
Da apresentação da declaração de princípios de Sampaio de Nóvoa retive que o mesmo se compromete a dar continuidade ao legado de Eanes, Soares e Sampaio, deixando naturalmente Cavaco de fora, talvez pela singela razão de que este não o apoiou. Na verdade, trata-se de mandatos presidenciais absolutamente contraditórios, que vão desde o total intervencionismo (Eanes) à omissão absoluta (Sampaio), pelo que obviamente não resulta dali qualquer legado comum. Nóvoa bem podia por isso ter acrescentado o legado dos Reis de Portugal, desde D. Afonso Henriques a D. Manuel II, que o resultado prático seria o mesmo. É por isso que Nóvoa já acrescentou mais uma frase memorável ao rol com que nos costuma presentear ao dizer que “o Presidente da República não deve agir nem contra nem a favor dos governos ou das oposições“.
Uma vez que Nóvoa tanto gosta de citações talvez pudesse recordar a inspiração dessa frase numa célebre boutade do político brasileiro Benedito Valadares, que dizia: “Eu não sou contra nem a favor, muito pelo contrário!“. Na verdade, tudo em Nóvoa lembra a história de Benedito Valadares. Da mesma forma que António Costa não tinha candidato presidencial, Getúlio Vargas não tinha candidato a governador de Minas Gerais, tendo tomado a decisão de escolher Benedito Valadares por um motivo singelo: “Todos tinham candidato e queriam apenas que eu adoptasse as preferências alheias. Só eu não podia ter candidato, e pensei que deveria tê-lo. Escolhi esse rapaz tranquilo e modesto, que me procurou antes, sem nunca pensar que seu nome pudesse ser apontado como interventor”. A decisão causou de tal forma surpresa na população que surgiu em todo o Brasil uma célebre frase: “Será o Benedito?”. A reacção geral em Portugal à escolha de Sampaio da Nóvoa por António Costa será seguramente de teor semelhante. Quanto ao candidato promete-nos “ser um Presidente presente, próximo das pessoas, capaz de ouvir, de cuidar, de proteger“. Acredito que também acabe a dizer como Benedito Valadares: “Estou rouco de tanto ouvir!“.

Estou velho!
Dói-me o joelho
Dói-me parte do antebraço
Dói-me a parte interna
De uma perna
E parte amiga
Da barriga
Que fadiga
O que é que eu faço?
Escolho o baço ou o almoço?
Vira o osso
Dói o pescoço
É do excesso
Do ex-sexo
Alvoroço
Reboliço
Perco o viço
Já soluço
Já sobroço
Esmiúço
Os meus sintomas
E já agora, do meu médico
Os diplomas
Esmiúço
A consciência
E já agora, apresento a penitência
Ah que estou arrependido
De ter feito e de ter tido
Ai coração, ora seja
Como a que ouvi na igreja
Mea culpa, mea culpa
Minha máxima desculpa
É ter vindo p´ro presente
Conservado em aguardente
Quero ser p’ra sempre jovem
As minhas células movem
Uma campanha eficaz
Água benta e água-raz
O elixir da eterna juventude
Esse que quer que tudo mude
P’ra que tudo fique igual
Estava marado
Falsificado
É desleal!
Vou implorar aos apóstolos
Mas é pior, que desgosto-os
Com tanto pecado junto
Não lhes pega nem o unto
Vou recorrer aos meus santos
Esses, ao menos, são tantos
Que há-de haver um que me acuda
Senão ainda tenho o buda
Maomé vai à montanha
O papa, ninguém o apanha
Na rússia, o rato rói a rolha
Venha o diabo e escolha
O elixir da eterna juventude
Esse que quer que tudo mude
P’ra que tudo fique igual
Estava marado
Falsificado
É desleal!
Misticismo agora à parte
Envelhecer é uma arte
“arte-nova”, “arte-final”
Numa luta desigual
Só me vou pôr de joelhos
Ante o mais velho dos velhos
E perguntar-lhes o segredo
De p’ra ele inda ser cedo
Quando o espelho me mira
Já nem o chapéu me tira
Deito-lhe a língua de for a
Pisco o olho e vou-me embora
O elixir da eterna juventude
Esse que quer que tudo mude
P’ra que tudo fique igual
Estava marado
Falsificado
É desleal!
A ignorância do sujeito não tem limites: ignora, por exemplo, que a revisão constitucional de 1982 foi em grande medida feita para ACABAR COM OS PODERES PRESIDENCIAIS QUE EANES DETINHA!
Para estar próximo das pessoas…
Não precisa de andar muito: — basta pôr-se na bicha(fila) para os pasteis de Belém!
