Serviço (não muito) público


outroblogue,

Os CTT, essa bela instituição que nos últimos anos nos tem falhado em quase tudo, lança agora uma nova parceria com a CUF para a realização de teleconsultas nas suas instalações. Por partes:

1. Dispõem os CTT de um espaço  onde o paciente possa usufruir da privacidade necessária a uma consulta?

2. As consultas na CUF não são privadas e pagas? Mas esta medida destina-se às “populações mais envelhecidas, assim como a menor literacia digital” (sic), sem capacidade de mobilidade. Ou seja, aos que não têm meios – também económicos – para se dirigir a uma consulta presencial. Então, servem a quem?

3. Vamos lá à questão da menor literacia digital: os velhotes não percebem nada de computadores, por isso vamos colocá-los à frente de um para terem uma teleconsulta. Teleconsultas gerais e de todas as especialidades médicas! Quem os apoia? Os funcionários dos CTT? Com que tempo e com que respeito pela privacidade?

4. Nós já sabíamos que os CTT não levam essa coisa da privacidade muito em conta, desde que fecharam os postos nas localidades pequenas e obrigam as pessoas a deslocarem-se ao supermercado, onde o operador de caixa lhes anuncia logo à entrada: “já chegou o aviso da luz, para pagar, que está em atraso!” ou  “A sua reforma já veio, veja lá onde a gasta!”

5. Mas se fecharam os postos nas localidades pequenas, afinal aquilo das dificuldades de mobilidade para as populações mais envelhecidas… ah! Não se aplica. Até porque nas localidades onde vai ser implementado – Bragança, Mem Martins, Seixal, Beja, Funchal e Viana do Castelo – até há hospitais (Mem Martins está perto do Amadora Sintra).

6. Depois de livrarias, lojas dos 300, temos agora os CTT transformados em postos médicos. Enviar e receber correspondência é que não está no seu ADN. Por exemplo, e já que se fala em correios e saúde, este é o estado em que um exame médico me chegou às mãos, cortesia dos CTT. Reclamei, mas não tiveram tempo de me responder. Estão ocupados a planear disparates.

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35 comentários em “Serviço (não muito) público”

  1. Este post é o típico do português: dizer mal de tudo o que se faz.
    Não sei o que estão os CTT e os hospitais CUF a fazer. Mas, por princípio, dou-lhes o benefício de acreditar que estarão a tentar fazer algo de bom e bem feito.

    1. Ainda bem, detestaria ser considerada estrangeirada.
      O que os CTT poderiam e deveriam fazer é simples: o seu trabalho. Depois, quando o fizessem bem feito, poderiam explorar outras possibilidades. Abandonar as populações do interior, como têm estado a fazer nos últimos anos e depois vir lançar estas medidas avulsas que não são realmente úteis a quem, supostamente, se dedicam, é só publicidade. Má, na minha opinião e em português.

      1. Suponha, por mera hipótese, que o tal trabalho não é lucrativo.
        O que faria a sua gestão?
        Aumentava preços, fechava mais lojas, pedia dinheiro ao contribuinte?

          1. Os CTT sempre tiveram outros serviços… só a miudagem e os eleitores de direita é que afirmam que 100% das actividade dos CTT era a distribuição postal. Então e os pagamentos de reformas, vales postais, vendas de bilhetes, venda de produtos artesanais, vendas de livros, recolhas de assinaturas… sempre foram parte dos CTT na sua grande maioria de lojas, já desde os anos 80.

        1. Se vamos por esse caminho, qualquer dia abre-se qualquer coisa desde que dê lucro…tenho ideias….mete droga, prostituição

    2. O seu comentário é o típico português: que se lixe, deixá-los andar, não é comigo, eu só vim ver a bola. Infelizmente ainda existem muitos portugueses assim

  2. Consideraram os correios um serviço como outro qualquer, que não competia ao Estado providenciar. Privatizaram-no, embora desse lucros, porque – de acordo com a religião dominante – a iniciativa privada e o mercado funcionam melhor. Junto com a distribuição do correio privatizaram a empresa toda.
    A iniciativa privada e o mercado dizem: “de todas as coisas que os CTT fazem ou podem fazer distribuir o correio é a que dá menos lucro, logo vamos negligenciar essa atividade até o Estado ficar com essa parte”. Se o Estado não voltar a ficar com a parte da distribuição do correio fora dos grandes centros, ela vai desaparecer porque não compete à iniciativa privada zelar pelos velhos isolados.
    Entretanto vendeu-se uma empresa que dava lucro e vai ter de se criar outra para a substituir.

