No novíssimo Campus de Justiça, certamente inaugurado com a pompa e circunstância sem a qual o provincianismo português não pode passar, faltam salas de audiência e ao que parece vários julgamentos, mega-julgamentos, podem ser adiados porque não existem salas com as dimensões suficientes para o número avultado de arguidos e advogados envolvidos. E claro que se se continuasse na Boa Hora ou num tribunal análogo ainda se podia compreender. Inadmissível mesmo é pensar que o dito Campus foi inaugurado em 2009 e que à data terão sido destacadas “a luminosidade e a climatização”. O mesmo se passa, por exemplo, na minha escola, a ser inaugurada pomposamente no próximo dia 5 de Outubro. Muita luminosidade, é verdade, climatização, confere. A luminosidade é tanta que incide nos olhos dos alunos logo pela manhã e como não há lugar para onde possam mudar dado o número elevado de alunos por turma, há que aguentar. E salas mais pequenas, capacidade em número de salas de aula igual à anterior, em equipamentos informáticos estamos ainda pior, ai o meu rico manual, que seria de mim sem ele, e sala de professores onde não cabem os professores nos intervalos, gabinetes de trabalho sem mobiliário. Mas o povo é feliz e pasma-se com as obras na escola. Se estivesse com o rabinho sentado numa secretária e longe do que é dar aulas também haveria de gostar ou se passasse pelos corredores largos ou à porta da escola. Tudo lindo em azulejos brancos e azul cueca. Não há cura para o português.
Sem cura
cronicasnofeminino,

Há sempre um lado bom: como é feriado, não terás de ir ver o inaugurador da tua escola.
Mas vou, João, a responsabilidade profissional que tenho a tal me obriga.
Credo! Desejava-te melhor sorte.
É rápido e indolor, João 🙂
Acho bem que seja azul-cueca. Para condizer com as gravatas do Presidente do Conselho.
Tudo a condizer, pois claro.
Vai vestida de azul cueca, Leonor!! Eu pagava para ver…
E se o bengaleiro dos padres ainda tiver bengalas, mesmo pintadas de azul-cueca… pensa bem no que podes fazer com elas… pode ser que te alivie, sei lá.
No texto que linko d’ A Curva da Estrada é isso mesmo que digo… Além do bengaleiro dos padres foram mais uns móveis Queen Anne (acho que é assim). Até eu que nem gosto particularmente de móveis antigos virei fera.