Um Porto- Benfica! (incógnito)
Posso continuar?
Ir às Urgências do Amadora Sintra ( como doente, por exemplo, uma gripinha )
Ir a Uma repartição das Finanças , pagar o IMI e os 65 selos dos carros do palácio
Ir ao festival da Azambujeira do Mar ( com um charro no colete)
Passar os cãezinhos do palácio no Jardim Do Zé … ( sem bolsinhas apanha cócó)
Disfarçado de idoso (com maquiagem)e passar uma noite num lar da 3″ idade.
Na semana seguinte, numa Pousada da Juventude !
Deem dicas ao futuro…
Que barbicha totalmente inapresentável.
Qualquer dia, anda como o Mujica, que merece(ia), apesar de tudo, infinitamente mais simpatia.
Bom post.
Está bem. Não voto neste.
Vou votar no outro que não sabia o nome da mandatária. Como é que ele se chamava?
Ou então em D, Sebastião, o desejado, o paladino dos conservadores.
Isto tem piada. Quando se percebeu que os candidatos do PS – Guterres, Gama, Vitorino – não se iam apresentar, houve um coro de gente a notar como o PS nem um candidato podia apresentar quando o PSD tinha vários desejosos de ir – Marcelo, Santana, Barroso, Rio.
Neste momento o PS, apoia um candidato que está sob escrutínio. Os milhentos do PSD estão a ver em que param as modas.
Diz-nos qualquer coisa o facto de um candidato necessitar de ter o aval de Passos Coelho para concorrer – só se admite um Cavaco II.
O Costa já declarou que o PS apoiava oficialmente este nefelibata?
Tens de ressonar menos as reuniões do teu partido.
Educativo e com piada. Gostei do post a rir-me mesmo!
(…)
Entrevistador- Faz um retrato muito cru. Cita frases muito brejeiras, cheias de palavrões. É uma forma de dessacralizar a figura?
JV- Mário Soares sempre teve muito cuidado em controlar o seu discurso público. As entrevistas que ele dava partiam sempre da condição de ele ver o texto antes de ser publicado. Mas quando dava entrevistas para a imprensa escrita, revelava muito o que era em privado. E ele usa esse tipo de linguagem, baseada no vernáculo e no calão. Achei que não me competia estar a adocicar o discurso. Mas tive o cuidado de não usar algumas palavras que Soares usa para qualificar os seus adversários.
Entrevistador- Mas conta o episódio em que Soares diz sobre Eanes “como é que vou apoiar este cabrão?”…
JV – Foi a única coisa que decidi manter, porque há um valor político, que corresponde ao ódio visceral que se instalou entre um e outro. Soares perdoou a muita gente ao longo da vida, mas nunca vai perdoar a Eanes. Acha que foi atraiçoado.
(…)
Ler mais em: http://www.cmjornal.xl.pt/domingo/detalh e/mimado-mulherengo-e-socialista.html
(…)
Entrevistador- Faz um retrato muito cru. Cita frases muito brejeiras, cheias de palavrões. É uma forma de dessacralizar a figura?
JV- Mário Soares sempre teve muito cuidado em controlar o seu discurso público. As entrevistas que ele dava partiam sempre da condição de ele ver o texto antes de ser publicado. Mas quando dava entrevistas para a imprensa escrita, revelava muito o que era em privado. E ele usa esse tipo de linguagem, baseada no vernáculo e no calão. Achei que não me competia estar a adocicar o discurso. Mas tive o cuidado de não usar algumas palavras que Soares usa para qualificar os seus adversários.
Entrevistador- Mas conta o episódio em que Soares diz sobre Eanes “como é que vou apoiar este cabrão?”…
JV – Foi a única coisa que decidi manter, porque há um valor político, que corresponde ao ódio visceral que se instalou entre um e outro. Soares perdoou a muita gente ao longo da vida, mas nunca vai perdoar a Eanes. Acha que foi atraiçoado.
(…)
Ler mais em: http://www.cmjornal.xl.pt/domingo/detalh e/mimado-mulherengo-e-socialista.html
à omissão absoluta (Sampaio)
Julgava o Sampaio que tinha dissolvido o parlamento para dar o poder ao 44, mas devo estar a fazer confusão.
Isso foi porque cometeu a omissão absoluta de aceitar um governo Santana Lopes que manifestamente não tinha quaisquer condições políticas, reduzindo o papel do Presidente a zero. Esse foi um erro que Eanes nunca cometeu. Quando lhe propuseram Vítor Crespo para primeiro-ministro, dissolveu imediatamente a assembleia.