Episódio I: Porque é que no III Reich se usava sempre farda?
Todos nós sabemos que muito do que é a Alemanha de hoje e os seus hábitos peculiares já se propaga desde o tempo dos Habsburger. É por isso que, através do passado, poderemos melhor compreender algumas decisões históricas e até um pouco da actualidade germânica. No episódio de hoje, reflectiremos sobre os três estereótipos alemães da actualidade, por forma a responder a uma pergunta histórica.
Ora, a sociedade alemã divide-se hoje da seguinte maneira:
1. O alemão corporativo
Veste fato, gravata, tem regras para tudo, nunca se atrasa e lida de forma nervosa com a falta de rigor dos horários sulistas, esboçando ocasionalmente um sorriso como se o próprio se envergonhasse pelo atraso do outro. Este é o alemão que todos gozamos: o respeitador das filas e das regras sociais mas que não sabe o que fazer após o insucesso do seu muito pormenorizado plano c). Este é aquele alemão que come sempre os legumes do prato e que ao fim-de-semana conjuga o verbo “wandern” (Sim, se a nossa palavra é “saudade”, a alemã é “caminhar” – mas bem mais profundo que isso).
2. O alemão hippy
Contra tudo e contra todos (os anteriores) partiu para as quintas biológicas, coberto de rastas, adorador dos instrumentos musicais tribais e, hoje em dia, nem deixa os filhos ir ao dentista. A maioria destes habita no interior alentejano e um pouco por toda e qualquer savana que se afigure como suficientemente distante de uma escola ou de um relógio que não seja o próprio sol. Estes são os alemães que produzem rebentos de soja para os restantes alemães.
3. O alemão revoltado
É em tudo idêntico ao primeiro mas veste-se quase tão mal como o segundo, recorrendo à desculpa de que “os seus antepassados usaram farda durante demasiados anos”. Usa a sandália com meiola branca espessa, vestes semelhantes a sacos de batatas ou ainda uma conjugação estridente entre uma camisa roxa e uma gravata azul.
É preciso dizer mais? Não perca a próxima aventura na Germolândia.

Uma delícia este 1º capítulo de Germany unKÖVERed. Bem-vinda ao DO, Cláudia.
Seja muito bem-vinda por estas bandas, Cláudia.
Obrigada Rui e obrigada Sérgio, pelas boas-vindas. =)
Bem-vinda, Cláudia!
Obrigada Pedro =)
Cláudia gostei muito da “Germanolândia” e achei bem apanhada a referência ao wandern que é uma verdadeira religião. Ou um ópio…
Acrescentaria à sua tipologia uma categoria: a do alemão “professor” que sabe sempre tudo melhor que os outros e não resiste a criticar o outro.
Quer um exemplo? Uma vez atendi o telefone dizendo “Helena de Gouveia”, do lado uma senhora respondeu “quem?” , repeti o meu nome, e a senhora, uma alemã, disse-me “Gouveia não se pronuncia assim”….
Cara Helena,
Agradeço a leitura atenta e devo-lhe dizer que concordo a 100% com a existência dessa característica. Acho mesmo que ela é inerente a qualquer um dos três “estereótipos” e, provavelmente, à maioria dos verdadeiros germânicos.
Acredito ainda que essa mesma característica se prende ao facto de os alemães não gostarem de viver sem regras, garantias e certezas. No entanto, são muitíssimo apreciadores da liberdade de pensamento e expressão (o que não significa que alguma vez venham a concordar com outra opinião que não a sua).
Aguardo ansiosamente a caracterização do alemão verde, os grünen, verdadeiros grunhos num montado alentejano. Ah, Cláudia, não esqueça os alemães que cultivam a ditadura da “boa vizinhança”. Obviamente que um relato sobre essa nóvel estrutura social germânica – os osti – será bem vinda.
Parabéns por esta belíssima entrada.
Caro João,
Agradeço a leitura e prometo voltar “aos verdes” e às descrições de infância daqueles que nasceram “do lado de lá do muro”. Escrevo sobre os alemães com grande ironia mas também com grande admiração e apreciação pela costela que me deram. Devo dizer que, também eu, adoro as filas perfeitas, as escadas rolantes sem atropelos e os legumes biológicos 😉
Bem-vinda, Cláudia. Apenas para concordar com o que diz no último período do seu comentário.
Obrigada Leonor 🙂
Hmmm, tenho sempre um pequeno ponto de discórdia com os meus colegas: eles preferem wandern. Eu prefiro wandeln…
É claramente mais produtivo do que o primeiro!