Não foi mau mas, pelo menos no que respeita a livros, já fiz melhor.
5 comentários em “Semana do Natal”
Nada mal, JAA. Vejo aí ‘Casque d’Or’, um dos filmes da minha vida – com uma luminosa Simone Signoret e uma realização inesquecível de Jacques Becker, um cineasta hoje infelizmente muito esquecido. E o ‘Sunrise’, de Munrau – outra obra-prima do cinema, um filme que muitos tentaram copiar sem conseguir. O Chabrol tinha altos e baixos: o último dele, que estreou recentemente em Portugal, era fraco. Mas nos anos 90 assinou vários filmes extraordinários – um deles, que nunca mais revi, é ‘O Inferno’, com Emannuelle Béart. Bem gostava de o rever agora.
Ah, e – vejo agora – também ‘O Desprezo’, um filme inundado pela luz solar. A luz de Capri, com uma fulgurante Brigitte Bargot e uma aparição antológica de Fritz Lang. Para mim, o melhor filme do Godard – a par, naturalmente, de ‘À Bout de Souffle’.
Eu não sou grande fã do Godard. É daqueles realizadores que aprecio mais pelo que estão a tentar dizer (concorde ou não com o ponto de vista) que pela forma como o estão a dizer. Mas acho piada a alguns filmes e, em ‘Le Mépris’, Bardot é, a todos os níveis, extraordinária. E depois há o pormenor, que acho delicioso, de, num filme que aborda a luta entre a expressão artística e os interesses comerciais, com Jack Palance (um pouco deslocado, não?) a fazer o papel de um produtor sem qualquer espécie de sensibilidade, um dos produtores ter exigido a Godard cenas de nudez (afinal, era para ver Bardot nua que o público ia ao cinema), levando-o a filmar algumas mas de um modo em que, estando lá a nudez (desde logo na famosa cena inicial, com Bardot nua em cima da cama a falar com Michel Piccoli), não está o erotismo (enfim, pelo menos de forma evidente…). Já a participação de Fritz Lang não me convence, embora o problema esteja em mim: olho para ele e estou todo o tempo a ver ‘Metropolis’ ou ‘M’, não conseguindo associá-lo ao cinema mais ‘artístico’ (no sentido de pomposo) que aquele realizador parece defender.
O ‘Casque d’Or’ (que eu nunca vira – ou pelo menos não me lembro de o ter feito) é sublime e esta edição em Blu-ray tem uma qualidade de imagem imaculada. O ‘Sunrise’ também é fantástico, claro, embora, durante a maior parte do tempo, muito menos luminoso – apesar de ter sido rodado nos EUA, tem quase todas as marcas do expressionismo alemão. É curioso que menciones as tentativas de imitação porque tanto um como o outro têm histórias muito simples (especialmente o ‘Sunrise’) mas apresentadas de uma forma que, sem se perceber bem como, evita os lugares-comuns.
Quanto ao Chabrol, esta caixa tem 8 filmes dos anos 60 e 70, revelando um pouco a irregularidade que mencionas. O ‘L’Enfer’ não tenho (penso que o vi na televisão há muitos anos), pelo que nada posso fazer para o reveres. 🙂 Dos anos 90, também gosto do ‘La Cérémonie’, com a Sandrinne Bonnaire (que adorei rever esta semana no ‘Monsieur Hire’, do Patrice Leconte) e a Isabelle Huppert.
Nada mal, JAA. Vejo aí ‘Casque d’Or’, um dos filmes da minha vida – com uma luminosa Simone Signoret e uma realização inesquecível de Jacques Becker, um cineasta hoje infelizmente muito esquecido. E o ‘Sunrise’, de Munrau – outra obra-prima do cinema, um filme que muitos tentaram copiar sem conseguir. O Chabrol tinha altos e baixos: o último dele, que estreou recentemente em Portugal, era fraco. Mas nos anos 90 assinou vários filmes extraordinários – um deles, que nunca mais revi, é ‘O Inferno’, com Emannuelle Béart. Bem gostava de o rever agora.
Ah, e – vejo agora – também ‘O Desprezo’, um filme inundado pela luz solar. A luz de Capri, com uma fulgurante Brigitte Bargot e uma aparição antológica de Fritz Lang. Para mim, o melhor filme do Godard – a par, naturalmente, de ‘À Bout de Souffle’.
Eu não sou grande fã do Godard. É daqueles realizadores que aprecio mais pelo que estão a tentar dizer (concorde ou não com o ponto de vista) que pela forma como o estão a dizer. Mas acho piada a alguns filmes e, em ‘Le Mépris’, Bardot é, a todos os níveis, extraordinária. E depois há o pormenor, que acho delicioso, de, num filme que aborda a luta entre a expressão artística e os interesses comerciais, com Jack Palance (um pouco deslocado, não?) a fazer o papel de um produtor sem qualquer espécie de sensibilidade, um dos produtores ter exigido a Godard cenas de nudez (afinal, era para ver Bardot nua que o público ia ao cinema), levando-o a filmar algumas mas de um modo em que, estando lá a nudez (desde logo na famosa cena inicial, com Bardot nua em cima da cama a falar com Michel Piccoli), não está o erotismo (enfim, pelo menos de forma evidente…). Já a participação de Fritz Lang não me convence, embora o problema esteja em mim: olho para ele e estou todo o tempo a ver ‘Metropolis’ ou ‘M’, não conseguindo associá-lo ao cinema mais ‘artístico’ (no sentido de pomposo) que aquele realizador parece defender.
O ‘Casque d’Or’ (que eu nunca vira – ou pelo menos não me lembro de o ter feito) é sublime e esta edição em Blu-ray tem uma qualidade de imagem imaculada. O ‘Sunrise’ também é fantástico, claro, embora, durante a maior parte do tempo, muito menos luminoso – apesar de ter sido rodado nos EUA, tem quase todas as marcas do expressionismo alemão. É curioso que menciones as tentativas de imitação porque tanto um como o outro têm histórias muito simples (especialmente o ‘Sunrise’) mas apresentadas de uma forma que, sem se perceber bem como, evita os lugares-comuns.
Quanto ao Chabrol, esta caixa tem 8 filmes dos anos 60 e 70, revelando um pouco a irregularidade que mencionas. O ‘L’Enfer’ não tenho (penso que o vi na televisão há muitos anos), pelo que nada posso fazer para o reveres. 🙂 Dos anos 90, também gosto do ‘La Cérémonie’, com a Sandrinne Bonnaire (que adorei rever esta semana no ‘Monsieur Hire’, do Patrice Leconte) e a Isabelle Huppert.
Subscrevo, grandes filmes.