Independentemente da opinião que eu tenha sobre o assunto em questão, parece-me difícil imaginar dias mais impróprios para os partidos políticos votarem a lei da eutanásia.
Sensibilidade e bom-senso
João Sousa,
Independentemente da opinião que eu tenha sobre o assunto em questão, parece-me difícil imaginar dias mais impróprios para os partidos políticos votarem a lei da eutanásia.
Acha que nós, o pessoal das metastases, nos ralamos com o sentido de oportunidade? Não.
Não se pretendem eutanasiar as vítimas de Covid.
Os pressupostos que levam alguém a pedir a eutanásia – sofrimento intenso e doença incurável – não se alteram por haver uma epidemia. A ideia de que por estar a morrer muita gente um doente terminal deixa de sofrer é bizarra.
Também não ouvir os que sofrem porque a TV tem outra coisa a ocupar o prime time pareceria estranho.
Nunca vi tamanho despropósito…
Aqui há o aproveitamento da esquerda e extrema esquerda de aproveitamento da onda mediática de mortes para que os mais pobres e vulneráveis em caso de dúvidas optem pela eutanásia e assim diminuir o peso do orçamento.
Também sei jogar o jogo da esquerda e extrema esquerda.
«Independentemente da opinião que (também) tenha sobre o assunto em questão», discordo de si: os nossos deputados ainda não estão incapacitados de cumprir as suas funções
Mais uma vez se começa pelo fim. Segundo dados da OCDE, somos o 4° país do mundo com maior carga fiscal. No entanto, o nosso sistema de saúde entra em colapso quando 0,06 % de pessoas necessitam de internamento, e quando 0,007% necessita de cuidados intensivos.
Com um sistema de saúde desta qualidade, não admira que a eutanásia seja a única resposta possível para muita gente. Nem admira que se estrangule uma sociedade e uma economia desta forma desgovernada.
Com o aborto foi a mesma história. Primeiro despenaliza-se e só depois se elabora um plano de educação sexual nacional, que ainda não se viu.
Agora fica à interpretação de cada um. Ou somos incompetentes, ou somos visionários.
Paulo, então? Se formos por aí não há adequação que nos valha. Tenho a certeza de já se ter discutido, em plenário, tangerinas de manhã e saúdes à noite. Isto da eutanásia já anda por aí há tanto tempo que exala a cadáver. O que me causa espécie é falar-se de eutanásia ao mesmo tempo que se sabe do abandono e do desinvestimento, em cuidados e infraestruturas de saúde, no interior do país….no Alentejo é uma tristeza. Ou quando se ultrapassam prazos aceitáveis para a realização de determinados exames e consecutivamente tratamentos e se fala no pentobarbital
A Eutanásia visa livrar as pessoas de sofrimentos insuportáveis. Para esse fim, qualquer momento é próprio uma vez que é necessária rapidez para livrar o maior número possível de pessoas. Neste momento há graves problemas de saúde, o que implica sérias perspectivas de sofrimento, e isso até torna o momento mais apropriado.
Em Portugal usa-se muito “chover no molhado” . Os provérbios populares estão sempre a ser cumpridos. Nunca falham…
Mas há quem seja a favor do sofrimento: dizem que o sofrimento liberta. Até há quem use cilício. E há quem prefira morrer a aceitar uma transfusão de sangue.
O que não acho bem é que se procure impor aos outros como fazem os activistas anti-Eutanásia. E os que acham pouco próprio o momento para se acabar (ou minorar) o sofrimento.
Qualquer dia é bom para aprovar uma lei que visa resolver um problema concreto de muito boa gente.
“lei que visa resolver um problema concreto de muito boa gente.”
Claro. Mas há quem pense que se deve dizer àqueles que sofrem dores insuportáveis e susceptíveis de serem abrangidas pela Eutanásia: “aguentem, aguentem”. Fazem lembrar o Dr Ulrich. É sempre fácil dizer aos outros que sofram.
Absolutamente, João. Aproveitando o título do post e da novela, diria que é um caso acabado de insensibilidade e falta de senso.