Sempre a aprender


Pedro Correia,

 

Estamos sempre a aprender. Fiquei hoje a saber, graças à escalada anti-republicana dos nossos amigos do 31 da Armada em Lisboa, que a substituição da bandeira municipal é punível com pena de prisão até dois anos. Fiquei também a saber que é possível escalar tranquilamente a fachada do edifício da Câmara Municipal, a dois passos de uma esquadra e do Ministério da Administração Interna, sem ninguém reparar. Fiquei ainda a saber que é possível manter a bandeira monárquica hasteada na varanda dos paços do concelho durante cerca de 12 horas perante a admirável displicência das autoridades municipais desta doce república.

E, não sei bem porquê, logo me lembrei destes versos do Alexandre O’Neill: "Bandeira de gestos congelada / no mais bonito, / cessado um vento que não foi do esp’rito."

 

Foto: 31 da Armada

12 comentários em “Sempre a aprender”

          1. Quer saber? Eu até tinha melhor imagem deles, mas depois que vi alguns a caminhar na capital do reino com um escadote na mão e a trepar às varandas, acabou-se. Nem um cavalo sequer? Acho imperdoável.

  1. O que mais gostei foi de ouvir o Vitorino, no 31 de Armada, a cantar o hino da Maria de Fonte. Há que tempos que não ouvia … agora só falta arranjar uns professores de português aos rapazes.

  2. Escrevi, a propósito, no meu blog: margemesquerdatribunalibre.blogspot.com

    Por alguns momentos nos braços de uma duquesa!

    Será por causa de uns tipos hastearem a bandeira monárquica que deixo de ser republicano?!… Evidentemente que não! Mas não deixo de pressentir que ando fora do tempo. O tempo que vivemos é muito mais monárquico que republicano. Andamos a ser governados por barões, duques, princesas e outros que vivem em “re(g)alezas”.

    A bandeira é o símbolo representativo de uma sociedade e a monárquica é a que mais se ajusta à nossa sociedade dominante. Onde encontram presunção maior, loquacidade mais sublime, que a de um barão?!… Não será esse o título que melhor se adequa a Sócrates?!…

    Perguntem a Eça e reparem que, nas épocas de decadência, os reis e os nobres tinham sempre presente a necessidade de garantir ao povo que as suas barrigas ficavam abarrotadas a troco do apoio que lhes desse.

    De igual forma, Sócrates garante que é dele, e só dele, a felicidade dos portugueses. Até já descobriu que é vantagem o que sempre desprezou: tornou o socialismo das novas tecnologias, do TGV e das auto-estradas a rodos no maná que irá cair sobre toda a república!

    Lembram-se de quem escreveu um dia: “O patriotismo das formas de governo é o último refúgio de um imbecil”?!… Este senhor, Samuel Johnson, editor das obras de Shakespeare, garante que “ Se não fosse a imaginação, o homem seria tão feliz nos braços de uma criada quanto nos de uma duquesa”.

    A nossa imaginação tem-nos traído. Julgávamos que Sócrates viria resolver os nossos problemas, a ponto de nos sentirmos nos braços de uma duquesa, e ficamos estendidos na penúria.

    Coloquemos um chapéu de coco e pensando debaixo para cima, deixemo-nos elevar pela imaginação ao nivel dos braços de uma duquesa. Pode ser que, pelo menos, durante alguns instantes, nos sintamos honrados e felizes.

    Estou certo que foi esse o propósito dos homens do “31 da Armada”: amaciar o nosso “ego”! E não são nenhuns andrajosos verdes eufémios!

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