Sem perdão


Rui Rocha,

Pinto Monteiro, antigo Procurador Geral da República, almoçou com José Sócrates em vésperas de ter sido ordenada  a sua detenção. De acordo com Pinto Monteiro, falaram de viagens e livros. Foi, disse, uma conversa inocente. O mesmo termo – inocente – foi utilizado por Strawberry Alice para descrever William Munny (Clint Eastwood) em Unforgiven, depois de Little Bill Dagget lhe ter dado um arraial de porrada: you just kicked the shit out of an innocent man. Pena que nenhum jornalista se tenha lembrado de perguntar a Pinto Monteiro o que Little Bill Dagget respondeu, naquela ocasião, à prostituta: inocente de quê?

11 comentários em “Sem perdão”

  1. Achei, no mínimo, um pouco (quase nada) estranho:

    1. Que Sócrates tenha convidado PMonteiro para almoçar, uma vez que anteriormente, segundo este, nunca o tinham feito a sós.

    2. Que tenha aguardado mais de um ano para lhe oferecer um livro, em vez de lho ter feito chegar tempestivamente, com uma dedicatória e um cartãozinho, atendendo a que o ex-PGR achou por bem comparecer na cerimónia de lançamento do livro, onde esteve rodeado de conhecidos militantes do PS.

    3. Que o almoço tenha sido marcado, sem falta, para o dia seguinte, apesar de PMonteiro poder chegar atrasado por ir fazer exames no Hospital da Luz (ai, como eles gostam dos hospitais públicos…).

    4. Que Sócrates não tenha minimamente referido que ia para Paris dali a pouco. “Como vai a vida?” “Então, que tem feito?” são expressões correntes mas aparentemente ausentes da conversa: os dois a sós e durante o tempo de um almoço falaram de viagens (mas não a Paris) e de livros. Duas pessoas não no activo absterem-se de falar daquilo com que se ocupam é surpreendente: a discrição sobre isso seria mais natural se estivessem no activo.

    5., 6., …

    Isto para lá de várias afirmações do ex-PGR na entrevista que deu, por exemplo no que toca ao caso Freeport, ao caso Cova da Beira, a prejuízos políticos…

    Claro que um almoço entre dois cidadãos é um assunto privado e particular, mas limito-me a indicar o que me surpreendeu, na qualidade de Má Língua…

    1. Se essas coisas são estranhas a vida deste modesto anónimo está, diariamente, cheia de coisas estranhíssimas. O que é preciso é imaginação. Cada um contribui para o circo mediático na medida do poder da sua imaginação.

    2. O que eu não compreendi é porque que é que um almoço precisa de ser esclarecido televisivamente. O Dr Pinto Monteiro deve almoçar com muita gente e não vai contar à televisão as razões pelas quais o faz.
      Eu também não.

  2. Mas como é possível que o Sócrates esteja inocente do que quer que seja? Então ele não é culpado de tudo? Até de convidar o Pinto Monteiro para almoçar num local público como um restaurante, para o deixar entalado a balbuciar desculpas sobre livros e viagens?

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