Sinceramente, acho as palavras deste industrial um exagero. O artigo, com grande destaque na página principal do Sapo, hoje de manhã, cheira muito a publicidade.
Temos de ter em mente que o uso de máscaras não anula o chamado distanciamento social de, pelo menos, 1,5m. Respeitando-o, as máscaras com 70% de filtragem cumprem perfeitamente o seu objectivo: evitar a circulação livre do ar entre as pessoas, ao respirar. Ninguém precisa de máscaras cirúrgicas, com mais de 90% de eficácia, no dia-a-dia (a não ser talvez, em certos transportes públicos). Na Alemanha, até se aceitam simples lenços a cobrir a boca e o nariz nos supermercados e comboios e a pandemia, neste país, está bastante controlada (o maior problema continuam a ser os matadouros).
Apesar de reconhecer que as autoridades portuguesas cometeram erros desnecessários (e, para isso, baseio-me largamente nos textos aqui publicados pelos meus colegas de blogue), declarar que elas “facilitaram” ao admitirem modelos que oferecem apenas 70% de filtragem é, na minha opinião, de um grande atrevimento.

Cristina se as cirúrgicas oferecem mais de 90%de filtragem e sendo o preço de 50 máscaras cirúrgicas à volta de 30€ considero que faz sentido em Portugal, sobretudo em Portugal, dar preferência a estas últimas. Quanto aos lenços (que tipo de lenços?) poderem ser equiparados às máscaras acho uma tontice.
Es tut mir Leid
Normalmente, lenços de pescoço, que as pessoas sobem para a cara. Penso que a ideia é: mais vale o lenço do que nada. Eles não são equiparados às máscaras, apenas são tolerados. Mas vê-se muito pouca gente a usar lenço. E a situação, por aqui, está mesmo muito controlada (para já).
Eu prefiro, claro, máscaras de pano, que se podem lavar, do que as descartáveis. Até hoje, penso que só usei duas descartáveis. Por isso, não compro cirúrgicas. Se o distanciamento for cumprido, não são precisas as cirúrgicas. No caso de ser impossível, já não digo nada.
Sim, aposto sempre que possível no distanciamento, mesmo usando máscara. Se o passeio for estreito e ver gente na minha direcção afasto-me ou vou para o outro lado. Contudo profissionalmente opto pelas N95 e desinfecção das mãos
Qualquer máscara é melhor que não ter máscara.
-O vírus vem em gotículas e poeiras com muito maior dimensão que o próprio vírus.
-Mesmo que a infecção ocorra com grande probabilidade uma parte da carga viral ficará na máscara eventualmente diminuindo a sua intensidade.
lucklucky, o kulak
Os irmãos Dalton não diriam melhor…
Concordo consigo Cristina. As máscaras com filtragem a 70% ou superior são garantidas nacional e internacionalmente como seguras.
A ver, duas medidas importantes: distanciamento “social” muitas vezes difícil mas a mais importante e uso de máscaras, se todos agirem assim, o risco é mitigado (transportes públicos à cunha é um grave problema, mesmo com máscaras), mas maior ainda é o problema de que há muita gente que não cumpre, que vai para os cafés socializar sem distância e sem máscara. Até já ouvi o argumento de que usar máscara obrigatoriamente é um atentado à liberdade pessoal e portanto à democracia. O cansaço que todos sentem, a falta de disciplina de muitos e um racional destes conjugam-se para que as coisas possam correr mal e não estão a correr bem.
Parece-me que a PPTex quer a mesma mama do costume, uma lei à medida do seu produto. Não é a única.
Para filtrar saída de vírus para o ambiente até um pano dá. Para filtrar entrada de vírus já a conversa é outra – se calhar nem as da PPTex servem. O juízo ainda é o melhor filtro, não adianta ter uma máscara que filtre 100% e mexer nela e nos olhos, ou mexer nela e apertar a mão a alguém.
