
ADEUS, SOPHIA
(A Sophia de Mello Breyner Andresen)
Por fim, Sophia
desatados os laços
vencidos os limites
estende-te o mar o seu tapete de ondas
como quem estende os braços
Respondes ao convite?
Guardou, só para ti
na tua metade maresia
prodígios, espantos, maravilhas
estranhos como Giocondas
Esperam-te as ilhas
que sonhaste
E esses corcéis que nunca cavalgaste
sacodem já as crinas
em desafio
Segue o teu fio
de praias extasiadas
de manhãs cristalinas
até que se te acabem as areias
e te venham buscar
breves, aladas
as vagas por que anseias
Vai, ruma ao Norte
desprende-te do Sul
que a tua sorte
não é daqui, é de outro azul
Vai, habitar para sempre o Mar da Poesia
Adeus, Sophia.
(2 de Julho de 2004)
(Nota: Faz hoje precisamente seis anos que Sophia partiu. Acredito que hoje ela seja já, por direito próprio, a verdadeira Menina do Mar.)

Excelente, Ana. Gostei muito do teu poema. E nunca é de mais evocar a memória de Sophia. Já não está fisicamente entre nós mas ficará connosco para sempre.
Será sempre o meu Nobel, Pedro.
É sem dúvida de outro azul. Gostei muito, Ana. Do poema e da recordação.
Obrigada, Cristina.
Excelente evocação e poema, Ana.
Obrigada, Leonor.
Muito bonito.
Obrigada, João. Esse teu azul daí, agreste e atlântico, é mais o azul da Sophia.
Ana, linda e justa lembrança, acredito que ela será para todo o sempre a menina do mar.
Também eu, CR. Agora já não só pela metade…
Lindo, de um azul, de uma qualidade poética que a própria Sophia subscreveria, estou certo. Parabéns, Ana, que não pára de nos surpreender com os seus múltiplos talentos.
Luís, obrigada. Sempre simpático. (e exagerado…)
Tão lindo, Ana. Tão lindo.
Fez-me bem ler.
:))))
Que bom, Maria do Sol.
Muito bonito. Delicado e com aroma a maresia.
Como ela, Sílvia. Na metade maresia sinto-me igual, mas só nisso.
Bela homenagem, Ana. Gostei muito. Parabéns!
Obrigada, Teresa.
Ana, que poema comovente…
Hoje também recordei Sophia, mas não me lembrava que fora a 2 de Julho que partira nem que fora há 6 anos já… conversava-se sobre as melhores autoras portuguesas (não gosto da palavra escritoras) do séc. XX… Sophia vinha à frente.
O seu poema sintetiza de forma tão viva a sua essência, o mar… o mar sempre tão presente, a maresia, o mistério, a sua densidade…
Se não se importa vou colá-lo para mostrar a algumas professoras de Português que levam Sophia aos seus alunos com este entusiasmo que a Ana revela…
Ana
Claro que não me importo, honra-me muito até.
Sophia é talvez a minha poeta de eleição na língua portuguesa (não gosto da palavra poetisa) e estas palavras foram escritas com muita emoção à mistura, quando soube que ela tinha morrido. E sem um Nobel…
🙁
Ana
Obrigada!
Sabe que domina muito bem a linguagem autêntica da poesia? A síntese? A emoção? Está lá tudo!
Também cncordo com a Ana: prefiro o termo 2poeta”, também não me agrada “poetisa”.
Temos grandes mulheres poetas, mas Sophia é especial, muito especial…
Beijinhos! Ana
Eu é que agradeço, Ana.
Beijinho
a tomar um cafe perto do castelo do queijo em frente ao mar da foz /esta frio/. eu ja chamava a estes sitios terras de sophia. imagine a coincidencia astral quando aqui chego e dou com esta evocacão. perfeito… gostei muito :*
No Chateau du Fromage? No Cheese Castle? Vou nessa.
Pode ser naquele edifício ‘nonsense’ onde toda a gente esbarra por ser transparente…
Acho que estou a ver qual é 🙂 Mas não, estou aqui vivinha da silva, sem ter trespassado o vidro. Adoro aqueles sítios do Porto à beira-mar, que ainda por cima estão logo do outro lado da rua de certas…como dizer… portas simpáticas de que sou freguesa. Mas hoje, para mal dos meus pecados, esta foi a minha única escapadela para fora de casa (alheia). Digamos que a missão do passeio, desta vez, era muito pouco agradável. Valeu-me o eco de Sophia 🙂
Nesse caso fico mais contente ainda por ter sido a mensageira desse eco, Chloé.
🙂
E foi mesmo. Estes laços blogosféricos são o que são, mas não deixam de ter muita piada
😉
Chloé, é esse mesmo o azul de Sophia. Tudo nela era Norte, do mar da Granja ao Ártico…
Gostei da coincidência.
🙂