Desde que se começou a aventar a hipótese de se fazer uma revisão ao Estatuto do Aluno, até ela ser efectivamente feita e finalmente promulgada pelo Presidente da República que não se fala de outra coisa. A bandeira principal, a pólvora, a panaceia que poria fim a todos os males do mundo, assim como uma banha da cobra que iria erradicar as enfermidades do mundo educativo estava aí, prestes a surgir e a repor a verdade do mundo e a justiça do universo: a distinção entre faltas justificadas e injustificadas. Da esquerda à direita, os líderes, sub-líderes, assessores dos líderes, amigos dos líderes e animais domésticos dos líderes políticos encheram as balofas bocas com palavras doutamente ignorantes e o povo cordato e obediente regozijou em júbilo com a mais esparvoada das mentiras. A distinção entre faltas justificadas e injustificadas existia no antigo Estatuto do Aluno. Os pais, encarregados de educação, e/ou quem os substitui, conhecem muito bem as folhinhas brancas A5, modelo do distinto Ministério da Educação onde escrevinham dias, horas, datas e causas da ausência dos seus educandos e que por vezes acompanham com atestados médicos ou declarações médicas. E para quê? Para que as faltas sejam justificadas naturalmente. E o que acontecia se assim não fosse? Acontecia que as faltas não eram justificadas e, não o sendo, os alunos teriam de realizar Prova de Recuperação quando ultrapassassem o dobro das horas semanais da disciplina a que faltou. Se as faltas fossem justificadas, apenas quando ultrapassassem o triplo teriam de se sujeitar a esse bicho burocrático e inane conhecido como Prova de Recuperação e que, convenhamos, terá ajudado muito às estatísticas socráticas que como sabemos é a sua preocupação principal. E depois da mesma mentira repetida como eco sempre que se aborda o assunto, fica claro que os nossos líderes e outros precisavam de uma Prova de Recuperação para recuperarem as aprendizagens, sim, o pleonasmo impõe-se, é para isso que serviam. Algo me diz que não recuperariam, mesmo com o Plano XPTO, para se porem ao fino. É sempre mais fácil pegar em chavões do que averiguar a verdade. O povo gosta.
Sem justificação
cronicasnofeminino,

Os tags falam por mim, minha cara, e dizem tudo: “Ai Portugal Portugal”.
É mesmo, Sérgio. Pergunto-me quantos casos mais não haverá em que se falta à verdade e que para os leigos são aceites como verdade. Este para mim, por razões óbvias, é fácil de identificar.
Quanto mais vejo e ouço os políticos que temos, mais me convenço de que muitos deles precisavam de uma Prova de Recuperação. E aposto que a maioria chumbava.
Ora bem, João, não sem antes cumprir os planos de acompanhamento e repetir as provas até à exaustão. É o país que temos. O que me surpreende, além da manifesta ignorância de quem veicula esta informação, é se não há por aí ninguém com filhos a quem tenha justificado faltas e que tenha pensado que algo estava errado.
Tal como dizes, é o país que temos. Que raio de sina maldita esta.
Já não há pachorra para as faltas injustificadas. Se alguns dos nossos colegas se preocupassem mais em saber quando é que o médico, através do atestado, autoriza o aluno a frequentar as aulas (sinal de que já não há perigos de contágios) em vez de andarem a contar os dias que faltam para que alguns ultrapassem o limite permitido de faltas e assim ficarem com menos uns alunos, de preferência antes do natal, e deixarem de ter chatices, seria de facto muito mais útil.
Já me reformei, mas continuo a seguir atentamente ao descalabro a que a escola tem sido votada.
Já não há pachorra para muitas das coisas que nos obrigam a fazer em nome das estatísticas, Cecília. Chegámos ao ponto de os alunos preferirem fazer provas de recuperação para ficarem outra vez sem faltas e poderem faltar outra vez. E não é daquelas histórias que se repetem sem sabermos se de facto aconteceram, passou-se comigo. Neste momento não se contam faltas para que os alunos saiam antes de altura nenhuma, porque com as provas de recuperação é quase impossível que eles chumbem. É claro que ninguém quer que eles chumbem, mas é bom que passem por mérito e que as faltas tenham consequências sérias no seu percurso, de forma a que pais, alunos e professores consigam agir. Os atestados nos dias que correm trazem o número de dias previsíveis de doença e com a Gripe A só podiam voltar à Escola depois de autorização/declaração médica.