    1. Precisamente.

      Mas, o que mais me dói é assistir, no interior, à frieza dos números e indiferença dos decisores dos CTT pelas populações que ficaram excluídas da forma mais básica de acesso à comunicação e depois vê-los utilizar essas mesmas populações para justificar medidas que, afinal, nem lhes são destinadas, porque continuam restringidas a centros urbanos… é demasiada hipocrisia.

  3. os CTT fazem tudo menos distribuir correio. Acho que se chama “diversificar”. Se fazem bem ou mal (não sou cliente do banco nem compro lá coisas), desconheço.
    Há documentários interessantes sobre a Lego (ícone daquele país que espia outros), uma empresa que à viragem do século andava à beira da falência. O problema era simples e facilmente detectado: faziam tudo menos legos.

  4. Há que recordar alguns factos simples.
    – A dívida pública cresceu brutalmente durante o consulado de Sócrates.
    – Foi o governo de Sócrates que pediu o resgate financeiro de Portugal.
    – Foi o governo de Sócrates que assinou o memorando de entendimento com a “troika”.
    – Nesse memorando, entre outras acordava-se explicitamente a privatização dos CTT.
    Outros factos que já têm alguma carga opinativa.
    – O governo de Passos Coelho privatizou os CTT no final do mandato. Não sei e duvido que alguém saiba, se o fez por falta de capacidade executiva se, ao invés, não lhe agradava a ideia e apenas o fez quando se viu pressionado para obter melhores condições negociais na saída ou na renegociação de alguma dívida. Não sei e duvido que alguém saiba se essa privatização aparentemente tardia, teve consequências positivas ou negativas, nem sei se poderá ou não ter sido efectuada à pressa, aí com mais prováveis consequências negativas.
    – Os correios portugueses, que eu conheça apenas com paralelo nos ingleses, era excelente na vertente postal.
    – A vertente postal está em declínio no mundo e, em Portugal, até o Fisco já notifica electronicamente, aliás num serviço dos CTT de que nada sei no plano económico. Assim, fosse qual fosse o estatuto dos correios, público, privado, misto, PPC, cooperativo (entre autarquias) etc., a vertente postal seria ferida de desenvestimento para permitir a busca de alternativas rentáveis ou de futuro; ou seja, a quebra de qualidade era inevitável, podendo discutir-se se, nas diferentes realidades locais e pontuais, foi ou não excessiva.
    Por isso parece-me razoável criticar as opções – livraria, payshop, banco, telemedicina ou outras, umas ainda de antes da privatização – como me parece razoável opinar em que áreas deviam os CTT apostar. Então e só então, faria sentido opinar sobre o modelo de propriedade e gestão melhor para essa moldura.
    “Bocas foleiras” – que são exactamente isso – sobre “venderam uma empresa que dava lucro” são apenas mais propaganda rufia da esquerda que nos governa e que é responsável por toda esta merda.
    Quanto ao aspecto particular focado no postal, para mim, na minha opinião pessoal – que sou o primeiro a reconhecer que pouco ou nada vale – esse tipo de telemedicina mais dirigido aos idosos faz sentido e, em teoria, deveria estar nas juntas de freguesia que, pelo menos algumas, até têm alguma prática na ajuda a preenchimento de impostos, etc.. Mas isto é em teoria, porque escolher entre a permissão desse serviço numa empresa que legitimamente, visa o lucro ou limitá-lo às coutadas de boys dos partidos, alguns de incompetência a até falta de empatia gritante, como quotidianamente vejo na minha junta de freguesia, seria escolher entre duas realidades imperfeitas, para dizer o mínimo.

