No Público: Governo exige teste para sair de Longueira-Almograve, mas a farmácia está noutra freguesia. Se fosse um sketch do Herman ou do Gato Fedorento, o diálogo entre o morador do Almograve e o GNR no cruzamento da Longueira seria algo assim:
– Posso sair da freguesia?
– Pode, com um teste negativo.
– E onde posso fazer um teste?
– Numa farmácia.
– Mas o Almograve não tem farmácia. Posso sair para ir à farmácia de Milfontes fazer o teste?
– Não, não pode sair do Almograve sem um teste negativo.
– Mas então não posso sair da freguesia.
– Com um teste negativo pode.
– Mas se só posso fazer o teste na freguesia vizinha…
– Isso já não é problema meu. Olhe, pergunte ao Cabrita.
(Teste negativo, e não positivo, claro – obrigado à leitora Bea pelo reparo!)

Deve ir para o anedotário nacional. Pensava eu que o teste tinha que estar negativo. Logo se vê que nunca fiz nenhum.
O erro do diálogo é meu, evidentemente, e não merece anedotário. Já a notícia…
Parafraseando os famosos gauleses do Uderzo e do Goscinny, “estes portugueses são loucos!”
O “É proibido mas pode-se fazer” reescrito, mas a modos que ao contrário
Pois, aqui é mais “é permitido mas não se pode fazer”. Talvez o RAP queira fazer uma imitação do ministro Cabrita no próximo Domingo…
Já tinha comentado isso em casa mas também o caso dos trabalhadores que não foram deixados passar apesar do teste rápido feito pelo funcionário (paquistanês) da empresa de cedência temporária de mão-de-obra na presença da GNR.
Os agentes da GNR não têm competência para ler/validar os resultados do teste pelo que este não serve para nada. É necessário que a delegação local do MA emita uma listagem com o nome dos trabalhadores que fizeram o teste e aí, os agentes da GNR já têm competência para comparar os nomes da listagem com os documentos de identificação.
São os trabalhadores que não podem passar, são os produtores que não podem ir às explorações porque vivem noutra freguesia, são estradas bloqueadas sem se pensar muito bem nas consequências… nunca se saberá bem a dimensão do disparate.
“Catch 22” à portuguesa…
JSP
Não é rábula humorística, de facto. Faça o RAP, ou outro do mesmo ofício, o que fizer, se fizer, é a nossa realidade. E está para ficar, com sólido respaldo eleitoral. Aliás o que o bom povo parece querer, tirando algumas juventudes urbanas, é muito e bom confinamento, com o dinheiro a aparecer no fim do mês (não interessa como, desde que vá pingando), muitos canais de televisão, forte rede de internet e Uber eats. Ou Glovo. Ou coisa parecida.
Vai ficar tudo bem. Ou está, de facto. Para quê mudar?
A incompetência a atingir níveis nunca vistos… Nada que nos espante infelizmente.
Se mete o Cabrita já sabemos como vai correr.
“diálogo entre o morador do Almograve e o GRN”… Ainda se fossem agentes da GNR!…
Bem visto. Corrigido, com um agradecimento.
A ida à farmácia não foi sempre uma das excepções aos apertos confinativos??
Não me pergunte. Eu já deixei de saber a quantas andamos nisto do confinamento há muitos meses. Por exemplo, não faço ideia se já posso comprar bebidas alcoólicas a partir das 20:00.
Sim, mas só até às 21:00 para não se alambazar… 😉
Então sábado vou comprar uma garrafa de vinho ás 20.00h para o jantar.
Porque toda esta situação – exigência de um teste que só pode ser feito numa outra freguesia – já é caricata quanto baste!
À distância, é. Os vários amigos que vivem naquelas freguesias não estão a achar a mesma graça, por aquilo que me vão contando.
Há 20 anos seria pior: nem poderíamos conviver à distância.
Ainda bem que isto é uma rábula humorística porque se isto fosse a sério já estava aí o presidente da junta com uma barraquinha montada a vender testes negativos selados e autenticados.
Dei essa sugestão a alguns amigos, mas a coisa não pareceu viável.