“Não amo a desgraça nem o excesso de graça, mas posso contá-los. Era um salão com lustres e de gente com duzentos milhões, pelo menos, de renda anual em angolares e francos suíços. O meu coração não é duro, porque nesse tempo eu não faria contas dessas. Ao princípio fascinaram-me as relações exemplares. Depois apercebi-me que essa raridade era uma ofensa, como uma desmesurada conta na Suíça e, felizmente, muito mais rara. Os amores únicos e a sua crónica devem ser deixados a escritores menores, os agiotas da ilusão. Ou pervertores de consciências. Ah, se o amor é fulminante e arbitrário, porque não preferir o poder ou a sua prima triste – o conhecimento?” ( pp. 92-93)
Maria Velho da Costa, Missa in Albis, 1988, 465 pp.

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