Ao ler esta entrevista do arquitecto Saraiva pensei que delirava. Não ele, eu. Depois, ao ler o resto das notícias do dia, e tendo confirmado, para desgraça minha, que o Benfica tinha perdido na Luz com o Vitória de Guimarães, conclui que não era eu quem estava em transe. Era tudo verdade verdadinha.
Por isso mesmo, talvez alguém me possa esclarecer se os problemas financeiros do Sol só começaram com o caso Freeport? Ou se terão alguma coisa a ver com o facto das tiragens do jornal nunca terem ultrapassado as da concorrência, nem em 3 meses, nem em 6 meses, nem nunca, bem ao contrário do que foi prometido ao portugueses (eu esta não a perdoo depois de toda a esperança que depositei nas palavras do arquitecto) no dia do lançamento do jornal, e muito antes do Freeport tomar conta da redacção do Sol?
Será que quando o Sol anunciou que não ia dar brindes, que isso era coisa para o Expresso e outros pasquins que por aí há, e passado alguns meses o jornal começou a oferecer filmes, livros e outro tipo de brindes, fê-lo por ter dificuldades com a obtenção de financiamentos junto do Millennium BCP, por culpa do Frreport ou por não atingir o patamar de vendas com que contava? E os accionistas do Sol só tinham crédito junto desse banco que, fiquei a sabê-lo agora, atenta sub-repticiamente contra a liberdade de imprensa?
Por que razão o arquitecto Saraiva não falou antes com Dias Loureiro ou Oliveira e Costa para obter um financiamento junto do BPN? Ou com o BPP? Houve algum motivo para o arquitecto Saraiva, se tinha fundadas suspeitas de que o jornal estava a ser prejudicado, não denunciar logo a situação?
Por que razão não o fez antes das legislativas de 27 de Setembro? Que saberá o arquitecto Saraiva sobre o "Face Oculta" que a gente não saiba? Frequenta casas de alterne? Será que o arquitecto Saraiva também tem uma visão a três dimensões e com som estereofónico do processo "Face Oculta", à semelhança do que acontece com algumas visões da História de Portugal? José Rodrigues dos Santos já saberá disto? Ou será que a entrevista que o arquitecto Saraiva deu ao Correio da Manhã é já uma consequência do h1n1 nas páginas do Sol?
Espero que o Dr. Pinto Monteiro tenha a gentileza de deixar o arquitecto Saraiva colaborar com a investigação do Ministério Público. Os procuradores do MP e o Dr. Gomes podem não achar piada, mas esse é um problema deles. Se eles têm de ter a paciência necessária para ouvir a família Penedos e toda aquela gente durante uma data de horas, também deverão ter estofo para ouvir o arquitecto Saraiva até ele perder o pio.
Para mim, como leitor, uma vez por semana é quanto basta. Um pouco de humor no meio da crise ajuda-nos a manter o moral. A guerra. Ou melhor, a auto-estima, como diria Jorge Sampaio. Mas mais do que isso é que já me parece excessivo. A gente precisa de trabalhar. E todos sabem que ninguém consegue viver a vida toda a rir-se. Nem o Solnado. E disso percebia ele.

Nunca comprei ou irei comprar o Sol enquanto à sua frente estiver o sr. Saraiva.
Tinha piada ouvi-lo dizer que apenas estão nas mãos do BCP porque o projecto que liderou falhou ou está prestes a falhar.
E dizer mal do BCP – por quem não nutro nenhuma simpatia, mas obviamente deu-lhe jeito com outra direcção do banco – para depois se ir financiar a Angola deve ser a morte da ironia.