Esta história podia ter um final feliz, mas não tem final, estão avisados.
Começa com uma alma que quer ser escritor. É o seu sonho. O seu desígnio.
Mesmo que o mundo não tenho dado por isso e até tenha cometido a desfeita de ignorar o original que o putativo autor colocou on-line há uns anos. Era a sua forma de partilhar com todos os que quisessem desfrutar da literatura da sua larva. Nada. Depois, por razões que a razão desconhece, por mistérios insondáveis, o potencial autor consegue uma editora, publica, sai nos jornais, tem mural no facebook, atreve-se a mostrar os seus poemas, a expor as suas ideias, os seus manuscritos, crente de que será compreendido e aceite pelos pares. Como a vida não traz instruções e quem te avisa, teu amigo é, o mesmo autor recebe uma mensagem a dizer: calma, tudo se consegue com calma, não se coloque a jeito que isto vai correr mal. Magoado nos seus sentimentos mais profundos, considerando a total ingratidão do mundo, o autor manda os críticos à merda, diz que se está nas tintas, que quer que a malta vá brincar com as respectivas. Deduzo que sejam as pilinhas, mas não tenho a certeza. Perdeu-se um autor? Não, que ele é persistente e bom rapaz, está cá para ficar e é assaltado por momentos de vaidade, garantem os mais próximos. Alguém se lembrará do seu nome em dez anos? Duvido. Mas isso tem importância? Não tem nenhuma. O mundo dos livros é um mundo estranho, cheio de compadrios, pátios, quintas, reentrâncias, códigos e ligações secretas. O mercado é mínimo, estamos em crise, os livros não vendem, os autores precisam de trabalhar.
Os autores são-no por condição, sempre o disse. Eu continuarei a trabalhar e a escrever quando calhar, escrevo desde os sete, não é agora que vou parar. Se não publicar mais nada não terá grande importância. Este putativo autor? Será um desgraçado de um infeliz e ainda não percebeu. Fazer o quê?


Egos inflamados é coisa que não falta neste cantinho de Deus, e compadrios também não…
Mas a receita para quem quiser ser um autor bem sucedido, com portas abertas em todas as editoras e números astronómicos nas vendas, nem sequer é difícil nos tempos que correm: basta ser-se striper, futebolista ou apresentador(a) de televisão.
Ana, televisão é fundamental! beijos