«Qualquer pessoa que conheça minimamente o PSD – e eu faço parte dessas pessoas – pensa que a última coisa que o partido podia aceitar seria essa proposta que o presidente do partido fez [ao Presidente da República]. Porque é primeiro-ministro mas é presidente do partido. É preciso não conhecer o partido – e ele conhece-o, com certeza – para pensar que o partido aceitaria uma coligação com o CDS-PP em que o CDS-PP fosse a parte mais forte dessa coligação.»
«Do ponto de vista do partido, era uma proposta que não tinha a mínima hipótese de ser aceite. Em qualquer órgão – o Conselho Nacional, o Congresso – seria inimaginável o partido aceitar.»
«Os partidos não aceitam tudo aquilo que os líderes dizem que querem fazer. É sempre bom consultá-los.»
«É evidente que o pedido do PS de eleições antecipadas tem muito de táctica e muito de interesse partidário e muito pouco de interesse nacional.»
Palavras de Manuela Ferreira Leite, no seu mais recente comentário na TVI 24.
Notável raciocínio: Pedro Passos Coelho é duramente acusado de não olhar aos interesses do PSD e António José Seguro é duramente acusado de só olhar aos interesses do PS.

Desculpe mas não entendo a sua conclusão.
Pelo que nos deu a ler, Manuela Ferreira Leite nunca refere Seguro mas sim o PS, já quanto ao 1º parágrafo, refere claramente a opção do primeiro-ministro e líder do PSD, que ao que se percebe, tomou essa opção sem consultar os órgãos do seu partido.
Pois do que é público, Seguro (e não só) tem transmitido todos os seus estados de alma em perfeita sintonia lá com as gentes do seu partido.
Parece-me muito claro e objectivo este comentário de M F Leite com o qual concordo.
Também me parece muito claro, e até compreensível, que as hostes e interesses que sob a batuta do Dr. Relvas levaram o PSD a este desnorte, estejam agora muito preocupados com o fim da saison e os brilhantes resultados obtidos e consequente memória para a história.
Bem podem continuar a bater no ceguinho, a purga neste PSD é inevitável.
O seu raciocínio é mais tortuoso do que o do Presidente da República. MFL “nunca refere Seguro, mas sim o PS”, diz você. Para já, acho fabuloso esse eufemismo: criticar, para si, é “referir”. Se a ex-líder do PSD critica o PS está a criticar o líder, não lhe parece? O líder chama-se Seguro. Não se chama Sócrates, nem Assis, nem Constâncio, nem Salgado Zenha.
É notável, esta duplicidade: Passos peca por não ter atendido aos interesses partidários, Seguro peca por ter atendido aos interesses partidários. É uma análise política de fino recorte.
Venha a “purga”. Para já existe apenas na imaginação de três pessoas. Uma delas é você.
Fico bem com um tortuoso raciocínio, o mesmo não direi de uma impossível de adjectivar defesa de Coelho&Relvas face à patente e incontornável realidade.
Já quanto ao sobranceiro desrespeito pelos anciãos, por muito que tenham falhado, a adjectivação, de tão fácil e consensual, torna-se até enfadonha.
Agora, acreditar que depois da era Coelho&Relvas tudo no PSD vai continuar na mesma, isso meu caro, das duas uma, ou é muita fé ou muita imbecilidade.
Admiro a sua capacidade de argumentação: chama imbecil a quem discorda de si e recolhe no coldre a pistola ainda fumegante, todo satisfeito pelo tiro de pólvora seca acabado de disparar.
Com “argumentos” destes, de facto, todo o debate é impossível. Fica a democracia suspensa por seis meses. Ou seis anos, sei lá.
Qualquer pessoa que conheça o partido sabe que o PSD não aceitaria a coisa. Mas, segundo ela própria afirma, PPC conhece o partido. Conclusão: a falar, esta senhora é pior que Cavaco.
Nada que um cruzeiro pelas ilhas Selvagens não resolva.
Não me admira nada que tenha dito “iminaginável”, a avó Manela exprime-se pessimamente.
Esse lapso é meu, Big. Mas só esse.
Foi uma pena o República não aceitar a remodelação do governo…
–Ele contava com o alto patrocínio da SUPER BOCK!
Ainda se fosse o patrocínio da Sagres Bohemia…