    1. Sim, é verdade que a vertente postal está em declínio – porém ainda existe, é necessária e seria minimamente exigível que corresse bem – e até aceito que tenham sido procuradas outras áreas de actividade. Discordo que uma delas seja a saúde, mas… são entidades privadas.
      Subscrevo a sua sugestão. Óptima parceria para as juntas de freguesia, o serviço público que se mantém como o mais próximo do cidadão. Atrevo-me a adivinhar que a sua junta de freguesia é urbana, pela forma como a descreve como uma coutada partidária. Nas pequenas localidades, a teoria política importa muito pouco e dificilmente a junta é rampa de lançamento para alguém, a ponto de o funcionário da junta, que efectivamente resolve os problemas das pessoas, ser mais importante e útil para a comunidade do que os eleitos.
      Confesso que escrevi o postal irritada. Assisti ao encerramento dos postos dos CTT no interior do meu concelho e na zona onde vivi a maior parte da minha vida. O desprezo pelas populações idosas, iletradas e com dificuldades de mobilidade foi ostensivo e ofensivo. Vê-las agora como justificação de um serviço que é uma parceria entre entidades privadas, tendo como objectivo o lucro de ambas e que, afinal, nem sequer é acessível àqueles a quem diz servir… é demasiada hipocrisia. Se duas entidades privadas querem fazer este investimento, avancem, mas não o apresentem com este teor solidário e de serviço público, que não tem.

      1. Tem toda a legitimidade para ter escrito irritada. Eu também estou – e notou-se – e acredito que não serão poucos os que também estão.
        Mas há duas coisas que particularmente me incomodam. Uma, como se percebeu, é a conversa estafada dos priincipais responsáveis deste descalabro, não assumirem nunca nenhuma responsabilidade – que hoje é uma característica vincada no governo, na administração, nas caixas de comentários dos blogues, etc. – pois a culpa é sempre do salazarismo, do fascismo do capitalismo do Passos Coelho ou do Cavaco (e aí até acertam!).
        Outra é a discussão acalorada de pormenores com afastamento do que devia ser o essencial. Muitas vezes com boa intenção e assim interpretei o seu postal.
        Acontece que sou particularmente sensível ao tema de idosos, antes do mais porque também o sou, mas especialmente porque acho ter um sólido sentido de justiça e é o grupo mais negligenciado (talvez nem seja o mais injustiçado porque o que estamos a legar aos jovens é aterrador).
        A questão é que a demografia provocou uma mudança de paradigma com consequências que não vejo ninguém responsável assumir. Há poucos anos quatro activos sustentavam um pensionista, hoje é um por um e vai ser bem pior. Portugal tem um dos mais graves quadros numa Europa em processo de envelhecimento geral. A segurança social hoje é um esquema de Ponzi: safam-se os que entraram primeiro.
        Mas o que mais me incomoda, saltando aqui por cima dos lares para não escrever um livro, é a doença. Portugal está a passar rapidamente de um paradigma de doença aguda (hospitais, urgências) para um paradigma de doença crónica (centros de saúde, apoios domiciliários). E, ainda hoje, há várias especialidades médicas pediátricas e poucas e pouco frequentadas geriátricas.
        Eu já colecciono há anos duas doenças crónicas mas sou nisso, um privilegiado. Tive caído do céu um seguro de saúde que me permite, com pouco sacrifício económico, prescindir da gratuitidade. da saúde pública. Sou acompanhado em duas especialidades com consultas e análises pelo menos semestrais mas que logo se reduzem a trimestrais ou mesmo bimestrais se algum parâmetro de alterar. Qualquer dos médicos que me assiste, um deles professor e da Fundação Champalimaud, não se limita a perguntar como vou mas faz as perguntas todas especificadas, tal como se fossem pilotos a fazer um lista de verificações, e nunca tive a sensação de estar a ser apressado; nem nunca em cardiologia, deixei de ser auscultado, observado nos pulsos e tornozelos e ter a tensão arterial medida (apesar de eu o fazer semanalmente e levar os resultados à consulta).
        Ora sou amigo de um médico que forçou a reforma há poucos anos e que me disse que o levou a isso, com prejuízo no valor da reforma, foi uma directiva da direcção regional que o obrigava e ver 6 doentes por hora, isto é 10m a cada um. Como ele me disse indignado:
        “Eu era o médico dos velhotes, e tinha doentes que levavam esse tempo só para tirar a roupa para serem observados.”
        Compreenda assim que a questão da parceria CUF-CTT, que reconheço não ser o ideal, também não me preocupa muito.

