma essa coisa, numa espécie de ombro a ombro civil.
      (gostei de saber que andou por Macau: muito bem. Eu andei também, sim senhor, e antes de si! Na década de 40 e por uns bons anos (2 comissões). … Mas ainda nos impossíveis da massa, através dos meus avós e da minha mãe, ainda criança :))) As recordações e a cultura vieram-me cá todas parar por osmose, é bom de ver. Obrigada pelo link).

      1. Pensei que a Laura estivesse louca… andar por Macau nos anos 40 teria agora a jovem Laura uns 80… hum… não podia ser. Depois é que vi o pormenor de ter sido em criança.
        Quando disse “muito bem”, infelizmente, Macau para mim, muito mal. A vida foi ingrata, mas isso é outra história que lhe contarei um dia, já que na sua condição de jurista vai gostar de saber. Abraço.

        1. Não, João, nunca lá fui, hélas! “Estive”, mas como lhe disse, nos “impossíveis da massa”: isto é, biologicamente falando, estiveram lá de passagem apenas os meus genes, os que me produziram, e me fizeram cheia de marcas de cultura asiática ;)) Ou asiático-colonial…

          1. Ah!… Como diria o Vasco Santana: en-ten-di-te!

            asiático-colonial? Na minha óptica o colonialista foi a China…

          2. Sem a menor dúvida. Portugal foi sempre péssimo a colonizar… e eu por acaso gosto disso. Já a descolonizar é um ás do pedal (depois de preservar os pertences de alguns, poucos, decisores).

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