Sensibilidade e bom senso


Teresa Ribeiro,

Já que não é possível baixar impostos, o Governo decidiu aliviar os portugueses reduzindo as multas por crimes ambientais. É um começo. Quem sabe com sorte também beneficiaremos em breve da redução das multas de trânsito, um verdadeiro calvário.

A partir de agora será mais fácil pic nicar na mata, já que não teremos que nos preocupar tanto com a questão do lixo. Por outro lado os nossos empresários, coitaditos, vão poder trabalhar mais à vontade despejando os seus resíduos aonde lhes aprouver, com um mínimo de encargos. É destas medidas que o país precisa para fomentar o empreendedorismo e a paz social.

Por ser oportuna e se enquadrar num espírito verdadeiramente europeu, esta proposta do Governo foi aprovada na semana passada pela maioria do PS. Os outros partidos votaram contra, sabe-se lá porquê.

 Recorde-se que no comunicado que o executivo difundiu, em finais de Abril, após a aprovação desta proposta em Conselho de Ministros,  lia-se que o objectivo da medida era "conferir ao regime aplicável às contra-ordenações ambientais um carácter mais adequado ao quadro socio-económico do País, ajustando as punições às necessidades de não comprometer a subsistência de pessoas singulares e de pessoas colectivas, de pequena e média dimensão". That’s the spirit! Na porcalhota é assim que se enfrenta o futuro.

8 comentários em “Sensibilidade e bom senso”

  1. A falta de sensibilidade
    para com o meio ambiente,
    desmascara a imbecilidade
    de uma política incipiente.

    Aumenta a desprotecção
    da nossa natureza,
    adensa-se a preocupação
    pela respectiva impureza.

    A política ecológica
    da maioria socialista,
    é miseravelmente escatológica
    e extremamente simplista.

    Os recursos ambientais
    ficam menos defendidos ,
    estas medidas governamentais
    deixam os mexilhões ofendidos.

  2. Gosto da ilustração, Teresa. Alguns pensarão tratar-se de uma caricatura. Para mim, é um retrato deste tipo de medidas profundas dos nossos decisores políticos. Presumo que a União Europeia não tardará a copiar a iniciativa. Pelo menos, a copiar o traço da ilustração para reter uma imagem de Portugal.

  3. Teresa, neste caso acho que até se justificaram as alterações. Os valores das multas não desceram em média, mas foi resolvido um erro da lei anterior que multava de forma brutal a falta de documentos administrativos, e não os despejos e a produção de lixos. As multas eramdesproporcionadas e levavam a que algumas empresas ficassem um risco por falta de um papel qualquer papel que atestasse o cumpriento da Lei.

  4. Excelente. O teu texto, não a medida governamental, indigna de quem já desempenhou funções de ministro do Ambiente e teria até por isso especiais responsabilidades nesta matéria.

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