António José Seguro é um caso raro de sagacidade política. Questionado sobre as consequências da decisão do Tribunal Constitucional, foi lesto a declarar-se “disponível para substituir o Governo”. De seguida, instado a explicar as soluções que encontraria para resover o buraco no Orçamento de 2013, foi ainda mais rápido e contundente: “quem criou o problema que o resolva”. Isto é, Tó Zé quer que os portugueses o elejam mas apresenta-se desde já como demissionário da responsabilidade de encontrar soluções. Já uma vez, aqui no DELITO DE OPINÃO, comparei o actual secretário-geral do PS com o cão mais apalermado do Oeste. Dou a mão à palmatória. Fui muito injusto com Ran Tan Plan.
Seguro demite-se ainda antes de ser eleito
Rui Rocha,

Rui, há uns meses, o mais novo cá da casa perguntou: Mãe, não vamos ter um primeiro-ministro chamado Tozé, pois não?
Sim, lembro-me que escreveste sobre isso. Achei um piadão.
Rui, eu na altura avisei; coitado do Ran Tan Plan.
Entretanto parece que o Passos Coelho, e na minha opinião bem, vai esta noite deixar o “menino” nos braços do Presidente Cavaco. Ele merece!
Hmmm.
Parece que quem quer apresentar a demissão é Vitor Gaspar. Pena é que Paulo Portas, o único que podia ter evitado tanto alarido, não tivesse agido em tempo, porque escusava-se de ter arrastado a situação a este ponto (afinal o CDS não tem programa, a não ser estar no governo em qualquer situação. Ainda que Portas tenha feito um bom trabalho de promoção. Foi o único, neste capítulo, com obra feita). Venham as eleições e, repito, Seguro poderá vir a surpreender positivamente. Necessitará do PSD para o fazer, mas que regressem aqueles que são da “linhagem” de Sá Carneiro.
Nunca percebi esta de para se pagar uma dívida se tivesse que adoptar medidas para que a mesma nunca seja paga, e só para ajudar a senhora Merkel a justificar-se perante o seu eleitorado. Os sacrifícios infrutíferos dos últimos dois anos devem-se, para além de Sócrates, a políticas de “querer ir mais longe”; aqui estamos.
Meu caro Rui,
seguindo o seu raciocínio o Tó Zé é um Lucky Luke: mais rápido que a sua sombra.
Não é um problema de Seguro… basta olhar para a bancada do PS.
O problema de Passos Coelho é que foi a última tentativa do regime de querer fazer passar a ideia de que haveria uma solução através de eleições, com estes partidos.