        1. Começo por agradecer muito o seu testemunho.
          A realidade que eu conheço, porém, é bem diferente: diferente na vivência dos idosos, diferente nas possibilidades económicas de suportar um seguro de saúde, diferente nas competências necessárias para utilizar este serviço.
          Aceito e até apoio que uma empresa especializada no fornecimento de serviços de saúde, como é a CUF, procure parceiros para chegar a um público-alvo maior. Por esse motivo, nada no meu postal (pelo menos que me tenha apercebido) critica a CUF. Já os CTT… não. Não porque abandonaram completamente o “core business”, que prestam com má qualidade, sem respeito pelo cliente, e não porque não serão os postos dos CTT os locais aconselhados para essas consultas.
          Estimo a melhora dos sintomas dos problemas de saúde que o afectam, já que, sendo crónicos, não podemos aspirar à cura.

    2. Pequenas mentiras que refere:
      NÃO ESTÁ EM LADO NENHUM DO MEMORANDO DA TROIKA QUE DEVIAM VENDER OS CTT (e a RTP e a TAP, como deixou nas entrelinhas). Curiosamente, OCULTA que estava lá o fim da golden share na PT, pois o estado ainda possuía 100 acções, apesar de a cessão de 2010 já ter anulado a golden share.
      Foi decisão do PSD-CDS a total privatização dos CTT, com uma concessão por 10 anos do serviço postal português. Decisão essa que deu 500 milhões de euros, em lucros imediatos, a 3 empresários, de Coimbra, patrocinados do PSD local, com a venda de 2 edifícios dos CTT, na manhã da privatização, em que o anúncio foi publicado num jornal local, entregue nas bancas ás 9 da manhã, com prazo de entrega das propostas para… as 9 da manhã. Só apareceu a proposta de pagarem 348 euros pelos imóveis, registados ás 14:02, em nome da empresa local, cedidos pelo mesmo valor a um fundo imobiliário de Singapura, ás 14:17 e vendidos por 855 milhões a um consórcio de empresas espanholas, ás 14:45, ainda hoje as proprietárias dos imóveis.
      Foi o mesmo governo que vendeu 10 anos de serviço público telefónico à ZON (actual NOS, para quem é falso, acerca das denominações), quando estava na PT e nos CTT. Actualmente, existem 4% das cabines telefónicas, que existiam em 2012, 95% delas em lojas dos CTT. A ZON e a ALTICE (principais operadoras) já definiram que não vão concorrer ao serviço público telefónico a renovar em Setembro de 2022, assim como combinaram retirar-se da emissão da TDT, a não ser que o governo pague mais 180 milhões de euros anuais. Curioso que em 2012 até apresentaram propostas abaixo do que estava estimado… em acordos governamentais. Esses políticos de direita fazem a mesma coisa que você está a fazer aqui… desinformar para criar confusão.