O atrevimento foi o de não terem divulgado os estudos para basearem essa afirmação porque ela é correcta. Nós hospitais no Vietnam como é normal haver falta de máscaras o pessoal auxiliar e enfermeiros usam as chamadas máscaras de pano e por isso foi encomendado um estudo á dez anos onde se chegou á conclusão que são inúteis e até contraprucedentes aumentavam a taxa de infecção aí SARS e ao MERS, os outros coronavirus humanos existentes na altura. Em outro estudo de 2014 para estudar a eficácia das máscaras cirúrgicas na contenção dos vírus influenza, rinovirus e coronavirus usando 123 pessoas com sintomas como cobaias, tiveram como resultados que a carga viral nas gotículas e aerossóis expirados são mesmo muito baixos em relação á carga viral detectada nas amostras nasais e da garganta e também que as gotículas transportam uma baixa carga viral de coronavirus em relação às cargas encontradas nos aerossóis. Portanto a probabilidade de assintomático infectar alguém deve ser baixíssimo se não nulo e quem tiver sintomas, sinal de carga viral elevada se não usar uma máscara cirúrgica ou de capacidade de filtração superior, não vale a pena usar nada porque a carga viral expelida será quase idêntica a ter qualquer coisa á frente das vias respiratórias. Conclusão quem não tem sintomas ponha qualquer porcaria á frente da boca para respeitar as regras e servir como efeito placebo. Se entretanto encontrar de novo esses estudos divulgo.
Por mim, não precisa de divulgar esses estudos, confio nas suas palavras. Mas repare que não incluí, no meu post, o trabalho nos hospitais. Aí, vale a segurança máxima. Apenas falei na vida social, respeitando o distanciamento, onde o objectivo é que o ar não circule livremente de pessoa para pessoa. Mas, como outros comentadores referiram, é verdade que há situações em que esse distanciamento não é possível. Aí se justificará uma melhor protecção.
O que me revolta foi a DGS, nas conferências de imprensa que fazia não apresentar os estudos onde baseavam os seus conselhos. Nem a OMS é explícita em relação a isso.
Penso que o problema é que, tanto a DGS, como a própria OMS, se sentem inseguras quanto ao assunto. Ainda não há suficiente conhecimento de causa.
As máscaras, ou quaisquer outras barreiras a cobrir o rosto, destinam-se a proteger terceiros e não o próprio.
O objectivo do seu uso consiste em impedir que as gotículas (desde 5 microns de diâmetro, ou coisa que o valha) na fase líquida provenientes da normal expiração, do acto de falar, de tossir e espirrar se disseminem pelo ambiente.
Durante cerca de 2 meses escrevi aqui neste blogue sobre o tema. Afirmações fundamentadas em estatísticas e artigos científicos. Geralmente contra tudo e contra todas as almas menos esclarecidas, para ser simpático.
A sua eficiência de filtragem é irrelevante. Tão irrelevante quanto o seu uso em espaços abertos e bem ventilados, como uma praia. Diria até que aí o seu uso é ridículo. Tão ridículo quanto a ausência do seu uso em espaços fechados.
Lamentável que passado este tempo todo ainda alguém não tenha compreendido o essencial.
Concordo com tudo o que escreve. Acrescentaria apenas os cuidados óbvios no manuseamento das mesmas.
Subscrevo, Evilmonte.
Livros – bem estar – saúde – educação – SIM, ajudam em tudo
Livros – erudição – cultura – literatura – NÃO
Cumprts de:
ler é o melhor remédio – nos tempos livres
https://lereomelhorremedio.blogs.sapo.pt/
fl
Está certo que puxa a brasa à sua sardinha, mas tem razão esse tipo máscaras sociais e com poder de filtragem de 70% de partículas 2,5 não são mais que um placebo.
A segurança absoluta e total é impossível. Tem sempre que se fazer um compromisso entre a segurança e outros valores.
O principal problema das máscaras não é elas não serem parcialmente inseguras, é sim elas serem mal e porcamente utilizadas. As pessoas estão sempre a baixar a máscara, a mexer nela com as mãos, a tirá-la e voltar a pô-la, etc; isso é que torna as máscaras inseguras.
É verdade, também na Alemanha há muita gente que não sabe manusear a máscara.