
Era um dia frio de Inverno, apesar de o despontar de um sol radiante conferir um pouco de calor ao acontecimento.
Estava prevista a inauguração de um trabalho em azulejo executado pelos estudantes da Casa Pia de Lisboa, Colégio de Pina Manique, na zona do jardim ao lado do McDonald’s.
Seria o Presidente Jorge Sampaio a inaugurar a produção, que contaria também com a presença de vários ministros, do presidente da Junta de Freguesia e do Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, à data o engenheiro Carmona Rodrigues.
Servir um Porto de Honra aos participantes estava na ordem do dia. Depois de todos os trâmites com a segurança e dos preparativos para a função e após a chegada da cobertura televisiva e de todo o circo mediático que a envolve, começaram a juntar-se os participantes no evento. Como muitos dos demais intervenientes, o nosso Presidente da República chegou simpático e elegante no seu sobretudo azul escuro, distribuíndo cumprimentos na sua simpática e composta maneira de estar. Para mim só tinha um problema, que mexia tremendamente com a minha-espécie-de-POC, trazia imensa caspa nos ombros. Olhei e voltei a olhar e desviei o meu raio de visão, mas raios! foi mais forte do que eu. Avancei sem aviso prévio na direcção de S. Exa. e tratei de lhe começar a sacudir a caspinha dos ombros. Não sei do que é que eu estava à espera, mas a segurança travou-me imediatamente o braço criminoso, malgrado os meus protestos de querer apenas aprimorar a imagem do chefe da nação.
O nosso Pesidente, assim que percebeu a situação, conhecendo-me o suficiente para não me confundir com um Buíça, deixou claro ao zeloso segurança que “esta Senhora tem autorização para me limpar o casaco sempre que achar necessário.” Foi uma risota pegada! Mas a verdade é que o Presidente Jorge Sampaio falou, naquele dia, para a comunicação social sem qualquer peso nos ombros.
Deixou boas recordações como Presidente e como a excelente pessoa que sempre foi.
De todos, e conheci-os a todos, os inquilinos de Belém, este foi e sempre será o meu Presidente favorito.
Imagem Visão/Sapo

A que propósito e em que condição é que a Dulce conheceu (pessoalmente) todos os Presidentes da República?
Sou dos serviços secretos
Ahahahhh …. delícia de resposta!!!
‘Sou dos serviços secretos’, e ainda é?
Pela lucidez como escreve, nem parece que ainda conheceu pessoalmente o Óscar Carmona.
Claro! Ainda me lembro de tricotar um cachecol para o Óscar, um friorento por natureza. Uma coisa assim em bom ao melhor estilo Defarge. Nem me agradeceu. Feitios…
Feitios… e que belo feitio o seu.
Sim senhor ou, melhor, sim minha senhora.
Obrigada! Isto do Zero Zero antes do Zero, obriga a grande conhecimento técnico.
que mimo de história
Com que então a atirar-se ao Presidente… ainda bem que mulher dele não estava por perto…
Uma excelente Senhora D. Maria José. Se ela estivesse por perto o quadro seria seguramente diferente, porque as mulheres são muito zelosoas da aparência dos seus caras-metades.
‘jardim ao lado do McDonald’s’, é o Jardim Vasco da Gama.
Tem alguma coisa contra o Vasco da Gama?
Nada! É um dos meus vice-reis favoritos! Mas como a dita obra não fica exactamente no jardim Vasco da Gama, fica na Calçada antes do dito, que leva à esplanadas Rua Vieira Portuense, não a situo lá . Claro que um anónimo informado teria compreendido a diferença.
Na do Carmona saiu-se melhor.
Eu saio-me bem em tudo, tenho uma cultura de peso.
Excelente episódio, muito ilustrativo do que Sampaio era. Parabéns, Maria Dulce. Entrada directa na futura antologia DELITO DE OPINIÃO.
Obrigada Pedro!
Deliciosa homenagem, Dulce. Gostei de conhecer esta história tão reveladora, na sua simplicidade, do homem que ele foi.
Obrigada Teresa.