      1. Não tenho por hábito perder tempo a responder a mentirosos que gritam (maiúsculas) mas, neste caso, trata-se de não desinformar terceiros bem intencionados.
        “Memorando de entendimento sobre as condicionalidades de política económica
        17 de Maio de 2011
        … …
        3.31. O Governo acelerará o programa de privatizações. O plano existente para o período que decorre até 2013 abrange transportes (Aeroportos de Portugal, TAP, e a CP Carga), energia (GALP, EDP, e REN), comunicações (Correios de Portugal), e seguros (Caixa Seguros), bem como uma série de empresas de menor dimensão. O plano tem como objectivo uma antecipação de receitas de cerca de 5,5 mil milhões de euros até ao final do programa, apenas com alienação parcial prevista para todas as empresas de maior dimensão. O Governo compromete-se a ir ainda mais longe, prosseguindo uma alienação acelerada da totalidade das acções na EDP e na REN, e tem a expectativa que as condições do mercado venham a permitir a venda destas duas empresas, bem como da TAP, até ao final de 2011. O Governo identificará, na altura da segunda avaliação trimestral, duas grandes empresas adicionais para serem privatizadas até ao final de 2012. Será elaborado um plano actualizado de privatizações até Março de 2012.”
        P.S.1 – Ao contrário da sua mentira, nenhuma entrelinha minha se referia à RTP e à TAP; nem sequer nisso pensei pois tento cingir-me ao postal.
        P.S.2 – É certo que o memorando não diz CTT mas Correios de Portugal.
        P.S.3 – Desconheço o “dossier” que refere sobre a venda de dois edifícios em Coimbra mas, a ser verdade, é um caso claro de corrupção que, de duas uma, ou teve consequências ou foi mantido em silêncio por pessoas que o conheciam, o que será o seu caso. Mas, sendo já comprovadamente mentiroso, não me admiraria que seja mais uma “inverdade” porque a narrativa é semelhante a uma de que ouvi falar, também em Coimbra mas com um edifício da PT. Neste último caso os acusados foram ou absolvidos ou nem foram a julgamento (não me lembro e na altura achei estranhíssimo) e apenas um interveniente manifestamente secundário foi condenado por não ter declarado as verbas recebidas (salvo erro 50 mil euros) em sede de IRS.

  5. Sem obstar às críticas legítimas e fundadas que a autora faz, eu, como ser celestialmente divino, devo pronunciar-me sobre a matéria.
    A CUF até que tem olho, e os CTT também. Porquê?, perguntam-me todos os terráqueos. Vamos lá!
    A CUF, que baixou sua facturação e as presenças de utentes em seus hospitais, estará provavelmente a usar os espaços dos CTT para criar USF´s (Unidades de saúde familiar, digamos melhor, de proximidade), para aproveitar o mau serviço prestado pelo estado nestes locais (deslocando médicos para outras actividades e negligenciando a prevenção e o acompanhamento dos também crónicos). Ganhará certamente na expansão do mercado (aumentando a clientela) e beneficiará de estruturas existentes e sem necessidade de investir.
    Os CTT beneficiarão do aluguer dessas instalações/espaços disponibilizadas, dos serviços prestados e, quiçá, de uma comissão por consulta.
    É mercado! É o mercado!
    Em breve, se resultar, talvez, o Banco CTT certamente entrará na área dos seguros de saúde e até mais.

    1. O problema é que se necessita de serviço de correio que se não existir tem de ser garantido pelo estado e vendeu-se a empresa que o fazia, alegando que éramos melhor servidos pelo privado, afinal os privados que iam fazer melhor serviço não querem fazer serviço nenhum. Espremeram a empresa enquanto a distribuição deu lucro e vão passar os prejuízos futuros para o estado. Foi um bom negócio, mas não para o contribuinte.

      1. É verdade o que afirma, e eu não neguei isso O problema reside no facto de terem alienado um activo importante, rentável e com possibilidade de diversificação, que hoje negligencia o propósito do correio não electrónico e desvaloriza os prazos da entrega dos mesmos e até mesmo a forma de os entregar.
        O neoliberalismo deixou de considerar a vertente humana e a necessidade do respeito a esta para se transfigurar no lucro a qualquer preço. Para eles, os neoliberais, humanos são somente eles.
        Por último, a alienação dos CTT foi um mau negócio.
        Costa dirá que não teve culpa na alienação. Porém tem toda a culpa na falta de regulação. Tal como o faz na lei das rendas. Costa é contra tudo anteriormente feito, mas a favor de tudo por nada mudar.

