Sem demagogia nem bluffs, ok?


escafandro,

Quem acha inaceitáveis as políticas de austeridade deste governo – e, em benefício daqueles que de mim tenham construído uma imagem de excessivo masoquismo, esclareço que também não gosto de ficar sem salários – devia apresentar alternativas credíveis (saliento a parte do «credíveis»; eu próprio tenho várias alternativas mas parecem-me quase todas imbuídas de inconstitucionalidade suficiente para causar apoplexias nos juízes do Palácio Ratton – o que, vendo bem as coisas, pode justificar que se tente implementá-las) ou deixar claro encontrar-se disposto a aceitar que, no limite, Portugal saia do euro. Só assim poderá ser levado a sério.

13 comentários em “Sem demagogia nem bluffs, ok?”

  1. É estranho que o cds procure agora fazer passar a ideia de que não tinha conhecimento o aumento da TSU foi defendido logo de seguida por um ministro do cds (pedro mota soares) e a revisão dos escalões do irs tinha sido pré-anunciada por um secretario de estado do cds.

    1. Eu não diria estranho, antonio, diria típico da política nacional – ou até mesmo da maioria dos portugueses: sempre que uma coisa é mal recebida, tentamos fingir que não tivemos nada a ver com o assunto.

  2. Ora fazendo juz ao repto, sem demagogias nem bluffs, a alternativa seria despedir 150.000 funcionários públicos (só se gastavam dois anos em subsídios de desemprego). É inconstitucional? Mas quem disse que ficava alguém no TC?

    (Pá, estou muito motivado com as palavras do Vasco Lourenço, é isso)

  3. Talvez despedir 25% dos funcionários públicos da justiça, assim por assim aquilo já não funciona… Depois é aguentar dois anos de sub. desemprego. Após esses dois anos talvez já 10/15% tenham morrido, menos mal, assim gasta-se menos. Dos que sobraram podemos também recusar qualquer tratamento hospitalar, lá se vão mais 10/15%. Para o resto organize-se uma festa de angariação de alimentos e distribua-se. Comem uma uma vez por ano e de borla, já não é mau. Isto deve ser fácil de organizar, o Gaspar deve ter tudo numa macro. E agora já posso criticar o aumento da TSU? 🙂

  4. O problema no seu repto é que nós não somos especialistas de política económica. Baixar salários e aumentar impostos a quem deles não consegue fugir é a coisa mais elementar que se pode fazer. O que se exigia era um pacote de medidas que, anunciadas em conjunto, revelassem um plano complexo e inteligente de recuperar dinheiro, dando um impulso à economia.

    Perder dinheiro é inevitável, mas que seja com alguma visão. Se os nossos produtos não são competitivos a nível internacional, e é necessário reduzir o seu preço nominal, inventem-se medidas para apoiar as empresas que mais exportam. Agora não se finja que se ignora que 80% das empresas produzem apenas para o mercado interno, e que portanto a redução generalizada dos rendimentos do trabalho tem um impacto mais negativo na produção, do que o acréscimo decorrente do aumento de produção das 2 mil empresas com expressão no sector exportador. Medidas cirúrgicas, um bocadinho aqui, outro bocadinho ali. Mas isso dá trabalho!

    1. cenas: em teoria, concordo; mas já no ano passado essa hipótese tinha sido avançada (o estudo sobre a descida da TSU contemplava vários cenários, entre os quais esse) e, para além de colocar problemas de saber onde se ia buscar o dinheiro (subia-se o IVA ou obrigavam-se os trabalhadores de todas as empresas a pagar o que só beneficiaria algumas?), já não me lembro se o FMI, se a Comissão Europeia (mas creio que esta) não a aceitava, exigindo que a medida fosse de aplicação geral.

      1. A Comissão Europeia impede que as empresas exportadoras tenham condições diferentes das outras. É anti-concorrencial.

        (o que, pensando bem, faz sentido – se as condições forem melhores para as exportadoras, as outras têm ainda mais entraves a passarem também a sê-lo)

  5. …fico a pensar que terá PPc prometido, para tamanha lealdade! Apresse-se a fazê-lo cumprir-lhe o que prometeu, porque já se fala muito na queda dele

      1. Tem razão, duas vezes:
        1) perguntou “alhos, eu respondi bugalhos.Mas não posso criticar uma medida, se não tiver alternativas para apontar? Uma metáfora: se você se me encontrasse em agosto, no meio de seara madura, a querer fazer sinais de fumo, o que faria?suponho que dizia: _ não faça isso! e aí eu respondia:-mas não tenho pombo-correio!Suponho que você respondia, de novo: “não interessa, não faça isso.vai puxar fogo á seara!
        Às vezes já é bom que nos digam que por ali n-ã-o! ( José Régio, poema “cântico negro”) já dá uma ajudinha, na procura do caminho certo.
        Eu não sei nada de economia (mas gostava de saber),mas o Prof. João Ferreira Amaral (ISEG) continua a defender a saída do euro, há mais de um ano. Olhe, se ele está doido varrido, ainda não o internaram!
        2) Fui agressiva sem necessidade e peço desculpa.Em minha defesa só posso dizer que pensar no governo…me deixa de cabeça quente, e agir de cabeça,dá disparate.Cumprimentos

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