Sem surpresa e sem vergonha


Pedro Correia,

Ontem, na Assembleia da República, o PCP votou contra a visita (já realizada) do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa à Ucrânia. Foi, sem surpresa, o único partido parlamentar a fazê-lo – comprovando a sua colagem à tirania de Vladimir Putin, invasor da Ucrânia. Este voto aconteceu no próprio dia em que o ditador russo voltou a castigar a população civil do martirizado país vizinho, como responsável máximo pelo ataque a um mercado da cidade de Kostiantinivka, em Donetsk. Com consequências trágicas: pelo menos 17 mortos e 34 feridos. Gente simples, gente pobre – a tal gente que os comunistas tanto gostam de evocar na sua propaganda.                                                      

Votaram contra a ida (já consumada) de Marcelo. Sem uma palavra, mesmo que simbólica, de compaixão pelas vítimas. Sem um pingo de vergonha.

 

25 comentários em “Sem surpresa e sem vergonha”

  1. pelo menos 17 mortos e 34 feridos. Gente simples, gente pobre

    Não sei, não.

    Essa cidade fica muito perto (menos de 10 quilómetros) de Bakhmut, na linha da frente. Provavelmente a imensa maior parte dos seus habitantes originais já terá fugido, e grande parte da gente que por lá anda serão soldados.

    Uma vez vi uma reportagem na Economist sobre Kramatorsk, uma cidade maior e ligeiramente mais afastada da linha da frente. Diziam que a cidade serve atualmente em boa parte para prostituição para os soldados solteiros, e para encontros sexuais dos soldados com as suas namoradas que os vão lá visitar. A população civil original da cidade em boa parte já desapareceu de lá.

    1. Precisamente os mais pobres e humildes são os que ficam. Por falta absoluta de alternativas. Esses são os que frequentam os mercados.
      São as vítimas principais desta guerra de agressão de Putin à Ucrânia.

      1. os mais pobres e humildes são os que ficam. Por falta absoluta de alternativas

        É verdade. Mas também é verdade que a cidade é um alvo razoável (não digo “legítimo”), por estar (presumivelmente) cheia de soldados.

  2. O bípede raimundo pode contar, e conta, sempre com o apoio devotado dos idiotas (in)úteis de “toda la vida”…
    Uma tradição que, tal como o Constantino”, já vem de longe…
    JSP

  3. O PCP ainda vive num mundo que acabou após a queda do muro de Berlim. A nossa AR é patética quando vota algo que já aconteceu (se por absurdo o voto fosse contra a deslocação do Sr PR, o que é que acontecia ?)…

    Pedro Cunha

    1. Imagine o que acontecerá a Europa com a Alemanha numa profunda recessão…Portugal devia era pedir para entrar nos BRICS, mas anda armado em atrasado mental ideologista, e preferível enviar o povo para a fome do que mandar a fava os loucos de Kiev…mas enfim , tem o apoio dessa classe super ideológica chamada de jornalística…que nunca tem culpa de nada

      1. Estes malditos jornalistas que trabalham num pais democrático que elege os seus políticos por vontade expressa do povo. Como seria melhor se tudo fosse decidido pelo comité central do sr. Raimundo que nunca será eleito mas sim imposto à carneirada que o segue. Perceba uma coisa ó balio : poucos são aqueles que têm vocação para carneiro. Nos jornalistas acredita que quer. No PCP, senão acreditarem, são excluidos.

  4. Eh eh comunistas aparachiques,os que realmente mandam nos fiéis daquilo, a compadecer-se,arrepender-se,nada disso faz parte da doutrina marxista.Por definição dogmática os marxistas têm sempre razão.Recebem o influxo do proletariado que os mandata para por eles serem mandados,pastoreados ao modo das igrejas tradicionais.
    Criticá-los é chover no molhado.O que eles decretam está decretado,a tal verdade a que temos direito.

  5. o PCP votou contra a visita (já realizada)

    Como é? Então a Assembleia da República, que tem uma Comissão Permanente, mesmo assim só aprova as viagens do Presidente da República a posteriori? Isto é legal?

  6. Há que reconhecer o mérito de o PCP mostrar ao que vem.
    O que me choca é o facto de alguém votar num partido assim.

  7. E ainda dizem com graça que vão à festa do Avante.
    Como se fosse inconsequente dar apoio a esta gente.
    São tudo menos inocentes e inofensivos.

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