  6. Cara Zélia, a sua irritação ao escrever, para além de justificada, até é muito “meiguinha”.
    A venda dos CTT só interessou aos compradores pela porta que se lhes abriu para a abertura de um Banco, tudo o que eram serviços a prestar começaram a ser “racionalizados”, isto é, espremidos a níveis de qualidade assombrosos pela negativa.
    No que toca à distribuição de correspondência, por exemplo, moro numa rua nos Olivais, Lisboa, que por azar tem dois números iguais sendo que um é Lote e o outro, onde moro, é número de polícia.
    Muito embora estes edifícios tenham códigos postais diferentes, passo a vida a devolver correspondência indevidamente depositada na minha caixa de correio, ilustrando com círculos a tinta vermelha o código ou o o número correcto, com o intuito de alertar o(a) carteiro(a) para passar a olhar para o endereço antes de enfiar a carta onde não deve.
    Não duvido que este tipo de mau serviço se deva também a uma cada vez maior falta de preparação de quem distribui o correio, quer na separação quer na distribuição, empregados desmotivados que fazem daquele ofício um interregno para qualquer outro mais motivador.
    É verdade que a drástica diminuição do volume de correspondência implicaria alterações nas dinâmicas de funcionamento, mas à data de venda da operação para privados isso já era um dado adquirido e os compradores estavam plenamente cientes do que teriam que enfrentar.
    Mas foi fartar vilanagem, com um desprezo cego pelos direitos dos cidadãos, fazendo cair um dos serviços de correio mais eficientes do mundo para níveis terceiro-mundistas. Abriram-lhes as portas, viva o Banco CTT, o resto que se lixe.
    N.B.: Façam ao menos como o BES, mudem-lhe o nome para não manchar a reputação do passado.
    Carlos Arnaut

  7. Só faço uma pergunta: em qual das privatizações efetuadas até agora (CTT incluída) em que tanto se falava mal dos serviços públicos, o utente (não digo povo nem clientes para não ofender ninguém) ficou a ganhar?

  8. D. Zélia, peço-lhe que escreva sobre o que sabe e não venha para cá armadas em parva e mentirosa, quando só quer fazer campanha eleitoral pelo Chega.
    Se quer ser MENTIROSA vá para as redes sociais, facilmente arranja 60000 milhões de apoiantes que afirmam que tem razão em tudo.

    Sim, a CUF é privada… vou-lhe dar uma grande novidade: o governo que apoiou abertamente entre 2011 e 2015, privatizou os CTT dando mais de 30000 milhões de euros limpos a 7 empresários do partido. CTT prestam serviço público, sendo uma empresa privada.
    Acerca dos serviços, se se tivesse informado, estarão disponíveis NAS LOJAS CTT QUE POSSUEM CABINES TELEFÓNICAS INDIVIDUAIS! Sim, existem 78 estações de correios que possuem uma cabine telefónica, algumas até já permitem usar o Whatsapp, por 2 euros a cada 5 minutos, para realizar chamadas telefónicas. Serão essas estações a disponibilizar o serviço. Além de que, não existem assim tantos idosos a pagar 6700 euros anualmente, para poderem ter um dos seguros de saúde que a CUF aceita para comparticipar consultas.

    Quando se inventa sobre o que não se sabe, ou sai mosca ou entra m-rda.

    1. “Quando se inventa sobre o que não se sabe, ou sai mosca ou entra m-rda.”
      Foi o que acabou de lhe acontecer a si.

      1. Abomino o chega e os seus protagonistas. Sou eleitora de esquerda.
      2. Os serviços não estão disponíveis, ainda irão estar.
      3. As cabines que refere são aquelas em que, quem está na sala geral ouve a conversa toda? Com 1 m2? E considera que são adequadas para uma consulta médica e têm a necessária privacidade?
      4. Também concordo que “não existem assim tantos idosos a pagar 6700 euros anualmente, para poderem ter um dos seguros de saúde que a CUF aceita para comparticipar consultas”, daí esta iniciativa não fazer sentido para as populações mais idosas e carenciadas.

      Como vê, é possível debater e rebater sem partir para a ofensa.

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